segunda-feira, 7 de agosto de 2017

DE VOLTA PARA O FUTURO: O SEGREDO DO SUCESSO


De volta para o futuro é um dos filmes que já está inserido no imaginário popular e possui tantas referências de identificação automática que se tornou um caso à parte. Apenas franquias cinematográficas e algumas exceções conseguem ter peculiaridades de seu universo lembradas tantas vezes quanto a história de Doc Brown e McFly. Mas diferente dessas franquias, que refrescam nossas memórias com novos filmes todos os anos, a história desses dois viajantes do tempo está no patamar de filmes como O poderoso chefãoIndiana Jones e até ET, onde qualquer objeto, cena, diálogo, enredo ou música relacionados a eles são reconhecidas e utilizadas em outros filmes, desenhos animados, pôsteres, programas de TV, propagandas, seja em forma de homenagem, paródia e até em conversas de bar e piadas. O mais interessante é ver determinado objeto ou cena que remete ao filme e gera uma sensação de nostalgia, te fazendo lembrar de bons momentos assistindo ao filme, certamente várias vezes repetido, e em todas elas a admiração é a mesma.

Perceba que o filme tinha muitas razões para dar errado. Tem um enredo complicado, onde paradoxos temporais e linhas do tempo paralelas são apresentadas ao público juntamente com versões diferentes de personagens e vários detalhes importantes à trama. Parece uma bagunça, mas tudo é colocado de uma maneira simples e divertida, e o que era complicado passa a ser apenas um pano de fundo para a história principal que envolve um estranho triângulo amoroso (que foi a razão da Disney não aceitar fazer o filme na época, afinal de contas, dentro desse triângulo havia um tipo de incesto, que ia contra ao modelo familiar da empresa) e o pergolado do protagonista desaparecer. A produção ficou a cargo da Universal Pictures e Steven Spielberg e o diretor Robert Zemeckis conquistou seu maior êxito. O filme teve vários problemas dos bastidores, o ator principal teve que ser trocado e várias cenas precisaram ser refeitas. Mas há males que vêm para bem, pois não dá para imaginar De volta para o futuro sem Michael J. Fox.


A trama é maravilhosa, não tem um nerd que não sorri ao lembrar do enredo desse filme. É 1985, o jovem esquentado Marty McFly faz parte de uma banda em sua escola, tem uma namorada, vive uma vida simples, com pai covarde sendo explorado pelo valentão Biff Tannen no trabalho, e que de quebra também dá em cima de sua esposa. Sua rotina só é quebrada quando faz uns bicos de faz tudo para cientista Dr. Emmett Brown, que acaba de construir um invento revolucionário: uma máquina do tempo. Acoplada a um DeLorean (automóvel que é o sonho de 10 entre 10 nerds, mas só se tiver uma máquina do tempo embutida), o doutor decide refazer o primeiro teste com apenas Marty como testemunha, mas a dupla é interrompida por uma gangue que foi enganada pelo doutor no roubo do plutônio utilizado para fazer a máquina funcionar. Após fuzilarem o cientista, os criminosos vão atrás de Marty, que entra no DeLorean e consegue escapar, mas vai parar em 1955. Lá conhece sua mãe, que se apaixona por ele. Sua única chance de voltar ao futuro, sem plutônio, é recorrer à ajuda do Dr. Brown trinta anos mais jovem, e conseguir fazer de alguma forma seu pai, tímido e impopular, conquistar a sua mãe para que ele possa nascer, mas ele só tem olhos para o próprio filho.

Muitas coisas acontecem e você torce para McFly chegar em seus objetivos. O paradoxo temporal que eles tentam evitar é: se Marty voltou no tempo e por acidente impediu seus pais de se conhecerem, ele não irá nascer. Mas se ele não nascer, não haverá volta no tempo e não impediria o pais de se apaixonarem, mas aí ele nasceria e voltaria no tempo, ininterruptamente. Mas o que eu acho mais legal na trilogia que engloba essa aventura são os ecos temporais. São cenas parecidas que nos causa familiaridade, como por exemplo o vilão Biff bater seu carro num caminhão de esterco, Marty acordar num local escuro e estranho quando chega numa época diferente, ser chamado de franguinho, o Dr. Brown morrer, etc.


Das peculiaridades do filme temos a torre do relógio, que tem os ponteiros parados desde o dia em que um raio o atingiu (em 1955) e é muito importante para o primeiro filme, mas ele sempre aparece nas continuações. Nos três filmes há cenas com skates, mas só no segundo conhecemos o famoso skate voador. A teoria da relatividade é dissecada na história, e Einstein é um dos grandes ídolos do Dr. Brown, tanto que deu o nome do físico alemão ao seu cachorro. E por aí vai. O primeiro filme é com certeza o melhor, os demais são consequências do seu sucesso. No filme de número dois há uma verdadeira bagunça temporal, que complica ainda mais a trama, e ao mesmo tempo é fascinante. E no terceiro temos a conclusão no velho oeste. Na enternece há vários gráficos e fluxogramas que explicam como ficou a linha do tempo, mas para não alongar a postagem, vamos deixar para outra oportunidade.


Michael J. Fox sempre será conhecido como Marty McFly. Ele vem lutando contra o Mal de Parkinson e atuando em algumas séries de TV. Christopher Lloyd também terão doutor descabelado como o maior personagem de sua carreira, e olha que o Fester de Família Addams e o vilão Juiz Doom, que perseguia os desenhos animados em Uma cilada para Roger Rabbit, são dois grandes personagens de seu currículo. Thomas F. Wilson deu a Biff Tannen o status de um dos maiores vilões do cinema. Lea Thompson e Crispin Glover, os pais de McFly serão liberados por seus papéis no filme. Glover até gerou problemas com a produtora, quando não aceitou fazer as continuações e a processou por ver sua imagem sendo utilizadas no filme dois. E o personagem que se tornou símbolo dessa trilogia, o DeLorean modelo DMC-12 (único modelo fabricado por essa montadora, que foi inaugurada em 1975 e foi à falência em 1982), reconhecido apenas por causa do filme, e já é um item de coleção valiosíssimo.

O sucesso desse filme está na maneira como o roteiro foi feito, na música espetacular, na esperança de poder voltar no tempo para corrigir falhas do passado e perceber que tudo tem que seguir seu curso natural. O futuro mostrado no segundo filme, que já é nosso passado em 2015, pode parecer super tecnológico, mas como nerd defendo o filme: a viagem no tempo pode ter afetado os acontecimentos que seguiram o fluxo que conhecemos. Marty é um jovem comum, auto identificado pelo público, que mesmo não entendendo patavinas de Relatividade, assiste ao filme e se sente expert no assunto. Há romantismo para mulheres, lutas para os homens e aventura para ambos. Um filme que influenciou minha geração. Me lembro de quando assistia quando era mais jovem, e quando lembro não dá vontade de estar de volta para o futuro.



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...