sexta-feira, 2 de junho de 2017

A ESTRADA DA NOITE


Quando li o livro A estrada da noite não sabia que o autor Joe Hill era filho do cultuado escritor Stephen King. Após a descoberta, fez todo o sentido, afinal a maneira de Hill escrever é muito parecida com a do seu genitor. Já li algumas obras de King, sendo que a coleção Torre Negra está na minha lista à anos, mas confesso que alguns livros eu não gostei do desfecho, tanto que prefiro o final do filme O iluminado de Kubrick ao término do escrito pelo criador. Minha humilde opinião. Mas em A Estrada da Noite, Hill está perfeito do começo ao fim, e certamente seu pai foi um ótimo professor.

Judas Coyne é um rockstar com uma conhecida e estranha coleção de objetos mórbidos, como uma corda utilizada num enforcamento, um livro de receitas canibais e até uma carta com a confissão de uma bruxa de séculos atrás. Sua obsessão por itens desse tipo o faz arrematar em um leilão da internet um paletó considerado assombrado. A pessoa que o vendeu garante que a peça de vestuário está acompanhada da alma do falecido padrasto e por 1.000 dólares Coyne o compra. Mas quando a mais nova aquisição chega à sua casa, o roqueiro percebe que a história não é apenas mórbida, mas também é verdadeira.


O fantasma do Sr. Craddock McDermott começa a transformar sua vida num inferno aos poucos, sempre visto com uma lâmina nas mãos e com os olhos embaçados. Não adiantava se livrar do paletó, o morto estava obcecado por Coyne, que suspeita haver algo mais nas intenções do defunto e das pessoas que anunciaram o paletó na internet. A situação fica tão complicada que o rockstar decide fugir com sua namorada gótica e cair na estrada, onde uma perseguição de vida e morte passa a ocorrer.


Hill sabe criar uma atmosfera de suspense e trabalha muito bem os personagens. A história fala de remorso, culpa, arrependimento e redenção. O título do livro pode se referir à estrada que se torna cenário de uma perseguição sobrenatural e também da estrada de nossa mente que nos leva aos lugares mais escuros de nossas lembranças nós fazendo relembrar acontecimentos funestos de nosso passado. Coyne e Craddock se tornam dois grandes personagens dos livros de terror, que pode muito bem se tornar um filme, unindo dois estilos muito interessante: o terror propriamente dito e o road movie, que há algum tempo não vemos um bom representante na telona.

Como pesquisei a vida do autor apenas após a leitura, não sabia que era seu primeiro livro. Realmente não​ percebi, ele demonstrou muita experiência e seu próximo livro, O Pacto, que por sinal se tornou filme antes do primeiro, é minha meta de leitura. Não vou mais compará-la com o pai, ele tem potencial para se firmar sozinho, com sua imaginação e talento. Caso contrário teria assinado Joe King, e não Hill.