terça-feira, 10 de outubro de 2017

BIG MOUTH


Estranhamente Big Mouth é um desenho para adultos sobre adolescentes, que os fazem se lembrar de maneira absurda de suas experiências nesse período de descoberta sexual. Mas os adolescentes assistirão e rirão da mesma forma, pois a trama e acontecimentos dessa animação é um espelho exagerado de suas próprias experiências da puberdade. Logicamente os absurdos contidos no programa servem apenas para exaltar esses problemas, mas não duvido que no mundo não tenha ocorrido, em algum momento, boa parte dos momentos hilariantes e até grotescos da vida desses garotos. Podemos lembrar da série de filmes American Pie que tinham ideias parecidas, mas com pessoas mais crescidas e convenhamos que essa animação disponibilizada pelo Netflix é muito mais engraçada. Em Big Mouth a puberdade e os fantasmas que rondam a mente desses pré-adolescentes são o foco.

A animação é divertida, tira sorriso fácil, tem personagens cativantes, possui um estilo interessante e ao final de cada episódio conseguimos relembrar uma lição que tivemos em nossas vidas (alguns episódios são realmente muito memoráveis). Trata-se da história de uma turma de garotos na faixa dos treze anos, que estão descobrindo a própria sexualidade, com todos os misticismos, inseguranças, medos e dúvidas que causam todo um drama e situações engraçadas. Os protagonistas são os dois amigos Nick e Andrew, inseparáveis e acostumados a compartilhar suas descobertas e questões sexuais. Alguns meses mais velho, Andrew já recebe a visita de Maurice, o Monstro Hormonal, nos momentos mais inapropriados de seu dia. Um monstro safado e boca suja, que vive na mente dos garotos despejando vulgaridades e excitação. Assistir a aula sobre o corpo humano demonstrando onde ficam as Trompas de Falópio causam o mesmo resultado de um relógio de parede em forma de gato com rabicho remexendo para lá e para cá. Culpa do monstro, que pode fazer os meninos chegar no clímax pensando até em tomates. E tudo é mostrado pela visão dos jovens que encaram essas mudanças como monstros e fantasmas.


Maurice é o ser que corresponde ao monstro das descobertas sexuais e incita os garotos a todo o momento, e não importa onde, a agirem de maneira impulsiva, aterrorizando o inseguro Andrew pelas futuras consequências de seus atos. Os fantasmas que rondam os jovens são manifestados pelas entidades sobrenaturais, em especial o fantasma do pianista Duke Ellington, uma lenda do Jazz. O músico falecido em 1974, segundo o desenho vivia na casa de Nick, assombrando o sótão até hoje. Mas está longe de ser assustador e serve mais como um conselheiro de Nick e também de Andrew, mesmo sendo conselhos inapropriados. Em momentos musicais ele chega a chamar outros artistas mortos para ajudá-lo nas músicas, como Freddie Mercury.  Além dos dois garotos citados temos Jay que possui um relacionamento amoroso com o travesseiro. Já os adultos possuem suas particularidades, como os pais de Nick com seus conselhos estranhos aparentemente liberais, ou o pai chato de Andrew. Vê-los nos faz entender muito das atitudes dos filhos.


As garotas não estão livres dos problemas da puberdade, pelo contrário, Jessi é a menina do grupo que está tendo sua primeira menstruação e de quebra acaba de conhecer a sua Monstro Hormonal num misto de amor, ódio, raiva, desespero. Se por um lado ela chora e fica deprimida, no outro está furiosa a ponto de esganar os amigos. No fim, todos tem as dificuldades inerentes à essa idade, como amadurecimento é problemas de se encaixar num grupo.  Um último personagem que vale a pena citar é o treinador Steve, com seus conselhos constrangedores dando aos alunos uma visão não muito bonita da idade adulta.

A abertura é muito legal, com uma versão da música Change do Black Sabah, interpretada por Charles Bradley que faleceu a pouco tempo atrás. Na abertura é destacado apenas o refrão, que condiz com a trama. Para quem gosta de American Dad e Family Guy, vai gostar de Big Mouth, pois são os mesmos criadores, mas com palavrões, cenas de nudez e sexo, mas tudo tem seu contesto. Cada episódio trata de um assunto diferente referindo-se à sexualidade e transformações em seus corpos, como masturbação, menstruação, dúvidas quanto ao gênero sexual, etc. Em diversos momentos alguns filmes são citados, como a lendária produção pornográfica do garanhão italiano Sylvester Stallone, tendo até uma participação do garanhão em um episódio. A cena de sexo do filme Clube de Compras Dallas também era lembrada com frequência, da mesma forma que também era lembrado de haver pessoas com HIV durante a mesma cena. Tem momentos que mostram a dificuldade de transição da infância para a adolescência, outras os personagens tentam se reafirmar, mas em cada um dos destinatários episódios dessa primeira temporada pode-se perceber que tudo é bem pensado e bem feito. Vale a pena assistir


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RICK E MORTY



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