segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

ASSASSINATO NO EXPRESSO DO ORIENTE


É agradável ir ao cinema assistir ao filme sobre uma obra literária de um autor que você venera e perceber que o trabalho foi muito bem feito e que a criadora foi respeitada. Ler um livro da Agatha Christie é tão prazeroso e surpreendente, que assistir a um filme que não te cause as mesmas emoções seria uma decepção, ainda mais se essa produção mostrasse o seu personagem mais icônico, o metódico e inteligente detetive Hercule Poirot. O ator e diretor Kenneth Branagh está acostumado a dirigir e encenar as peças de Shakespeare, e certamente teria um respeito por uma das melhores e famosas histórias de Agatha. A começar pelo seu próprio personagem, o famoso detetive, que segundo descrição da criadora, teria o maior e mais proeminente bigode de toda a Inglaterra. E assim ele o fez.

Com um elenco de estrelas, a história de Poirot escolhida foi o clássico Assassinato no Expresso do Oriente, que junto com O caso dos dez negrinhos são os livros mais famosos da rainha do crime, e talvez os dois livros com as conclusões mais impressionantes. Não sei se foi sorte ou azar, mas nunca li o livro, o que me fez ficar surpreendido com o desfecho (lógico, é Agatha Christie), e lendo o livro já saberia o que iria ocorrer. Por outro lado, o livro se for lido não gerará tanto impacto. Torço para o filme ser um sucesso de crítica e público, pois dá a entender que mais histórias de Poirot serão transformadas em filme, e claro que algumas das histórias que li serão escolhidas, e então terei a experiência de assistir um mistério que já sei o final e poderei fazer essa análise. Mas mesmo se você já leu o livro, não deixe de assistir, pois ficará deslumbrado com o tratamento que a história recebeu.


Hercule Poirot está bem desenvolvido, com algumas características um pouco mais evidenciadas, que lhe dão um ar cômico, não o transformando em um palhaço, mas com a leveza engraçada em seu tratamento com as outras pessoas. Ele já é famoso, conhecido publicamente por ser o melhor detetive do mundo, capaz de desvendar os maiores mistérios que assolam o mundo do crime. Logo no começo ele soluciona um problema que serve mais para conhecermos sua maneira de agir, e percebemos que estamos perante de um dos grandes personagens da literatura mundial. É um Poirot diferente do habitual, que temos na mente como o gordinho careca de bigodinhos finos, entretanto o Poirot de Branagh pode se tornar a nova lembrança que os leitores do futuro terão do personagem. 

Logo ele parte no elegante trem expresso que dá título ao livro, uma decisão tomada de última hora para tentar ficar longe das organizações e pessoas que vem a todo momento em seu alcance lhe pedir ajuda. Eis que durante a viagem ele recebe outro pedido de ajuda de Ratchett (Interpretado por Johnny Depp, com um personagem bem diferente de Jack Sparrow) que lhe confidencia que está sendo perseguido, mas Poirot nega sua ajuda ao deduzir que estava falando com um falsário. Numa noite, uma tempestade causa um deslizamento que atinge os trilhos e a locomotiva descarrilhado, os deixando presos em cima de uma ponte. Na mesma noite há o esperado assassinato, tirando Poirot de suas férias para desvendar o mistério: quem matou? Como matou? E por que matou? Mas quanto mais ele se aprofunda no caso, mais ele percebe que esse é um dos crimes mais intrincados de sua carreira como detetive.


Há algumas cenas de ação, perseguição e humor, colocados no filme para que não fique maçante. Afinal estamos acompanhando outra mídia e se fosse para ser totalmente igual era só ler o livro. Mas nada estraga a história, apenas a deixa mais dinâmica, com alguns personagens se tornando o suspeito principal, mas com reviravoltas atrás de reviravoltas o filme diverte e te prepara para o fim com muito suspense e ansiedade. Judi Dench está maravilhosa como a orgulhosa e prepotente princesa Dragomiroff, Willem Dafoe, Penélope Cruz e Michelle Pfeiffer tem personagens bem marcados por suas características, e os demais (Daisy Ridley, Josh Gad, geram ainda mais mistério para o público. Mas quem brilha mesmo é o nosso querido Hercule Poirot, que não deixa de elucidar o mistério numa cena típica de Agatha Christie: desvenda o assassinato no Expresso do Oriente na frente de todos. Espero as próximas histórias de Poirot.




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