quarta-feira, 2 de agosto de 2017

ONE PUNCH MAN


One-Punch Man é um absurdo. E muito engraçado por conta disso. E mesmo sendo tão estranho, com personagens descabidos, ele tem um tratamento tão certeiro em seu enredo que o diferencia de outros desenhos com temática parecida. Você pode encontrar em seu conteúdo uma alegoria aos super-heróis ocidentais, com seus uniformes e origens singulares, até aos próprios animes, cheios de seres hiperpoderosos capazes de destruir mundos com um único golpe. Na verdade One-Punch Man é exatamente isso, com o diferencial de não se levar a sério e parodiar sua própria história, que segue o mangá disponibilizado na internet desde 2009 no Japão e fez um enorme sucesso. O anime entrou no catálogo do Netflix esse ano (2017), mas foi produzido em 2012, e já tem continuação em andamento.

Para quem não conhecia o mangá e nem o anime antes de passar no Netflix, como eu, pode ter achado estranho tanto a história quanto a animação, mas após terminar o primeiro episódio você já se sente dentro desse mundo, onde seres monstruosos surgem todo momento e destroem tudo a sua volta. Uma brincadeira do autor, Yusuke Murata, é colocar na história várias peculiaridades de outros mangás e animes conhecidos, como Dragon Ball, mas desvirtua essa história de maneira cômica e oposta ao mostrado no original. Batalhas épicas e lutas aparentemente demoradas, são terminadas com apenas um soco. No anime de Goku, a preparação para uma luta já dura um episódio inteiro (as vezes mais) mas em One-Punch ele derrota três vilões logo no primeiro episódio, sendo que um deles é um gigante que deixa quarteirões da cidade em crateras com suas pegadas, e ainda derrota monstros subterrâneos, tudo de forma rápida e engraçada.


Nosso herói é Saitama, que decidiu treinar bastante para se tornar o maior herói da Terra, e consegue. Após um treino regrado durante três anos, que envolvia abdominais, agachamentos, séries de flexões, 10km de corrida diária, ele se torna superpoderoso conseguindo derrotar oponentes de poder extremo, com apenas um soco, daí o nome. Mas como efeito colateral de tanto treinar, seu cabelo caiu e se tornou cada vez mais entediado, chegando a depressão, por não existir inimigo à altura de seu poderio e perícia. Uma origem totalmente sem nexo, mas se for parar para pensar, aranhas radioativas e alienígena que não é reconhecido quando retira os óculos também não é lá muito diferente. As origens dos vilões são as mais toscas possíveis, como a do Homem Lagosta que comeu lagosta demais, ou do já citado gigante, irmão de um cientista louco que lhe deu um super soro. O ciclo de vida desses personagens é rápido, começam e terminam em questão de duas ou três cenas.

Mas é Saitama que domina a trama, sua personalidade descontente, sem vontade, esperançoso de que alguma luta valerá a pena. Sua fisionomia simples e uniforme ridículo são duas das razões por ele não ser levado à sério, nem quando salva as cidades japonesas da catástrofe total. Outro tema que o autor utiliza muito é a escolha recorrente dos japoneses criar monstros gigantes que destroem cidades. O Japão é um país que sofre com diversos terremotos e vulcões, é lotado de usinas nucleares, e mesmo assim ainda sobra espaço para monstros destruírem seus prédios e centros urbanos, como Godzilla ou os inimigos dos Changeman, mas como vimos no último tsunami ocorrido no país, se existe uma nação que pode sobreviver a esses monstros, são os japoneses. E as paródias não soam desrespeitosas, pelo contrário, nem são levadas à sério.


Coisas simples, como moscas e olhares, geram momentos engraçados da mesma medida que batalhas enormes e monstros burros e megalomaníacos. O dia comum de assistir TV e fazer compras está lado a lado com eventos cósmicos e seres dimensionais, e a importância que o protagonista dá para os dois tipos de eventos é a mesma. O tédio está sempre estampado em seu rosto. Os personagens secundários ajudam a história, mas você percebe que são uma escada para o careca. Em muitos momentos a animação aparenta estar saindo das páginas do mangá.

Uma boa escolha para quem quer rir, de maneira descompromissada, onde você não precisa se ater aos fatos do que está assistindo. Como uma sitcom, um bom anime para o fim de noite. Não maratone, aproveite o momento.



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