quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

BRUCE LEE: OS 4 FILMES DO DRAGÃO


Bruce Lee infelizmente teve uma curta carreira, mas com grande impacto. Sua morte o relegou ao status de lenda, e o filme O Jogo da morte, lançado após sua morte em 1973, foi um grande sucesso, mesmo sendo quase que todo feito em cima das cenas de um sósia e com pouquíssimas cenas de Lee pré-gravadas. Vê-lo com aquele uniforme amarelo com listras pretas na lateral é um chamado instantâneo à nostalgia. Mas antes desse e demais filmes póstumos ele lançou quatro filmes no período de três anos, que lhe renderam muito sucesso e apresentaram ao mundo suas façanhas nas artes marciais. No original os quatro filmes não possuem relação entre si no que diz respeito à história ou título do filme, mas em português podemos chama-los dos Quatro filmes do dragão. Pode-se considerar que era uma maneira de chamar a atenção do público ou até preguiça na escolha da tradução, mas isso acabou ajudando a diferenciar esses trabalhos, com dragão para lá e dragão para cá. Em resumo, quatro memoráveis filmes do mestre Lee.

O dragão chinês

Em 1971 Bruce Lee já era conhecido, com alguns filmes no currículo e fama em artes marciais lhe desenvolvendo o caminho. Emplacou um sucesso na TV como Kato, o ajudante do Besouro Verde, e agora estava entrando no seu auge. Em o Dragão Chinês (The Big Boss nos EUA) ele é Cheng, um cara bom de briga que troca a vida difícil no campo pela vida difícil na cidade, onde vai morar com seus familiares explorados pelo dono de numa fábrica de gelo, que também atua em diversos negócios escusos na região. Quando alguns de seus entes queridos desaparecem inexplicavelmente e outros são encontrados mortos, Cheng tem que agir e desbaratar essa organização criminosa. Certamente é o mais fraco dos quatro filmes, mas dá para notar que Bruce estava tateando o sucesso que viria a seguir. Em plena Guerra do Vietnã, onde os EUA começaram a ser vistos como vilões, surge um personagem como esse, tentando salvar minorias oprimidas, e o melhor, sem a utilização de armas, tão infames nos noticiários. Com cenas fortes de violência, o filme é uma boa porta de entrada para o público conhecer o trabalho de Lee. Com a música Time do Pink Floyd como tema.

O voo do dragão

Aqui conhecemos Tang, o personagem mais engraçado de Bruce Lee, e podemos admirar sua relação com os tchacos. Em muitas cenas você fica imaginando o perigo dos figurantes passaram em algumas cenas de luta (está certo que eles treinam bastante, o Bruce é bom e o posicionamento da câmera ajuda, mas levar uma tacada dessa na cara amedronta). Tang muda-se para a Itália para ajudar sua amiga que tem que pagar altas taxas para mafiosos locais que também querem que ela venda o restaurante. Esse esquema de cobrança criminosa é algo que Bruce Lee conheceu bem em seu tempo em Hong Kong. Como se metia em encrencas, seu pai entrou num acordo com a máfia mandando seu filho para São Francisco, e assim um não interferia no trabalho do outro, mas mesmo aqui seus conhecidos sofriam com os abusos de criminosos vendendo proteção. No filme, quanto mais Cheng mexe no formigueiro, mais formiga vêm. Ao final a luta épica com outro ator, seu aluno na época e futuro maioral dos filmes de ação: Chuck Norris, com pelos a lá Tony Ramos dando trabalho ao Lee. Mas se no futuro Norris seria conhecido como “o senhor pode tudo”, fica a lembrança: Ele já foi vencido por alguém. Filme de 1972.

A fúria do dragão

O filme que mais gosto do Bruce Lee. Chen Zhen se revolta com o assassinato de seu mestre e parte numa vingança pessoal e sozinho contra as escolas de artes marciais rivais, literalmente fazendo roda e derrubando meio mundo. Mas sua vingança começa a criar problemas para a polícia local, e como foragido ele não se cansa em cumprir seus objetivos. O nome fúria condiz muito com esse personagem. Vê-lo em ação é uma pintura. Seus movimentos precisos, sua técnica inovadora, seu carisma arrebatador, tudo contribui para te tornar um fã dessa personalidade, e se esse filme não o fizer o transformar em um admirador de Lee, nada o fará. Há personagens característicos dos seus filmes, como o cobrador de impostos um tanto afeminado, ou os amigos bons de briga que vão acabar apanhando, mas tanto o desfecho, com a emblemática cena do salto, quanto o enredo, fazem desse filme um diferencial na carreira do artista. Desculpe se transparece apenas um fã falando, mas é Bruce Lee. Tristeza pensar que o teríamos apenas por mais um ano de vida. Também lançado em 1972.

Operação Dragão

Pode-se dizer que junto com o filme O jogo da Morte, esse seja um dos mais lembrados, pois foi o que lhe deu fama mundial, mesmo que póstuma. Lee é Lee, um monge que recebe uma missão de seu mestre e de uma força especial americana para participar de um torneio numa ilha em Hong Kong, dominada por um ex-discípulo de seu mestre que transformou a ilha num verdadeiro império do crime, com fabricação de drogas, prostituição, escravidão, etc. O famoso torneio que ele patrocina é a maneira como Lee conseguirá cumprir com a missão e detalhar como funciona os esquemas da ilha para uma futura invasão das forças armadas que são impotentes de agir sem provas e deflagrar uma pequena guerra entre nações.  Tudo se torna pessoal quando Lee descobre que sua irmã foi morta por um dos truculentos capangas do vilão. Nesse torneio estão o americano Roper, que vive de apostas e pequenos golpes, e Williams que representa o movimento blaxploitation tão em voga na época. Mas é Lee quem brilha, e numa incrível batalha final temos a famosa cena da luta na sala de espelhos e suas várias feridas por garras. Foi a maior produção de sua carreira e com certeza seu maior sucesso até então. Lançado três semanas após a morte do mestre Lee, em 1973 e contou com um figurante que ficou conhecido no futuro: Jackie Chan. As artes marciais nunca mais foram vistas da mesma forma.