terça-feira, 26 de dezembro de 2017

A ORIGEM DO DRAGÃO


O filme A origem do dragão é um bom filme para qualquer pessoa que for assistir nos cinemas, mas um grande presente para quem adora os antigos filmes do mestre Bruce Lee. Algumas cenas são nostalgia pura e de tão rápido, você não vê a hora passar sentado na poltrona. A trama é bem dinâmica por não abordar a vida inteira do dragão, mas apenas um fato ocorrido no início nos anos sessenta em que mudou a trajetória do seu estilo de arte marcial. Quando o filme inicia você nota que o título do filme não se trata de como Lee se tornou conhecido, ou como ele voltou para a América, seu local de nascimento. O filme trata da origem de uma lenda.

Oito anos antes de Operação Dragão, Bruce Lee ensinava Kung Fu em São Francisco, EUA e de longe era o melhor lutador dessa arte em terras do Tio San, onde ele estava iniciando uma carreira promissora na TV e nos cinemas. Mas muitos não veem com bons olhos o estilo chinês de luta ser ensinado para brancos e qualquer outra pessoa que não seja chinesa. O próprio Lee sofria esse preconceito, e ele se sente ameaçado ao descobrir que um monge Shaolin acabara de chegar à São Francisco em busca de limpeza espiritual. Um de seus alunos se aproxima desse lendário monge chamado Wong Jack Man, para descobrir suas intenções e se impressiona pela forma de pensar bem diferente de seu mestre. Com ajuda da máfia local, que vê uma oportunidade de ganho com os dois grandes lutadores na mesma localidade, uma luta era evitável, a portas fechadas com poucas testemunhas.


O filme não é uma coleção de porradas e brigas, e se parar para assistir aos filmes do Bruce Lee notará que estes também não são. Há muitos ensinamentos importantes, que te fazem entender o real sentido dessas duas personalidades serem chamadas de mestre, e a sua torcida, que ao ler a sinopse antes de assistir ao filme já fica do lado de Bruce, ao assistir ao filme você não consegue escolher um lado tão facilmente. A principal lição que o filme deixa é que somos nossos próprios inimigos e devemos combate-lo à exaustão. Mais do que nossos medos ou nossas fraquezas, mas nossas falhas como seres humanos. Lutamos contra nosso egoísmo, orgulho, e outros sentimentos impuros? Somos realmente mestres de nossas ações? Agimos com parcimônia ou honra?

Segundo o grande mestre Wong devemos conhecer bem o inimigo da mesma forma que conhecemos a nós mesmo. Descobrir nossas fraquezas e achar um meio de vence-las já é um caminho andado para evitar que o seu oponente a descubra e a utilizar para vencer. Lee e Wong sabia disso, mas um deles está à frente, com objetivos mais nobres. O objetivo por sinal é a parte mais importante para quem pretende lutar. Deve-se pensar bem no que quer conquistar esse é algo que vale a pena. Quando for algo bem arriscado deve-se pensar se é algo que vale a pena morrer ao ir busca. Essa é um aprendizado para o jovem Steve McKee, que vê na máfia um oponente digno para ser seu objetivo. Esse personagem é uma alusão ao ator Steve McQueen, que estudou artes marciais com Lee. Um ponto baixo do filme é o exagero em mostrar Bruce Lee como arrogante ou a pouco profundidade de alguns personagens, mas nada que possa estragar sua experiência conforme algumas críticas


O filme é bom em desconstruir nossa percepção preconceituosa ao nos apresentar alguns trailers que nos passam uma visão e nos surpreende com a visão que o longo nos dá. Os motivos de Wong Jack Man são protecionistas e Bruce Lee quer provar alguma coisa? Assista e confira. O que me surpreendeu também foram os trejeitos do ator Philip Ng, que em vários momentos faz imaginar o verdadeiro Bruce Lee na telona, e mesmo assim você sai do cinema percebendo que Wong (Xia Yu) é o protagonista. Notem o final do filme, uma clara homenagem aos filmes do ator mais talentoso em artes marciais que já existiu. Existe algo melhor do que se auto afirmar ou vencer: se tornar uma lenda. E o que pensamos ao lembrar de Bruce Lee.