terça-feira, 16 de janeiro de 2018

O EXPERIMENTO DE APRISIONAMENTO DE STANFORD


Um filme que todo estudante de psicologia deve ver e que qualquer pessoa deveria assistir para analisar o comportamento do ser humano. Na verdade, é o terceiro filme baseado num experimento real ocorrido no Campus de Stanford durante as férias escolares de 1971, dirigidas pelo Dr. Philip Zimbardo, no filme interpretado por Bill Codrup, que se tornou um marco na história dos estudos comportamentais por vários motivos. Os resultados dessa pesquisa foram mais abrangentes do que estavam esperando. Segundo alguns sites especializados, esse filme de 2016 é o que melhor retrata os acontecimentos daquele verão.

O tal experimento tinha o objetivo de investigar como o ser humano se comportava em situações onde o indivíduo era definido pelo grupo em que estava inserido. Foram entrevistados dezenas de jovens e 24 foram recrutados, cada um receberia USD 15,00 para participar durante duas semanas desse programa, que consistia em transformar uma parte do porão da universidade num presidio, onde um grupo seria guardas e o outro seriam prisioneiros. Para Zimbardo, mesmo todos os jovens sendo iguais e psicologicamente estáveis, sendo inseridos nesses novos grupos com o tempo eles perderiam sua identidade individual e agiriam como o grupo. Os prisioneiros seriam chamados pelo número de sua vestimenta, usariam uniforme e teriam que obedecer aos guardas, que por sua vez teriam liberdade de fazer de tudo para manter a ordem, apenas agressão física era proibida. Zimbardo e sua equipe assistiam e acompanhavam todo o desenvolvimento à distância. Durante a entrevista, todos os jovens preferiram ser prisioneiros por diversos motivos, e as escolhas foram feitas por intermédio de cara ou coroa, mas aos guardas foi dito que foram selecionados devido a forma física, o que não era verdade.


Mas o que era para durar duas semanas fugiu totalmente do controle e durou apenas seis dias. A perda da individualização foi tão gritante, em ambos os lados, que em poucas horas transformaram os participantes. Os guardas se tornaram sádicos e abusavam do poder a todo o momento, humilhando moralmente os prisioneiros, que apresentavam distúrbios físicos e emocionais. Se o ser humano muda com um pouco de poder nas mãos e se transforma de acordo com o ambiente que o cerca, os pesquisadores tiveram a triste percepção de como isso pode ocorrer de forma rápida e descontrolada, sendo eles mesmos afetados pelo experimento. Alguns prisioneiros tentaram se rebelar, mas após não terem sucesso, os demais presos pareciam um rebanho, enquanto a crueldade de alguns guardas repercutia no comportamento de outros carcereiros, os tornando também cruéis. Essa perda é algo extremamente perturbador, e notar o quão rápido isso pode ocorrer na mente humana nos faz pensar como uma sociedade age quando isso ocorre numa vida inteira. Alguns prisioneiros começam a se chamar pelos números de suas camisas, enquanto os guardas começam a gostar de servir o sistema, tendo prazer em suas atitudes. Aquilo realmente era uma prisão e agiam como tal, se esquecendo no final que tudo era um experimento. Para eles se tornou real.


Analisando o filme e o experimento de aprisionamento, podemos notar o medo, frustração, ações de manadas e autoritárias, a aceitação de sua situação, a humilhação sendo aceita sem pestanejar, e o pior de tudo, não conseguir reconhecer quem somos e temer o que podemos nos tornar em situações adversas. Até onde o ser humano pode ir no sentido de poder e submissão e o quão profundo isso pode se enraizar na mente humana. Zimbardo escreveu um livro e após sua experiência e ele age deste então em programas que tendem a evitar o abuso de autoridade em presídios, mas relegar esse estudo apenas ao fator prisional é algo muito superficial. Vemos casos do tipo em todos os lugares, seja em apresas ou restaurantes, até em famílias ou no transito. Haveria uma maneira de evitar ou transformar um ser humano que está numa situação parecida? Que a psicologia nos ajude. No meu entender leigo, o mundo precisa de muita ajuda, não é mesmo?

O filme tem ótimas atuações, duas delas já fariam o filme valer a pena por si só. Do lado dos prisioneiros temos Ezra Miller, como Daniel Culp, ou 8612. Sua atuação como um prisioneiro rebelde e considerado um perigo pelos demais dão os primeiros sinais do que viria mais adiante no filme. Do outro lado temos Michael Angarano que logo recebe a alcunha de John Wayne entre os guardas, que usa e abusa de seu poder de forma cruel e sádica. Ambos os atores merecem parabéns, cada qual liderando seu grupo naturalmente, mesmo que seja por um tempo, e com certeza são nome garantidos em grandes produções no futuro, como no caso Ezra Miller como o Flash. Um filme para reflexão. Um experimento para ser lembrado.

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