quinta-feira, 2 de novembro de 2017

DEUSES AMERICANOS - LIVRO


Foi a série baseada (quase que fielmente) nesse livro que me impeliu a finalmente lê-lo. Deuses Americanos foi lançado em 2001, depois o autor incluiu partes que foram deixadas de lado e é essa versão que eu li por final. Neil Gaiman dispensa apresentações e muito do que li percebo que foi parte de uma pesquisa que ele havia feito para incrementar as HQs de Sandman, mas sei que vai muito mais além disso. O autor tem predileção pela mitologia nórdica, ele bem diz isso no seu prefácio no livro Mitologia Nórdica (clique aqui e saiba mais sobre esse outro livro), mas em American Gods ele flerta com outros panteões de deuses e divindades trazidas para a América por imigrantes de diferentes raças e por diversos motivos. O diferencial da transposição de um livro para uma série que não ocorre nos filmes é a supressão de algumas partes da obra original. Num filme, que obviamente tem menos duração que uma série, muita coisa do livro de Gaiman seria perdida (muita coisa mesmo), mas na série há a necessidade de se criar coisas novas, o que fica interessante para quem já leu o livro é verá novas criações do autor.


Conta a história dos ex presidiário Shadow Moon que após cinco anos confinado sai da prisão e descobre que a mulher que amava morreu enquanto o traia e de repente é contratado por um estranho para acompanhá-lo numa estranha viagem pelos Estados Unidos. Nessa viagem, o estranho Wednesday tenta convencer algumas pessoas a fazer parte de um exército. São antigos deuses que a muito não são mais glorificados ou cultuados, não recebem orações ou sacrifícios nesses novos tempos, perdendo o espaço para novos deuses atuais, como a internet, a mídia e a tecnologia. Shadow o acompanha incrédulo, conhecendo essas pessoas e interagindo com elas, enquanto eventos estranhos ocorrem à sua volta.

Nesse meio tempo ele é acompanhado por sua mulher morta, em decomposição, em busca de perdão e redenção. Shadow também é seguido pelos novos deuses, na forma avatares que personificam suas entidades, como exemplo a mídia que aparece em televisores como imagens de personagens conhecidos que conversamos diretamente com ele. Wednesday o guia nessa busca por deuses antigos, como Czernobog, Anansi, Anúbis, Tot, Kali, entre outros. Só com muito custo, e paciência do leitor, é que Shadow vai descobrindo sua missão é desvendando um emaranhado de mistérios antigos e surpreendentes.


Em um site eu li que apenas Shadow não desconfiou que Wednesday era Odin, mas convenhamos que andar com um deus nórdico no carro não seja algo que seja um tanto crível. Mas essa é a menor das revelações. Segundo a mitologia nórdica, Odin sacrifica um olho em para poder beber a água do poço da sabedoria e depois sacrifica o próprio corpo em troca de descobrir os segredos das magias e poder, e Wednesday (quarta-feira) enumera os encantos que ele conhece, como poder curar dor e doenças, abrir todas as fechaduras, fazer o vento dormir com seu canto, entre outros (um bem interessante é que ele sabe os nomes de todos os deuses). De longe o personagem mais cativante de Deuses americanos.

Na maioria das crenças e demais deuses o autor dá uma pincelada apenas, afinal ficaria muito extenso e confuso, e além dos deuses há vários personagens normais que possuem certa relevância. Laura é a esposa morta, que busca um sentido para sua morte, e diferente da série, não tem uma ligação com outro personagem, Mad Sweeney – o Leprechaun. Outro personagem importante em determinada parte do livro é o xerife Chad Mulligan, que até se torna amigo de Shadow enquanto ele passa uma temporada na cidadezinha de Lakeside. Outro grande personagem são as estradas e lugares dos Estados Unidos. Muitos desses lugares realmente existem e Gaiman até adverte no início do livro que mesmo os lugares sendo reais, ele tomou algumas liberdades criativas, e quem quiser fazer essa viagem deve tomar cuidado. Algumas passagens podem ser cansativas, mas acredite que há uma razão para tanto. Um livro que merece sua atenção.


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MITOLOGIA NÓRDICA