quarta-feira, 3 de maio de 2017

O POVO CONTRA O. J.SIMPSON

Imagem relacionada

Lembro bem pouco do julgamento de O.  J. Simpson, e tudo o que sei foi das notícias e pesquisas que fiz posteriormente. Lembro muito bem da Copa do Mundo de 1994, ocorrida nos Estados Unidos em meio ao furacão que se transformou esse caso, que se tornou o julgamento do século. As imagens que me veem a mente são de O. J. em pé no tribunal, colocando a famosa luva preta utilizada no crime, e também lembro de seu advogado falando com o jurados, de resto são lembranças de notícias posteriores ou dos filmes engraçados com Leslie Nielsen, Corra que a polícia vem aí, em que o jogador de futebol americano fez algumas participações. Mas esse julgamento foi um espetáculo midiático, onde a imprensa se tornou um personagem muito importante, que com certeza influenciou o desfecho. Livros, documentários, reportagens, muita coisa já saiu sobre o julgamento e a série apresenta em sua primeira temporada a história de todos os envolvidos, com uma visão da defesa e da promotoria, sofrendo a exposição​ da mídia ou se deliciando com ela.


Só pelo elenco você já percebe que a série teve um tratamento especial. Foi um grande sucesso de público, e a crítica adorou. Os americanos puderam relembrar o caso e olhar para os próprios erros, e quem sabe se sentirem novamente divididos como na época.  Num Brasil também dividido politicamente, onde há uma necessidade de defender políticos e culpar outros independente dos dois lados serem corruptos, a série também será bem-vinda, pois gerará discussões. Até hoje o caso é cheio de polêmicas. E é uma história real com uma reviravolta e envolvimento da população que dá um ar fantasioso aos acontecimentos.

Cuba Goding Jr. interpreta o esquentado e impulsivo ex-jogador de futebol americano O. J. Simpson, o Juice, querido por seu talento no esporte e conhecido publicamente, várias vezes tendo seus feitos em campo relembrados pelos fãs. Numa noite de junho de 1994 sua ex-esposa e um amigo são encontrados assassinados e uma trilha de sangue liga a casa dela até o carro Bronco branco de O. J. em frente à sua mansão. A polícia também encontra no quintal uma luva de couro preta com traços de sangue, dando início à investigação que tomaria grande parte do tempo dos cidadãos americanos em frente a TV. O. J. se torna o principal suspeito, com todas as provas apontando para ele, com seu temperamento explosivo e um passado de agressões domésticas, parecia óbvio que seria um julgamento fácil para a promotoria. Mas todos sabemos que não foi bem assim.

Resultado de imagem para o povo contra oj simpson

Logo no início da série, os produtores sabiamente refrescaram a memória do telespectador com as cenas reais dos problemas raciais que ocorriam em Los Angeles em 92, onde uma onda de manifestações, incêndios e depredações ocorriam na cidade em decorrência de vários atos racistas, em especial o caso de quatro policiais filmados espancando um negro e absolvidos, e negros sendo julgados e condenados por júris totalmente brancos. Infelizmente sabemos que pessoas ricas e famosas não costumam ir presas, e ter um negro nessas condições na prisão poderia representar que a cor da pele é algo que sempre prevaleceria. É nesse contexto que tudo se inicia, em 1994, e a acusação contra O. J. representava a maneira como a comunidade afro descendente era tratada em L.A.

Ao assistir a série você percebe que os atores pesquisaram bastante e fizeram laboratório para ficarem parecidos com as pessoas que interpretam. John Travolta, que também é produtor do programa, está bem diferente dos tipos que está acostumado a representar no cinema. Aqui dá vida ao vaidoso Robert Chapiro, advogado famoso e especialista em acordos que ajudará a defesa a transformar o julgamento num show. Ao seu lado estão o advogado veterano F. Lee Bailey (interpretado por Nathan Lane) e Eddie Cochran (Courtney B. Vance), o advogado que citei no início. Conhecido por defender a comunidade negra e por ser advogado de Michael Jackson, Cochran ficou ainda mais conhecido com esse julgamento, sendo o principal responsável pelo desfecho do caso. Quando vi o ator fiquei impressionado por lembrar bem o Cochran na vida real.

Resultado de imagem para american crime story

Outro advogado e grande amigo de O. J., Bob Kardashian, pai da então jovem Kim Kardashian (interpretado pelo eterno Friend, David Schwimmer), parece ser o que mais sofre com as desventuras do amigo. Não podemos esquecer da promotora Marcia Clark, que a atriz Sarah Paulson, de American Horror History, interpreta tão bem. Ela tenta enfrentar os melhores advogados do país, talvez os melhores do mundo, num processo desgastante e até pessoal. Era a reputação dos advogados, o futuro de Simpson, e as convicções de Márcia em jogo. Ao final já sabemos o que vai acontecer. Anos depois o ex-jogador revela como matou a ex-esposa e entra para o mundo do crime, dessa vez indo de vez para a prisão. Mas já estava falido, com uma marca de assassino parecendo estampar sua testa. Mas se algo mudou na maneira dos americanos pensar, o tempo pareceu esquecer, pois o negro ainda sofre as mazelas que sempre sofreram. Quem ganhou com isso? A mídia, que teve picos de audiência, maiores que final de NFL ou Copa do Mundo. Advogados mal vistos, sistema judiciário pressionado, negros sem oportunidades, mulheres sendo maltratadas no lar, tudo isso perfazem uma história de crime americana.

Imagem relacionada