quarta-feira, 9 de agosto de 2017

HUCK


O nome do escritor de quadrinhos Mark Millar está bem falado ultimamente. Com mais um filme baseado em sua obra estreando nos cinemas, a continuação de Kingsman, o autor já se tornou reconhecido no meio cinematográfico com dois filmes de Kick-ass e RED, também suas criações. Suas histórias são de gosto fácil e ele sabe como prender o público e gerar uma trama criativa, que podem render ramificações e serem melhor trabalhadas quando se tem mais tempo e espaço para os mesmos. Millarworld é um selo criado por ele para separar suas criações, feitas em conjunto com vários desenhistas, dos seus trabalhos em editoras com Marvel e DC. De olho nessa criatividade a Netflix comprou a Millarworld, igual a Disney fez com a Marvel e a Warner fez muito antes com a DC. Entre os trabalhos desse selo está Huck, que tem grande potencial e capacidade de gerar continuações.

Millar é um grande fã de Superman, e por falta de oportunidade aproveitou uma ideia que iria utilizar para o Clark Kent em Smallville e criou esse personagem cativante. Sem as amarras da origem do herói kriptoniano e suas particularidades, o autor pôde dar asas a sua imaginação. Para ajudá-lo nessa empreitada chamou o brasileiro Rafael Albuquerque, dono de um traço que casa bem com a história e com certeza conseguiu transmitir para o papel todas as ideias do autor. As cores, luz e sombra nos dão as sensações necessárias para cada parte do enredo, ambientado numa pequena cidade do interior, onde um segredo é guardado pelos habitantes dessa cidadezinha.


Quando vemos o frentista Huck se locomovendo pelas estradas pulando nos carros em movimento, dando saltos gigantescos, levantando pedras imensas, percebemos que ele não é um homem comum, e todos na cidade sabem disso. Ele tem sentimentos altruístas ao extremo, com temperamento calmo e inocente, por muitas vezes infantil, ajuda à cada morador da cidade. Você nota que ajudar ao próximo é o único objetivo de sua vida, desde aparar a grama de todos os idosos, pegar o lixo de todos os moradores, pagar o almoço das pessoas que estão na fila atrás dele, sempre atender a um chamado, utilizar todo o dinheiro que tem com as outras pessoas, ajudar incansavelmente a quem quer que seja. Além das habilidades citadas, ele também tem um poder inato de encontrar ou rastrear qualquer coisa. E a fonte desses poderes ele não tem a mínima noção de como conseguiu, apenas se preocupa em colocar esses dons a serviço de quem estiver precisando, o tempo todo e de maneira obstinada. Mas seu poder pode ser utilizado em outros lugares...


Com medo do mundo de fora utilizá-lo de maneira errada, a população decidiu mantê-lo em segredo. Não podem ser considerados egoístas, mas a índole e a impossibilidade de Huck falar um não e ser tapeado seriam um prato cheio para oportunistas. Mas é lógico que o segredo não dura, você sabe disso desde o começo, algo um tanto óbvio para a história avançar, mas a maneira como ocorre e os acontecimentos que sucedem a essa descoberta, remetem à maior aventura na vida desse grandalhão. Com ação e alguns clichês inevitáveis, a obra é um convite ao público novo para conhecer um personagem típico dos quadrinhos da era de ouro, como o próprio Superman daquela época, mas com os pés fincados em nossa realidade, pois quando os dois mundos convergem há um choque muito grande. E todas as nossas dúvidas são tiradas em seis edições. Esse é um ponto negativo para Huck, pois em alguns momentos sentimos a falta de tempo em trabalhar melhor o enredo, algumas coisas ocorrem rápido demais, onde Millar merecia mais edições para contar sua história. Mas quem sabe uma série ou filme esteja à caminho para tapar esse buraco. Ao ler, eu lembrei muito da ótima animação O gigante de Ferro. As capas paralelas baseadas em pôsteres de filmes das décadas passadas ficaram muito legais. Vale à pena.



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