sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

GODLESS


Nos sites especializados, o principal elogio feito para a série Godless que estreou no Netflix é a fotografia, que deixa bonito o empoeirado oeste americano do século IXX, escondendo o perigo que ronda essa região, com pistoleiros sanguinários e fugitivos obstinados. A sinopse chama a atenção, não creio que seja algo novo, mas em formato de série merece uma checada. Com apenas sete episódios, você se sente fisgado no primeiro, mesmo a história demorando um pouco a ser delineada na tela, mas antes que o episódio termine você percebe que está prosseguindo para o segundo capítulo e quando chega no fim, sente que poderia assistir mais. 

A trama se inicia te deixando com a pulga atrás da orelha, com um oficial da lei chegando numa cidadezinha que tivera todos os habitantes assassinados e perto da estação se encontrava um trem descarrilhado. Pouco nos é revelado nesse primeiro momento, e somos direcionados a cidade de La Belle dominada por viúvas de mineiros mortos numa explosão na mina que vitimou mais de oitenta homens, deixando as mulheres e alguns outros que não trabalhavam nas minas para cuidar da cidade.  O xerife Bill McNue está ficando cego aos poucos e já está com descrédito, e a população da cidade acredita que o motivo de seus infortúnios é culpa de Alice Fletcher, uma fazendeira próxima da região que pode ter amaldiçoado a região. Lá ela vive com a mãe do seu falecido segundo marido, uma índia xamã chamada Iyovi e o filho mestiço. Ela tem dificuldades de manter a fazenda e criar os cavalos, mas tudo muda quando um estranho forasteiro bate à sua porta, e notícias de que o sanguinário Frank Griffin está à caça de um de seus homens que o havia roubado.


Lógico que as histórias estão conectadas. Griffin está roubando minas por todo o Oeste e destruindo cidades no caminho, e não perderá a oportunidade de conhecer a cidade controlada por mulheres e que de quebra guarda seu precioso foragido. É faroeste puro que vai agradar ainda mais quem já gosta dos antigos filmes de John Wayne, Clint Eastwood entre outros. O legal da série é que ela mata a sua saudade do gênero bem rápido. A poeira deixada pelo trotar dos cavalos, mulheres fortes fazendo o papel anteriormente relegado aos homens, histórias inacabadas do passado sendo resolvidas com sangue, cobras venenosas, perseguições e até trem sendo roubado. A grande maioria dos Western estão no passado, e ter acesso a esse novo material pode fazer uma pessoa relembrar clássicos, e também o mais importante, fazer pessoas que desconhecem esse filão a se aventurarem nesse estilo que pode ter ficado para trás, mas volta e meia é revisitado. Era uma vez no Oeste, Três homens em conflito, Rastros de ódio, O tesouro de Sierra Madre, Meu ódio será sua herança, entre tantos outros bons filmes, estão a espera sua redescoberta.


Houve uma comoção na internet devido a série ter mais de 70% de falas masculinas mesmo tendo como pano de fundo uma cidade dominada por mulheres, mas estamos falando de faroeste, que é dominado por homens, e confesso que o público alvo ainda é masculino. Resta saber se uma série desse tipo seria bem-vinda pela maioria das mulheres que compensasse numa produção. O tempo dirá e torço para que algo ocorra no futuro.  Mas note que a série tem muito feminismo em seu escopo. Outro tema abordado é o fato do Oeste ser considerado uma terra sem lei e sem Deus, fatos que Griffin não nos deixa esquecer, com suas teorias e modo de pensar que remetem ao título. Conforme todos os filmes do Velho-Oeste que assisti, ter fé em Deus e andar armado sem medo de atirar era sempre melhor para viver nessa região do que apenas só ter fé.

O elenco em si é de primeira, chamando nossa atenção para o fato do vilão ser interpretado por Jeff Daniels, mais conhecido como o Loyd da dupla aloprada com Jin Carrey, agora com barba branca e sem braço, liderando um bando de criminosos e destoando de seu personagem cômico. Já os protagonistas são Jack O'Connell como o fugitivo Roy Goode, com muita história em seu passado escondendo suas motivações, e a bela Michelle Dockery como Alice, que vive num misto de injustiça e azar, mas que tem força para encarar qualquer criminoso. Ainda sobra espaço para outros personagens, que ou ajudam ou atrapalham Alice e Roy Goode. Tiroteios, sangue e terra quente não faltam nesses episódios, que ultrapassam 1 hora cada. Uma boa porta de entrada para o mundo do faroeste. Recomendo.



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