segunda-feira, 12 de junho de 2017

A TARTARUGA VERMELHA


Com tantas novidades e filmes com tecnologia de ponta, a animação convencional de A tartaruga vermelha é tão bem feita e linda que faz as animações atuais ficarem no chinelo. As cores, a simplicidade, os movimentos, tudo é orquestrado de forma genial para que a arte se iguale a história, perfeita, de uma sensibilidade extrema, nos fazendo ter uma experiência artística enquanto assistimos. A música, o enquadramento, a própria animação, nos dão uma verdadeira aula de como um filme deve ser feito, seja animado ou não.

Não é um filme mudo, porém não há falas, o que é surpreendentes nos dias de hoje. Mas não há falas no contexto​ que estamos mais acostumados, pois a expressão corporal transmite toda a mensagem no filme, nos dando a impressão que a comunicação verbal só estragaria a experiência. A tartaruga vermelha consegue atingir em vários pontos profundos de nossa mente, que uma criança não conseguiria entender as várias mensagens que o filme nos passa em seus bem trabalhados 80 minutos de duração.


O filme começa mostrando o mar revolto com um homem tentando sobreviver. A imensidão do oceano nos dá a primeira gama de sentimentos, de que não somos nada perto da natureza, de que a solidão é amedrontadora, e que nosso destino está na mão do ambiente que nos cerca. Chegando a uma ilha deserta, esse homem, que não sabemos o nome, nem de onde vem e para onde estava indo, tem apenas a companhia de siris e uma praia linda. A ilha tem sua flora específica bem desenvolvida, com material necessário para se construir jangadas​. O náufrago tenta por diversas vezes sair da ilha, mas é frustrado por um animal marinho misterioso que destrói seu meio de transporte.

É tão simples e ao mesmo tempo nos dá muita coisa a se pensar. Claramente é uma história que conta a relação do homem e a natureza, neste caso é a natureza que dá as ordens. O homem é obrigado a abaixar a cabeça e aceitar sua situação, mas a mente humana tem suas ferramentas para conseguir sobreviver, e numa união da realidade com a fantasia, notamos que tanto a ilha quanto o homem necessitam um do outro. Não sabemos o que é verdade ou imaginação, sabemos apenas o trivial, que um homem está sozinho em uma ilha deserta. Mas como nossas vidas, nos também não sabemos de onde viemos e nem o que somos. A ilha é nossa vida. A pergunta "O que viemos fazer aqui?" cabe perfeitamente ao personagem principal.


Muita reflexão pode ser trabalhada em cima desse filme, perfeito para uma aula ou uma atividade em grupo. A adversidade da natureza pode ser vista em todo o momento, desde um perigoso maremoto, até na geografia da ilha. As tentativas de fugir e retornar ao mar que lhe trouxe ali pode causar uma estranheza inicial, mas compreensível no decorrer do filme. Ao fim percebemos que, como nossas vidas, o que realmente importa em nossa existência são as pessoas que amamos. Um filme lindo, do Studio Ghibli e Why Not Productions e que ficará durante muito tempo na cabeça de quem assistiu. Uma experiência maravilhosa.




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