segunda-feira, 11 de setembro de 2017

BATMAN: ANO UM


Em 1985 a editora DC Comics decidiu zerar sua cronologia para recontar a origem de seus heróis e seu universo, para tanto lançou a série Crise nas Infinitas Terras, que deu um fim nesse antigo universo e abriu caminho para novas histórias ou um reboot das antigas. Esse procedimento de vez em quando é adotado, como forma de releitura ou reformulação, ocorrendo até nos cinemas, às vezes ocorrendo após décadas como Superman e Batman, outras vezes em pouco tempo, como o Homem Aranha que já tiveram três versões em 15 anos. Nos quadrinhos essas crises já são recorrentes, e as várias reinvenções dos personagens já não causam mais impacto. Mas nenhuma dessas novas versões foi melhor que a do Batman. Após Crises nas Infinitas Terras, em 1988, Frank Miller foi convidado para recontar a origem do herói. Dois anos antes ele tinha escrito e desenhado o grande clássico Batman: O cavaleiro das trevas, e nada mais lógico ele ter sido escolhido para esse trabalho, e até hoje percebemos o eco dessa HQ.

O Batman que conhecemos hoje é fruto de Ano Um, desde o filme de Tim Burton de 1989, os saudosos desenhos de Batman de Bruce Timm, a trilogia de Nolan, onde Batman Begins tem a melhor parte de seu enredo retirada dessa obra de Miller, e com certeza teremos ligações nos futuros filmes do morcegão. Dessa vez Frank Miller assina apenas o roteiro, tendo David Mazzucchelli como desenhista, repetindo a parceria de 1986 com o arco de histórias do Demolidor A queda de Murdock. A arte nos dá aquele teor de algo antigo, envolto em mistério, sujo, uma marca do artista que casa muito bem com a história, tão bem retratada na animação de 2011, muito boa por sinal e que tem até BryanCranston como dublador. De longe um dos melhores quadrinhos de porta de entrada para as histórias do personagem, pois te ambienta sem necessidade de conhecer o que foi escrito antes ou depois.


Como o próprio título informa, trata-se dos relatos do primeiro ano de Bruce Wayne como Batman, onde os fatos são narrados de acordo com as datas e você percebe o andamento da trama devido à evolução dos personagens e também do clima das estações. O mais interessante é que ao terminar de ler você percebe que o protagonista não é o Batman, mas sim o Comissário Gordon, que na época era tenente. Ambos chegam à cidade de  na mesma época, o policial vindo de Chicago e chegando de trem, percebendo que o lugar é completamente diferente do que ele estava habituado. Já Bruce Wayne gera uma comoção na mídia ao retornar para a cidade durantes anos fora. Ambos têm planos bem diferentes para atuar na cidade , e esses planos irão se fundir, gerando uma das parcerias mais memoráveis dos quadrinhos.


Miller nos conta como Bruce Wayne começou sua carreira contra o crime, suas motivações, seus erros e o porquê da escolha do morcego, na icônica cena da janela estilhaçada. Batman deixa de ser aquela entidade infalível e se torna um humano falho, mas determinado. Seus acertos são decorrentes de várias tentativas que deram erradas, e sua percepção de que era necessário gerar medo nos criminosos, fato que só ocorre quando quase morre facilmente na mão de meliantes. Estava nascendo uma lenda, onde sua imagem e medo lhe precederiam nos combates. Gotham necessitava de Batman, mas era carente ainda mais de Gordon. A cidade estava corroída pela corrupção e o tenente sente na pele o que pior a policia tinha a oferecer. Flass, seu parceiro, era o exemplo de profissional corrupto, e tinha o aval do Comissário Loeb. Juntos trabalhavam com a máfia, comandada por Falcone, e não seria uma tarefa fácil para o policial agir no local da maneira como estava acostumado: honestamente. Ainda mais quando seu filho acabara nascer.

Sentimos o heroísmo dos dois personagens de maneiras bem distintas. De um lado um herói mascarado que pretende dar medo nos criminosos de derrotar a máfia na cidade. De outro um policial de cara limpa, se colocando à frente do perigo, sofrendo abusos, espancamentos, perseguições, chantagens, pressões no convívio familiar, profissional e também de Falcone. É muito mais difícil para Gordon ser um herói do que Bruce Wayne, e tudo se complica quando ele se torna famoso por sua conduta e o faz ser escalado para perseguir e prender o vigilante mascarado que está sendo chamado de Homem Morcego pelos jornais. Como ambos conseguem se unir é que trata essa história, que também nos apresenta Celina Kyle, a garota de programa que se tornaria a Mulher Gato. Outras cenas icônicas, como a revoada de morcegos sobre a cidade ajudando Batman a fugir da polícia, o homem morcego invadindo uma reunião de mafiosos e apagando uma vela representando suas ações na cidade, a Mulher Gato causando a famosa cicatriz no chefão do crime. Anos depois foi lançada uma continuação direta, Ano dois e o Longo dia das bruxas. Ano um - uma HQ que deve ser lida, e rápido.


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