quarta-feira, 10 de maio de 2017

DOUTOR ESTRANHO


O herói Doutor Estranho é um dos personagens surgidos na grande explosão criativa da Marvel no início dos anos 60. Criado em 1963, mesma época em que o Homem Aranha, Homem de Ferro, Thor, Hulk e um bando de outros personagens que renderam à editora o apelido de casa das ideias, Strange representava o lado místico do universo Marvel. Seus criadores, Steve Dikto e Stan Lee, seguiam a linha de inspiração em tudo que era discutido na época. Medo nuclear e o a história do médico e o monstro renderam o Hulk, já as lendas nórdicas foram transferidas aos quadrinhos tendo Thor como seu maior símbolo, e a magia aliada ao ocultismo merecia fazer parte desse rico time de personagens, e o interessantes é que ao criar um representante desse mundo, acaba-se abrindo um leque de ideias que poderão ser utilizadas de diversas maneiras, e como nos HQs, o universo cinematográfico da Marvel não fará diferente.

Chegando perto de esgotar a cota de continuações de seus principais filmes, com o vingador Thor terminando sua trilogia em 2017 e tendo Homem de Ferro e Capitão América seis três filmes já lançados, o estúdio está vasculhando as HQs para lançar filmes com novos personagens, sejam os já conhecidos como o Pantera Negra, até desconhecidos como Os Guardiões da Galáxia, e o ótimo Doutor Estranho poderia ficar de fora. Para o papel do mago supremo foi escolhido um dos atores carismáticos do momento, Benedict Cumberbatch, apoiado com grande elenco. Cumberbatch já está acostumado a interpretar personagens adorados pelos nerds, como Khan de Star Trek até o excêntrico Sherlock Holmes da ótima série britânica, e não duvido que ele receba um Óscar por algum grande papel no futuro. Seu carisma pode ser uma das armas do estúdio de dividirem a atenção dada à Robert Downey Jr, que possuí um cachê pesado para as produções.


Não tem como o primeiro filme do mago não ficar preso à sua origem e as explicações de como funciona seu mundo. E as particularidades são muitas, e no filme essas informações são colocadas de maneira rápida e infelizmente às vezes superficial, sendo entendidas apenas pelos leitores de quadrinhos e esquecidas pelo grande público após terminarem de assistir ao filme. Certamente esses fatos retornarão no futuro, mas isso não impede o filme de divertir e induzir a assistir novamente a história do neurocirurgião arrogante e exibido que vê seu mundo desmoronar após sofrer um assistente é ter suas mãos danificadas o impedindo de trabalhar. Já no fundo do poço ele decide buscar ajuda em Kamar-Taj, onde um mundo oculto de magia lhe fora apresentado. Mas esse mundo corre perigo, pois o mestre renegado Kaecilius (o sempre ótimo Mads Mikkelsen que rouba as cenas) está perto de descobrir uma maneira de trazer o poderoso Dormammu e o mundo negro à nossa realidade. Muita informação, não é?


Realmente o filme age de maneira dinâmica, talvez rápida demais para que Strange aprenda todas as técnicas do mundo espiritual. O ponto forte está nas cenas psicodélicas, efeitos especiais bonitos e cenários mirabolantes. A capa é um personagem a parte, Mordo (Chiwetel Ejiofor) não é ainda o maior inimigo do Doutor, deixando pontas para serem resolvidas no próximo filme, Tilda Swinton foi uma bela escolha para fazer a Metre Anciã, que nos quadrinhos é um Mestre Ancião, e Wong (Benedict Wong) ainda não é o fiel parceiro do mago. Só fiquei triste de utilizarem o Dormammu logo no primeiro filme, tirando qualquer impacto de suas aparições futuras. Mas o filme consegue deixar a mensagem de que você só conseguirá ser feliz em suas escolhas se você conseguir ser uma pessoa melhor, sendo humilde e pensando em um bem comum. Se colocando em segundo plano para salvar outras pessoas é o único objetivo de um verdadeiro herói.

Uma outra mensagem do filme, que casa bem com os toques psicodélicos e imagens que nos lembram um caleidoscópio, é a necessidade de termos a mente aberta. Para quem lê quadrinhos é fácil engrenar na trama, mas se desligar da história e se colocar na pele do protagonista em outras situações de nossas vidas, podem nos fazer bem e garantir experiências inovadores. No filme há algumas ações que desafiam o senso comum além do fantástico, como a mudança de opinião de Strange e Mordu em relação à algumas atitudes da Mestre Anciã, que parece um tanto estranha e sem razão. Se você pensar que Strange estava fadado a ser o mago supremo, não há problema de absorver a rapidez com que ele consegue se tornar o maioral, até decifrando livros que os demais mestres com mais treinamento que eles não conseguiram. Tudo ocorre rápido e em algumas coisas fica difícil de acreditar que ele conseguiria fazer tudo sem as décadas de aprendizado necessário, mas ele não tem tempo para aprender do modo convencional e na pressão e necessidade tudo se arranja. Está longe de ser um dos melhores filmes de super-heróis, e nem da Marvel, mas é com certeza um personagem com grande futuro na casa das ideias e nas telas dos cinemas.