quarta-feira, 23 de agosto de 2017

OS DEFENSORES


Finalmente estreou uma promessa antiga da parceria Marvel / Disney / Netflix. A série Os Defensores reúne os quatro heróis, ou anti-heróis, que vinham sendo trabalhados no projeto iniciado com o enorme sucesso pelo Demolidor. O Demônio da Cozinha do Inferno teve sua terceira chance em live-action e se consagrou, e de quebra nos apresentou a melhor caracterização do Rei do Crime: Wilson Fisk. Jessica Jones veio logo depois, e o vilão Kilgrave fez o inferno com a garota, enquanto conhecemos Luke Cage, que protagonizou sua série solo no ano posterior. Na segunda temporada do Demolidor se inicia a trama que rendeu história para as demais séries que viriam, com a organização milenar Tentáculo e Elektra, além de abrir caminho para a série própria do Justiceiro. E fechando esse projeto, após Luke Cage e Punho de Ferro receberem algumas críticas negativas de suas séries, Os Defensores terminam com a saga da Tentáculo.

Que a primeira temporada do Demolidor e Jessica Jones foram o que melhor assistimos desse universo é fato. A série do Luke Cage perde pela quantidade de episódios, e Punho de Ferro é uma coleção de escolhas ruins. Os Defensores está longe de ser a melhor série do ano, mas confesso que essa união de heróis me fez assistir um episódio atrás do outro, e faz tempo que isso não ocorre. Acredito que o grande problema dessa reunião seja a necessidade de vários clichês, como um herói não querer participar da equipe, outro querendo sair, os integrantes lutarem entre si em vários momentos. Mas convenhamos que agradar ao público de quadrinhos não é tarefa fácil, ainda mais com personagens tão queridos.


Logo no primeiro episódio vemos o desdobramento na vida dos personagens, após os fatos ocorridos em suas respectivas séries. Matt Murdock desistiu de sua carreira de vigilante após a morte de sua amada e tenta ajudar os que precisam com seus serviços de advogado. Jessica não mudou nada, e ainda percorre seu caminho autodestrutivo. Cage está saindo de prisão e Danny Rand, o Punho de Ferro, está caçando pistas da Tentáculo. Os três primeiros são levados a se unir à Rand para impedir essa Ordem por motivos diferente, seja para investigar a morte de um engenheiro e pai de família ou derrotar um novo aliciador de menores no Harlem que trabalha para a organização de ninjas, ou apenas para fazer o bem. As coisas se complicam quando duas pessoas do passado de Murdock reaparecem, em lados opostos, ampliando os riscos dessa guerra que já vem sendo travada a séculos. Elektra é ressuscitada como o Céu Negro, e Stick tenta ajudar o quarteto a encontrar um caminho e frustrar os planos da Tentáculo de raptar o Punho de Ferro que tem o poder de abrir uma porta selada para K’um Lun.


A história é essa, tem muitas lutas, ninjas, os quatro universos são bem definidos, cada coadjuvante interage, alguns tem uma participação bem relevante, outros não fariam falta, e dá para sentir a carencia de um vilão realmente cativante. Os milenares e perigosos ninjas da Tentáculo têm sua verdadeira face desvendada, onde os cinco principais são liderados por Alexandra (Sigourney Weaver), que tem a entidade Céu Negro como arma. Aquele ar sobrenatural dos ninjas, que nos quadrinhos se desfazem após a morte, acabam não gerando tanto impacto, e tudo começa melhor do que termina. Mas deu para ter boas sensações, como a união da dupla que poderá formar Os Heróis de Aluguel, mesmo que de maneira mais branda. Luke Cage e Punho de Ferro uniam na década de 70, dois estilos que faziam sucesso na época: filmes blaxploitation e artes marciais. Muito legal também ver Misty caminhando para sua transformação em heroína. Gostei também das cenas de ação e da participação da Madame Gao.

Acredito que a Marvel tenha fechado um ciclo, num ponto onde podem rever o que erraram para poder continuar. Que tenhamos uma terceira temporada do Demolidor, com um vilão que seja tão bem representado quanto Wilson Fisk. Alexsandra nessa fase pode ser encarada mais como uma empresária milenar do que uma líder de exércitos de guerreiros. Torço para que o inimigo do Demolidor seja finalmente o Mercenário, que a série do Justiceiro faça jus ao seu status nos quadrinhos e que esse universo seja bem pensado e escrito, com calma, sem necessidade de enrolar o público para gerar certo número de episódios. Os leitores de HQs irão assistir. Agora, se irão gostar vai depender do quanto irão ser respeitados.

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