segunda-feira, 18 de setembro de 2017

THE TICK - A SÉRIE


O Tick sempre foi um dos meus personagens preferidos, e assisti a todos os episódios do desenho que passava nas manhãs da Globo, que adaptava as HQs e ainda tinha a dublagem do Marcio Seixas. No inicio dos anos 2000 uma série live action foi ao ar e eu achei um tanto fraquinha. Com alegria recebi a noticia de que uma nova série estava sendo gravada e seria disponibilizada pela Amazon. Era torcer para que o tom dessa nova produção fosse acertado. Após assistir aos seis capítulos disponibilizados, (mais capítulos estão a caminho) posso garantir que o tom teve algumas alterações, mas a essência do personagem estava ali, e acredito que vai melhorar ainda mais. Aqui no blog há a postagem do desenho do carrapato azulão (veja aqui) e se possível tente encontrar esses episódios do desenho, pois são muito engraçados.

A Amazon está de olho no público que gosta dos filmes de super-heróis e essa busca explica o tom um tanto mais sério para a série. Não que os absurdos e humor negro que são marcas registradas do personagem não estejam lá, mas para quem assistiu ao desenho e o conhece dos quadrinhos, sabe que a série pisou no freio. Talvez para situar o público e não assustar aos novos telespectadores que procuram uma série de heróis convencional e encontram uma esculhambação total. Mas após estar habituado à trama, o Tick que conhecemos vai surgindo na tela. A série, pelo menos os primeiros capítulos são centradas em Arthur, um homem atormentado e paranoico que teve um trauma de infância, após seu pai morrer bem na sua frente por culpa do famoso vilão Terror, que acabava de derrotar uma equipe de heróis fazendo a nave do grupo cair em cima do seu genitor. O horrendo vilão até senta ao seu lado e chupa seu sorvete. Mesmo com a morte do vilão, anos depois, nas mãos do herói numero um do mundo - o Superian, ele fica obcecado em achar provas de que Terror ainda está vivo. Eis que do nada surge um autointitulado herói grandão, com uniforme totalmente azul, musculoso e com anteninhas, chamado Tick, que começa a acompanha-lo por aonde vai, tentando acender a chama de heroísmo que Arthur tem dentro de seu coração.


Há todo o momento Arthur, que se tornou contador, tenta evitar o grandão, dizendo que tudo é uma loucura, que ele está tomando remédios para sua paranoia diminuir, e já tivera problemas antes em tentar bancar o herói. Sua família o vê com estranheza e sua irmã é a única que fica ao seu lado, tentando fazê-lo ficar na realidade, deixando suas ideias mirabolantes de lado e seguir com tratamento psiquiátrico. Como Arthur sempre tem visões, no começo ele acha que esse herói azul e falastrão não passa de mais uma ideia que fugiu de seu controle emocional, ainda mais quando nem o Tick sabe de onde vem, nem quem ele é o como ele ficou com esses poderes. Mas nós sabemos que as coisas não vão ficar só nisso, não é mesmo? Na verdade as recusas de Arthur chegam a encher o saco, mas a série tem tempo em mostrar os detalhes dessa relação.

Griffin Newman consegue entregar um Arthur bem chato e indeciso, e o ver tendo problemas em utilizar o uniforme de seu personagem é uma das partes engraçadas do programa. O elenco conta com diversos outros personagens criados para a série, e dá para sentir falta de alguns que não apareceram até agora, como a American Maid. No time dos vilões temos o Terror, interpretado por Jackie Earle Haley, o Rorschach do filme Watchman, aqui irreconhecível com quilos de maquiagem para fazer o vilão. Do lado do bem temos Overkill, um tipo de Justiceiro desse universo, que entrega cenas bem sangrentas que distanciam esse programa do público infantil. Mas é Tick que rouba as cenas, e ele está bem parecido com o personagem que conhecemos. O ator Peter Serafinowicz é carismático e ouvir seus monólogos de conduta nos remete instantaneamente ao desenho da década de 90. Com superforça e bobalhão, seu principal objetivo e fazer Arthur assumir seu lado heroico como seu parceiro contra o crime.


Os efeitos especiais são bem convincentes, a história é do próprio criador do personagem, Ben Edlund, e o enredo foca bem na loucura de tentar ser um super-herói. Tem até uma lei que protege a identidade dos mascarados devido à morte de alguns no passado que tiveram a identidade revelada. Em alguns momentos percebemos que há uma tentativa de se levar a história a sério, o que parece um tanto estranho, mas depois vemos um gordão gigante pelado andando pela cidade e fica tudo bem. Cada episódio conta com pouco mais de vinte minutos e foge da cansativa trama de um vilão da semana. Vale a pena.



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