terça-feira, 7 de novembro de 2017

MR. ROBOT


Mr. Robot era uma série que estava na minha lista. Esperava apenas ter um tempo para assistir e me aprofundar no mundo dos hackers. Sabia que não era uma série para assistir de boa, com a mente desligada e sem necessidade de pensar. Ao assistir constatei que todas as opiniões que ouvi eram verdadeiras. Uma série que desafia o público a pensar e a se tornar um personagem da história merece ser levada a sério. A filosofia por trás da história é abrangente e vai muito além da história de uma equipe de hackers com objetivos de transformar o mundo.

Toda a trama gira em torno de Elliot, um técnico de ciber segurança que trabalha para a empresa Allsafe, que tem como maior cliente a grande corporação E Corp. Mas Elliot tem um problema: fobia social. Tem dificuldade de se comunicar com as demais pessoas, evita ser tocado, anda nas ruas sempre de capuz, não interage e parece viver num mundo particular, o que não deixa de ser verdade, pois hackeia todos a sua volta, sabendo o que cada um faz, os sites que entram, o que gosta de ver, enfim, os maiores segredos das pessoas, seja a tua do café até sua psiquiatra. É algo que ele não controla, numa visão de mundo que ele relata só seu amigo imaginário que nada mais é do que a pessoa que assiste, um simples observador que do outro lado da tela contribui para seu dia a dia. Ele vive num mundo com drogas milimetricamente ministradas, na maior parte do tempo sozinho e tendo como pessoa de afeição apenas uma grande amiga de infância, Ângela, que sempre está ao seu lado trabalhando com ele na Allsafe, e nutrindo por ela um amor não correspondido.


Seu mundo segue novo rumo quando hackers de um grupo chamado fsociedade lhe propor um teste num ataque feito à E Corp que ele consegue evitar sozinho. Seu interesse nessa sociedade só vai aumentando até que o misterioso líder do grupo o recruta devido à sua posição na Allsafe, estrategicamente importante para um grande golpe cibernético que estão planejando dar na E Corp que abalaria estrutura bancárias de todo o mundo. Elliot se vê numa grande encruzilhada, pois tal ataque não só abalaria as estruturas de governos e empresas, como a própria firma em que trabalha, e muitas outras num efeito dominó devastador. O local de reunião dos hackers da fsociedade é uma antiga loja de games e fliperamas chamada Mr. Robot.


Enquanto suas escolhas são tomadas acompanhamos os devaneios e explicações de Elliot, que te fazem pensar e analisar a sociedade, nos fazendo refletir sobre nosso mundo de mentiras e necessidades, do que passamos por cima para termos nossas posses, nas verdades inconvenientes que tapajós os olhos todos os dias, em todos os ambientes que nos cercam. Como exemplo, em determinada parte do programa Elliot expressa que o mesmo mundo que glorifica a genialidade de Steve Jobs parece não querer ver a mão de obra escrava utilizada na confecção de seus produtos. E em todos os episódios temos essas análises, que independente de concordarmos ou não, podem gerar momentos de discussão muito grande.


Num mundo cada vez mais digital, onde quase todo mundo já teve um cartão clonado ou PC traçado por causa de vírus, Mr. Robot demonstra estar muito à frente dos problemas que enfrentamos. Muito bem-feita e escrita, é direcionada à um público exigente, com episódios que terminam sempre com surpresas, com título parecendo arquivos de mídias, a série te ganha no primeiro capítulo, e desafio alguém a não assistir os últimos três episódios da primeira temporada de uma tacada só. Surpreendente, instigante, diria até que é uma das melhores séries do momento. Fico imaginando como seria na realidade se algo parecido ocorresse, mas creio que seja igual ao que é mostrado em Mr. Robot. O elenco está fantástico, com Christian Slater encabeçando os coadjuvantes, mas é Rami Malek que brilha como o estranho é interessante Elliot. Bom divertimento.