terça-feira, 25 de julho de 2017

OKJA


O Netflix já é uma febre e o cinema sul coreano está conquistando milhares de adeptos. O diretor Joon-Ho Bong já tem vários filmes bons no currículo (que nerds adoram) e Okja é mais um deles.  Algumas produções do Netflix podem ser consideradas filmes para a TV, mas isso está mudando, e desde filmes memoráveis como o excelente Beast of no Nation, o serviço vem crescendo de qualidade, com altos investimentos e estrelas de Hollywood de peso. Brad Pitt, Will Smith, Adam Sandler (mesmo não sendo sua melhor época), são algumas estrelas que protagonizam filmes em 2017 nesse serviço de streaming. Mesmo recebendo críticas, como a do diretor Christopher Nolan da trilogia Batman, o Netflix está investindo em produções que poderiam muito bem passar no cinema.

Em Okja a nova esperança da indústria alimentícia Mirando são seus porcos gigantes, uma espécie encontrada no Chile, que mais parecem hipopótamos e são suculentos. Parte do plano da Mirando é tirar a imagem desses porcos serem comida de laboratório, onde foram reproduzidos em larga escala, desta forma promove um concurso, onde envia um espécime bebê para vinte e seis fazendeiros espalhados pelo mundo, para criarem e cuidarem do super porco por dez anos, acostumando várias regiões do planeta com essa nova espécie, e no fim o melhor porco seria escolhido. Nas montanhas da Coréia do Sul a jovem Mija cresce combo enorme Okja, numa relação de amizade muito forte. Quando os dez anos do programa se passam e Okja tem que ir embora, a garota fará de tudo para impedir sua separação.


A abordagem principal do filme é abrir os olhos do público para os abusos das indústrias alimentícias, que fazem de tudo para aumentar lucros, não se preocupando se há crueldade com animais em seus pátios. Após o problema que tivemos, e talvez ainda tenhamos, com carnes de péssima qualidade sendo distribuídas aos brasileiros, fica fácil de ligar a fictícia indústria Mirando com a Sadia ou Friboi. Mas o filme aborda mais a crueldade com os animais, e ver o dócil Okja, que nos faz lembrar o elefante Dumbo tão querido em nossa infância, em apuros, nos dando ainda mais raiva de sua situação. Não é um filme para crianças.

Ele acerta em cheio em quem tem um animal em casa. Aquele olhar do super porco pode ser facilmente percebido no seu cachorro de estimação. Se alguém quiser tirá-lo de você para abatimento, talvez você faça mesmo que Mija, Pois para a maioria ele é um ente da família e quanto mais novo você é, mais ligado você fica. Achei interessante a maneira como as pessoas que são contra o consumo de carne foram representadas, mostrando desde os mais extremistas, que chegam a ter problemas de saúde devido à má alimentação até mesmo Mija, que naturalmente se alimenta com coisas simples devido ao lugar em que vive com o pai, por vezes passando por necessidades, mas nunca imaginando a possibilidade de se consumir seu bichinho. Em certo momento a vemos ir em direção contrária à grande população, demonstrando o quão solitário pode ser a vida de quem pensa diferente da grande maioria, que até pode concordar com o filme, mas está longe de deixar de comer carne. Mija tem a ajuda da Frente da Libertação Animal, e a trama tenta separá-los de terroristas e apresentar sua história para quem não conhece. São dois mundos, e a garota irá enfrentar o pior deles por amor.


O filme é cheio de grandes estrelas, todas elas caricatas, sendo que apenas Mija e Okja são os personagens menos estúpidos (palavras do próprio diretor). Esses personagens nos lembram animes, que agem de maneira afetada, como doutor dos animais Johnny Wilcox interpretado por Jake Gyllenhaal, Tilda Swinton é emocionalmente frágil Nancy, CEO da Mirando, que tenta provar seu potencial levando a empresa para um novo patamar, mudando a imagem da corporação (apenas a imagem). Paul Dano, Steven Yeun e Lily Collins fazem parte da ALF, e até torcemos para eles. Tem até a participação de Giancarlo Espósito, figura fácil de achar no Netflix. Mas todos são ofuscados pela dupla de protagonistas, e Ahn Seo-hyun (Mija) faz um belo par com o Okja, feito por intermédio de computação gráfica muito competente. Um ótimo filme para assistir, mesmo sabendo que pouca coisa vai mudar. Uma pena.