segunda-feira, 19 de junho de 2017

DEUSES AMERICANOS


O livro Deuses Americanos é a prova de que Neil Gaiman não teve um surto de criatividade apenas em Sandman, trabalho pelo qual ele invariavelmente é lembrado. As histórias de Lorde Morpheus (leia aqui) é sem dúvida um dos melhores Comic Books que já existiu, no entanto, a nova série da Amazon veio nos mostrar mais da criatividade do autor. É uma ideia interessante mostrar os antigos deuses tentando de alguma forma sobreviver numa humanidade que não os idolatra mais. Para quem gosta de Netflix está aí mais um serviço que vale a pena assinar. Acredito que daqui para frente a Amazon irá intensificar seu marketing no Brasil, e Deuses Americanos está sendo o carro chefe.


Shadow Moon (Gillian Anderson) teve sua saída da prisão adiantada em cinco dias devido à morte de sua mulher. No caminho até o velório ele conhece o Sr. Wednesday (Ian McShane) que lhe oferece um emprego de guarda costas, que ele não aceita, pois iria trabalhar com seu antigo amigo. Mas depois de descobrir que sua mulher morreu num acidente de carro junto com o amigo durante um dos muitos encontros extraconjugais, não lhe resta escolha a não ser aceitar o trabalho do Sr. Wednesday. No começo ele acha que seu novo empregador é biruta, mas com o tempo ele percebe que seu chefe é muito mais do que aparenta. Trabalhando como chofer, os dois atravessam várias estradas americanas nas diversas buscas e destinos tão importantes para amalucado Wednesday e tão absurda para o descrente Shadow Moon, que aos poucos vamos entendendo que há uma batalha num mundo que o protagonista não conhecia e que caiu de cabeça.

A América recebeu pessoas do mundo inteiro e com elas vieram suas culturas e religiões, com seus deuses e entidades. Com o tempo essas crenças foram perdendo adeptos, relegando essas entidades ao esquecimento e as transformando em mitos do passado, sem pessoas para idolatrar ou acreditar. Na contramão o ser humano encontrou outros deuses para adorar, de uma maneira diferente, mas ainda assim muito referenciada, como a mídia, a internet, o dinheiro, entre outros, que possuem avatares nesse mundo que Shadow está descobrindo e notando que tantos os deuses antigos e novos estão numa guerra que ele tem extrema importância.


É legal ver como os vários deuses antigos são nos apresentados e como eles agem e sobrevivem nos dias atuais, e ainda mais interessante é assistir as introduções de alguns episódios mostrando como muitos desses deuses vieram parar nos EUA, seja num navio negreiro ou numa necessidade Vicking de sair dessa terra, ou seja, por intermédio de ídolos encontrados e levados para museus. Já os novos deuses aparecem de diversas formas para Shadow Moon, sempre de acordo com a idolatria que representam.

Parece estranho logo um serviço de streaming apostar numa ideia dessas, mas American Gods vale a pena. Uma produção cara que vai fazer muita gente trocar o Netflix por algumas horas do dia. Na verdade um chamariz para que você conheça o produto e se encante com outras produções, o que é inevitável. Ian McShane está ótimo como Wednesday, ou Odin, se preferir. Há violência e cenas de sexo, mas todas têm um propósito, como a deusa que absorve seu par pela genital durante o sexo. Outro ponto que conta é a série ser em vários momentos um road trip, com longas rodovias e hotéis à beira de estrada. O melhor é investigar os vários deuses citados e pesquisar suas origens na internet. Ouvi dizer que Neil Gaiman esteve nesses hotéis, mas ele não garante. Mas American Gods merece uma olhada, com oito episódios muito bem feitos. Vale a pena.



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