quarta-feira, 29 de novembro de 2017

MINDHUNTER


Mindhunter não é uma série de serial killer habitual, mas podemos considerar uma das melhores séries sobre o gênero. Diferente do convencional, ela foge da necessidade gráfica de mostrar as mortes engendradas pelos assassinos em série e se aprofunda na psique estranha e conturbado dos assassinos, de uma forma tão interessante que nossa imaginação nos faz vislumbrar as coisas terríveis que são narradas, o que é ainda mais perturbador do que se víssemos o que ocorreu. Uma olhadela rápida na internet revela que o criador da série Joe Penhall se baseou no livro escrito por dois agentes do FBI que entrevistaram esses violentos serial killers e são retratados no seriado, por isso Mindhunter é mais assustador do que os filmes do gênero, e o verdadeiro terror está nas entrelinhas.

O caçador de mentes do título é o agente Holden Ford que, em 1977, decide estudar a mente de psicopatas para entender suas maneiras de pensar, mesmo que para isso ele tenha que passar dos limites impostos pelos seus superiores. É colocado como seu parceiro o agente mais experiente Bill Tench, que junto com seu novo parceiro se encaminham para vários distritos policiais e fazem palestras e dão aulas de como agir ou investigar crimes sem explicação.  Em um caso normal de homicídio há uma razão é um suspeito próximo a vítima que ajuda na investigação, mas nos casos de assassinatos em série não há uma explicação comum, apenas um modo de agir em série e a perturbação mental de um indivíduo que não é relacionado diretamente à vítima, o que dificulta a investigação. A dupla de agentes começa a entrevistar os assassinos presos e analisar sua forma de pensar e tentar descobrir como interpretar sinais de psicopatia. Enquanto entrevistam e seguem para as várias cidades, polícia local lhe indicam crimes em curso para serem estudados.


A história é bem contada e bem dirigida por ninguém menos que David Fincher, que junto com nomes como Charlize Theron, também é produtor, e sua direção faz com que trabalhemos nossa mente, omitindo partes importantes da trama que são desenhadas em nossas cabeças. O canal do You TubeEntre Planos” mostra bem no vídeo “O que Mindhunter não mostra” essa forma de contar o que está acontecendo sem mostrar nada. O elenco está muito bom, com a dupla de investigadores fazendo história, em sentido literal, pois são representações dos dois agentes autores do livro em que a série se baseia. Jonathan Groff é Holden, que busca mostrar novas maneiras de encarar os psicopatas para uma maioria antiquada de policiais, e Holt McCallany é Bill, mais respeitado e diplomático. Lembram em muito os personagens principais de Seven, também dirigido por David Fincher, e que possui muitas semelhanças além do enredo, como o jeito de contar a história, te mostrando as consequências e não ações.

A vida de Holden se desenvolve e seu comportamento vai amadurecendo, e podemos perceber que as histórias contadas pelos insanos assassinos vão alterando a forma do protagonista pensar, seja de maneira benéfica ou não. Em muitos momentos da trama somos direcionados à fatos ocorridos na época em que ocorre a história, o que é bem bacana, e o assassino Charles Manson é relegado novamente ao estrelato, citado várias vezes como um exemplo ou simplesmente como válvula de escape para policiais poderem revelar o que fariam com serial killer se o tivessem nas mãos. Mas os criminosos que conhecemos na série podem ser tão ou mais amedrontadores do que Manson. Em especial Edmund Kemper interpretado de forma genial pelo grandalhão Cameron Britton, que primeiro matou e depois estuprou suas vítimas, uma delas sua mãe, e ainda esquarteja e termina seu “ritual” fazendo sexo com as cabeças decepadas. O que mais chama a atenção é não reconhecer num primeiro momento a fera que cometeu esses atos em Kemper, e ainda assim nos sentimos desconfortáveis quando suas algemas são retiradas para dar as famosas entrevistas à dupla do FBI


Já os casos que vão ocorrendo paralelamente às entrevistas e aulas que Holden e Bill vão dando aos policiais em cada distrito que visitam, são aterradores e servem para ilustrar o quão necessitado o FBI estava em achar um modo de identificar esses potenciais assassinos. Um personagem, que não é ligado à trama principal, nos dá a dica de o quão comum pode ser um serial killer, da mesma forma que suas ações podem entregá-lo se for analisado a fundo, mas como fazer isso com bilhões de pessoas sem motivos para matar e milhares de assassinos em potencial. Não é novo termos investigadores utilizando experiências de psicopatas presos para pegarem outros que estão dando trabalho, Silêncio dos Inocentes é um bom exemplo disso, mas as entrevistas, que são reais, tem um objetivo mais abrangente do que prender um assassino. Como já citei, se você curtiu Seven irá adorar Mindhunter.



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