segunda-feira, 22 de maio de 2017

BATMAN: ASILO ARKHAM


A Graphic Novel Batman: Asilo Arkham parece ter sido feita sob encomenda​ para um público ávido por histórias adultas dos heróis que adoravam desde a infância. A década de 80 foi notória pelo lançamento de diversos títulos de sucesso e de importância histórica e Batman foi o personagem que mais brilhou. Com O Cavaleiro das Trevas e a Piada Mortal, ficava cada vez mais difícil para a DC lançar títulos de qualidade semelhante, e o tempo demonstrou que foi possível e um desses trabalhos foi escrito por Grant Morrison e a arte ficou à cargo de Dave McKean, e pode ser considerado uma das dez melhores histórias do Batman de todos os tempos.

Mas convenhamos que Batman se torna um coadjuvante de sua própria história, e os internos do asilo também não são as estrelas principais. A loucura é a pedra fundamental de Asilo Arkham. Como diz na placa na recepção do famoso sanatório de Gotham City "Não precisa ser louco para trabalhar lá, mas ajuda". Os criminosos insanos tomam conta do asilo, colocando em risco os funcionários e médicos que lá trabalham. Lideradas pelo Coringa, a única reinvindicação é que o Batman se interne no sanatório com eles. O homem morcego não tem escolha e vai ao encontro dos lunáticos, que num primeiro momento não querem fazer mal fisicamente ao herói, só querem ver até onde vai a estrutura psicológica de seu maior inimigo.


A maneira como os vilões são mostrados é surreal, apresentando seres humanos entregues à loucura e despidos de qualquer necessidade social. Um leque de escolhas foi dado ao Duas Caras, que ultrapassa a barreira do Cara e Coroa, e sua dualidade se transforma em múltiplas facetas, o fazendo ter dificuldade até de escolher ir ao banheiro, defecando pelos cômodos. O Chapeleiro Louco é visto como um aliciador de criancinhas, e o medo está estampado nos movimentos e silêncio do Espantalho. Já o Coringa está assustador e sádico, tratando Batman como convidado e levando a loucura do ambiente até seu mais alto grau de insanidade. Nunca antes o Asilo teve uma aparência amedrontadora como esta, nos dando a ideia do que Batman está passando e o motivo dele tentar sempre impedir esses loucos de agirem fora do Arkham.


Batman trava uma luta psicológica interna, visitando todas as alas do sanatório, todas as celas, enfrenta seus inimigos internos ao ouvir o que cada inimigo real tem a dizer. Sua alma está a prêmio, e percebemos que ele teme isso. Personagens obscuros desfilam nas páginas, e a história casa perfeitamente com a arte de McKean, o capista da revista Sandman, que une fotografia, desenhos, pinturas, acredito que qualquer coisa pôde ter sido utilizada para dar todo o aspecto dessa HQ.

Em paralelo a essa história temos a reminiscências do fundador do asilo, o Dr. Arkham. Com imagens que incomodam e história que chega a afetar sua mente, lemos o diário do doutor que sucumbiu à loucura que parece incrustada nas paredes do hospício, e acompanhar sua decaída não é tarefa fácil. Essa história foi inspiração para a franquia de games Asilo Arkham. A indicação na capa de que a leitura dessa Graphic Novel é aconselhável para maiores é discutível, pois em qualquer idade há o perigo de adentrarmos no mundo da insanidade. Cuidado.