sexta-feira, 25 de agosto de 2017

COLOSSAL


Colossal é no mínimo interessante. Estrelado por Anna Hathaway, que também fez parte da produção, foi lançado em 2016 e passou despercebido por muita gente. Talvez por ter uma sinopse estranha, eu mesmo só decidi assistir após ver o trailer. O filme caminha entre comédia, drama, ação, fantasia e ao final nos gera um pequeno momento de reflexão. É mais um exemplo de filme bom com sul coreanos na produção e parte da história acontecendo em Seul. Foi dirigido pelo mexicano Nacho Vigalondo (uma produção bem global), e conta com Jason Sudeikis e Tim Blake Nelson no elenco. O filme ganha pontos por não ser pretensioso e a história, por mais estranha que pareça, vai te conquistando. Se no primeiro momento você é surpreendido ao perceber uma certa relação entre dois acontecimentos, na metade do filme temos outra e o final não fica atrás.

Depois do namorado terminar o relacionamento após mais uma noite de bebedeira, Glória (Hathaway) tem que deixar o apartamento em Nova York, que ele bancava por ela estar há um ano sem trabalho, e voltar para sua cidade natal, onde poderia ficar na antiga casa dos pais. Sozinha, sem dinheiro, com problemas de alcoolismo, apaixonada pelo ex, ela reencontra um antigo colega, Oscar, que a ajuda a se re-estabelecer. Eis que os noticiários são inundados com notícias de uma criatura gigante destruindo Seul, na Coréia do Sul. Trabalhando no bar do amigo, conhecendo novas pessoas e conversando sobre o caos gerado na cidade sul coreana, sua forma de pensar está fadada à mudança quando ela descobre algo fantástico em sua vida.


As partes engraçadas do filme ficam por conta da reação do grupo de amigos em face a algo extraordinário. Logicamente a situação no início tida como algo extremamente estranho, fica séria até sair do controle, e o filme nos remete à pensarmos sobre a responsabilidade de nossas ações. Não apenas em relação a sua descoberta, que implica responsabilidade em caráter mundial, mas também em relação aos sentimentos de quem está próximo à nós e também em relação ao nosso próprio futuro. A dificuldade de Glória em seguir com sua vida sem necessidade de se apoiar em alguém, seu controle de sobriedade, seu futuro profissional nunca levado à sério, tudo é levado em consideração em face de sua nova descoberta, e sua índole será seu guia.

A preocupação com seres humanos que não conhecemos e que estão distantes podem muito bem ser reconhecidos em nossas ações cotidianas. Muitas vezes nós não sabemos que resultados nossas ações geraram, outras vezes notamos que alguns dos nossos atos são errados e o fazemos assim mesmo, por não visualizarmos a reação. Mesmo que isso não tenha importância para saber o que é certo ou errado, e fazer o bem independer de vislumbramos o desfecho futuro, o filme mostra que ao sabermos o que é causado à terceiros após uma ação impensada, nos faz refletir. Nossa índole e as experiências que tivemos em nossas vidas é que nos fará repetir a ação ou não. A história mostra bem isso nas escolhas dos personagens. O mais interessante é perceber o que estamos dispostos a perder para fazer o que é certa, e mais surpreendente do que a Glória faz no final, foi notarmos que ela tomou uma decisão difícil, mas crucial para sua mudança. Bom filme.