sexta-feira, 10 de novembro de 2017

3 FILMES COM ENREDO ESTRANHOS E ORIGINAIS


Seguem três filmes com enredo original, ou pela maneira como histórias é contada ou simplesmente por terem elementos narrativos incomuns. Como são filmes diferentes e não direcionados ao grande público que busca apenas passar o tempo, os desenvolvimentos das histórias podem não agradar a todos, mas para quem está disposto a pensar e assistir comuns mente aberta, estão aí três grandes indicações recompensadoras 

Mais estranho que a ficção (Stranger than fiction) - 2006

O título do filme realmente condiz com história, pelo menos na originalidade. Já assisti vários filmes com narrador, sendo feito pelo protagonista, outro personagem ou apenas anônimo sem relação com a história. Mas esse filme é o primeiro que faz do narrador um personagem ativo. Tudo começa com Harold Crick (Will Ferrell), um auditor fiscal da Receita Federal, numa vida comum e normal, que começa a ouvir uma voz narrando seu dia a dia. Como ninguém mais ouve, ele procura ajuda médica, passa por psiquiatras, mas infelizmente a voz feminina que o acompanha não some. As quantidades de vezes que ele mexe com a escova nos dentes até seus sentimentos são narrados com eficiência espantosa, e tudo piora quando essa voz começa a dar opiniões e até a profetizar o futuro. 

Lógico que há uma mensagem por trás dessa história, e Harold passa a se transformar, buscando um sentido para tudo isso. Em seu caminho está a dona de uma padaria, Ana (Maggie Gyllenhaal) por quem se apaixona enquanto faz o seu trabalho de fiscal. De acordo com a narração, ela pode ser o amor de sua vida. Ao elenco se juntam Dustin Hoffman, um professor que tenta ajudar o protagonista em seu problema, e analisar se sua vida é uma comédia ou uma tragédia, Emma Thompson, uma escritora com problemas em terminar um livro e sua assistente, interpretada por Queen Latifah. O drama de Harold realmente começa quando a narradora lhe revela algo. Confesso que não é para todos os públicos. Mas vale dar uma olhada.



O primeiro mentiroso (The Invention of the Lying) - 2009

Imagine um mundo onde a mentira não existisse. Numa análise superficial podemos pensar que seria um mundo maravilhoso, mas após refletir um pouco e assistir a esse filme, notamos a nossa necessidade de não contar a verdade. Em O primeiro mentirosoRick Gervais interpreta Mark Bellison e logo na primeira cena sentimos como a mentira pode ajudar a nos sentirmos melhores. Nesse mundo as pessoas não conseguem mentir e tão pouco entender o conceito de não dizer a verdade. Desta forma a ficção não existe, a sinceridade impera e a realidade tem que ser encarada de imediato e sem rodeios. Logo podemos esperar os momentos mais estranhos e engraçados: uma entrevista de emprego e noção de vida e morte causam tanto risos como tristezas. Mas por nascerem assim, já estão acostumados.

É interessante como o tema da mentira sobressai num mundo que só existe a verdade. Grosserias, frustrações e falta de esperança causam problemas emocionais nessa sociedade, que fazem de Mark um tipo de salvador quando ele descobre como se mente. Ele nota que isso pode ser benéfico para ele, (se numa entrevista de emprego você apenas responder que é o melhor para a vaga, o entrevistador, desconhecendo o conceito da mentira, logo te dará a vaga). Mas ele percebe que enquanto recebe os frutos dessas mentiras, suas escolhas começam a causar problemas, principalmente em sua própria consciência. Antes não haviam escolhas, era verdade ou verdade. E tudo piora quando ele decide ajudar ao próximo. A melhor mensagem do filme é sobre a esperança, que de certa forma está ligada com a mentira mascarada de incerteza num misto de verdadeiro ou falso. Filme para reflexão.


Amnésia (Memento) - 2000


Esse filme contribuiu para o diretor Christopher Nolan ser conhecido. Lançado em 2000,   se tornou um grande sucesso de crítica. Sua estrutura narrativa é muito diferente, pois possuem duas linhas de enredo, sendo a principal delas contada de trás para a frente. Leonard Shelby (Guy Pearce) é um homem que sofre de amnésia anterógrada, que o impede de ter novas memórias (um tanto mais grave que a peixinha Dory de Procurando Nemo). O filme logo começa com Shelby segurando uma foto Polaroid recém tirada de um homem morto à sua frente. A próxima cena mostra o que acabou de acontecer antes, e assim por diante. Não há mistério de quem matou ou quem morreu, mas o expectador se sente tão confuso como o próprio protagonista, que não se lembra de nada do que ocorreu até ali.

Para ajudar, ele tatua várias mensagens ou lembretes no próprio corpo, como frases “não acredite em Teddy” ou uma placa de carro. Ele possui vaga lembrança de como ficou com esse problema neurológico: tempos atrás sua casa foi envadida e sua mulher foi estuprada e morta, sendo que ele conseguiu matar um dos criminosos enquanto o outro foge ao atingir sua cabeça. Lembra-se de um nome, John G, e da placa do carro para poder persegui-lo, mas sua nova condição o atrapalha na empreitada. Durante o filme há cenas em preto e branco com a cronologia correta, onde ele investiga e analisa as tatuagens, e ambas as tramas convergem no final surpreendente (que é o início!). Deu para entender e vale a pena.



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