segunda-feira, 8 de maio de 2017

EXTERMINADOR DO FUTURO 1 & 2


Conan: o bárbaro foi o primeiro grande êxito da carreira cinematográfica do então fisiculturista Arnold Schwarzenegger, que direcionou seus objetivos profissionais ao seu sonho de ser uma estrela do cinema americano. Seu porte físico era perfeito para estrelar uma nova produção encabeçada pelo diretor James Cameron, não tão conhecido em 1984. A dificuldade de Arnold falar inglês fluentemente não seria um problema para interpretar um ciborgue monossilábico de O Exterminador do Futuro. Mas ao invés de fazer o papel de mocinho, ele escolheu acertadamente o vilão, um organismo cibernético assassino. O filme foi um enorme sucesso, uma ficção científica pura. Com uma história complicada, que engloba viagem no tempo, futuro distópico, máquinas tomando controle mundial, apocalipse nuclear, perseguição e doses certas de violência e suspense, são ingredientes de uma receita de sucesso com potencial de franquia e oferece assunto muito interessante de ser abordado, seja numa discussão entre nerds ou numa conversa de bar após algumas cervejas.

A terceira guerra mundial seria travada entre a humanidade e as máquinas, lideradas pelo programa de computador Skynet, que fugiu do controle em 1997, tomou consciência própria e considerou a humanidade uma ameaça para o mundo, e que tinha que ser exterminada, desencadeando uma hecatombe nuclear controlando todas as ogivas do mundo. Mas essa guerra estava difícil de ser vencida graças ao líder da resistência John Connor, com grande potencial e pouco a pouco vencendo algumas batalhas e finalmente descobrindo um plano do software maligno de voltar no tempo para impedir o seu nascimento, minando de vez as investidas da humanidade. Por intermédio de uma máquina do tempo que pode enviar ao passado apenas organismos biológicos, a Skynet cria um ciborgue humanoide programado para matar Sarah Connor (Linda Hamilton) antes de conceber seu filho. John e a equipe rebelde conseguem invadir o local onde a máquina do tempo estava localizada, mas apenas um deles consegue viajar no tempo antes de serem descobertos. Seu nome é Kyle Reese (Michael Biehn) que terá a difícil tarefa de encontrar Sarah Connor, fazê-la acreditar em sua história, passar despercebido pelos policiais e autoridades que o encaram como um louco, e o pior, proteger a garota de um ciborgue​ com mais de dois metros de altura, armado até os dentes com o único objetivo de matar a lendária mãe de Connor.


O filme deu fama à Cameron e à Schwarzenegger, e as particularidades da trama foram incorporadas à cultura pop, como a aparição dos viajantes do tempo nus em meio a raios e trovões, frases de efeito como "I'will be back", a trilha sonora e a figura amedrontadora do ciborgue​. O futuro distópico é melhor representado na continuação, de 1991, com o subtítulo "O julgamento final", com James Cameron dirigindo a produção mais cara até o momento, com música de Guns and Roses e efeitos especiais inovadores. Essa continuação casa perfeitamente com a trama e supera seu antecessor, na minha opinião um dos melhores filmes de ação que já existiu. Com a tecnologia avançando, o filme causa uma melhora nos efeitos especiais e também transforma a ideia da história em algo mais amedrontador para o público mais acostumado com as inovações tecnológicas. Mas o filme também utiliza artifícios convencionais, mas de maneira única. Arnold ficava até seis horas sentado recebendo maquiagem para as cenas em que seu rosto é destruído e a cena de perseguição no helicóptero passando por baixo do viaduto é real, com muitos pilotos se negando a participar.


Na segunda parte o ciborgue​ T800 (Schwarzenegger) é reprogramado para proteger o jovem John Connor (Edward Furlong), de uma nova tentativa da Skynet, que enviou um novo organismo mais avançado, o T1000 (Robert Patrick), feito de metal líquido e capaz de tomar formas enquanto Sarah está desacreditada e esperando os acontecimentos que ela já sabia que iriam ocorrer, presa em um sanatório de segurança máxima. Você assiste e não pisca. A complicada parte de viagem no tempo é deixada em segundo plano, sendo a perseguição implacável do T1000 e a relação de pai e filho entre Connor e seu protetor os maiores atributos do filme. A dualidade nas ações de Sarah e as tentativas do trio de destruir os planos de criação da Skynet são outros pontos positivos da história, que contam ainda com um vilão assustador e ótimas cenas de ação. O ponto alto está no final memorável que fecha definitivamente a história, da maneira que Cameron imaginou.

Na minha opinião, tudo o que foi feito depois desses dois filmes foram continuações desnecessárias, produzidas para gerar lucro sem um roteiro criativo. Como a história tem viagens no tempo em seu escopo, as novas histórias tinham que ser feitas pisando em ovos, para que os furos do roteiro não fossem muito grandes (afinal de contas, após o desfecho do filme de 1991, qualquer continuação seria um furo no roteiro), mas as produções que se seguiram destruíram a trama de causa e efeito cíclica criada por Cameron, com uma exceção ao filme Exterminador do Futuro: A Salvação, que não foi bem recebida pelo público. Em compensação em Gênesis tudo o que foi feito anteriormente parece que foi desconsiderado. Uma pena. Mas assistir a estes dois filmes de Cameron sempre nos trará o que de melhor o Exterminador tem a oferecer.