segunda-feira, 17 de abril de 2017

SOLOMON BURKE - ROCK'N SOUL

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Os títulos de rei da música, de estilos, de uma determinada profissão ou esperto podem ser discutíveis, mas o rei do soul é indiscutivelmente Solomon Burke, como ele mesmo se proclamou.  Infelizmente não tinha em meus círculos de amizade ou na família alguém que me orientasse e me indicasse os grandes nomes do Blues e Jazz, que tanto me interessavam, e ficava atrelado a nomes famosos como Ray Charles, Lowe Armstrong, e outros gatos pingados​, o que a maioria conhecia. Só depois de conseguir acesso à internet e ter comprado o livro 1001 discos para ouvir antes de morrer para ter uma base para novas descobertas, foi que me deparei com essa joia de 1953, Solomon Burke: Rock'n'Soul, e de quebra conheci o rei das soul music.

Você ouve e parece estar num pub, tomando uma bebida, num ambiente escuro, onde toda a iluminação e atenção estão no palco à sua frente, onde um homem de vinte e poucos anos faz um espetáculo ao piano, acompanhado de becking vocals, e lhe garantindo uma ótima experiência, que lhe perseguirá durante toda a sua vida. Mas o som de Solomon Burke nasceu nas igrejas, então que seja, o que importa é ouvir suas canções, regravadas por seus fãs, que vão de Rolling Stones à Eric Clapton são músicas que nos transmitem alegria e tristeza, nos fazem ter realmente a sensação de possuir uma alma, como o próprio estilo denomina.


Nascido em 21 de Março de 1940 na Filadélfia, podemos perceber a religiosidade de sua família​em muitas facetas de sua vida, a começar pelo nome bíblico Salomão, era uma figura presente na comunidade católica e tinha 21 filhos. E o estilo gospel pode ser encontrado em suas músicas, algumas delas verdadeiros hinos. Não à toa um dos seus apelidos era Bispo do Soul. Estreou sua carreira musical com 15 anos, mas antes disso já trabalhava em rádios ligadas à igreja, e dono de uma voz potente, logo foi descoberto por algum empresário sortudo e de bom ouvido. Mas foi o álbum Rock'n'Soul que me fez um fã de sua música.

Muitas faixas desse trabalho de 1964 conseguiram ótimas colocações nas rádios.12 músicas, todas elas muito boas, que você pode ouvir direto e notando que uma é melhor que a outra, sem exagero. Ele começa se despedindo com Godbay Baby, uma canção que te faz voltar no tempo, e logo na segunda faixa temos um dos maiores sucessos da carreira do Bispo do Soul, Cry to me, regravada por diversos cantores. Interpretava as músicas com muito sentimentos e o acompanhamento era digno de um rei. Músicas alegres, como Won’t to give him (onde more chance) e You can't love tem all te fazem assobiar, e o disco ainda tem outras preciosidades, como Just out of reach, Someone to love, Can't nobody love you e por aí vai.



Ele não foi apenas uma estrela do passado, antes de morrer em 2010, com 70 anos, ele ganhou um Grammy de melhor álbum de Blues em 2003, por Don't give up on me, com letras de vários artistas de sucesso feitas exclusivamente para o álbum. Conhecer a música de Solomon foi um presente, e espero que muitas pessoas tenham essa experiência. Caso não conheça, vale a pena procurar e se aprofundar, ele é uma ótima porta de entrada para o mundo do Blues, Jazz ou Soul. Com ele conheci Fats Domino, comecei a gostar de Blue Brother e adentrei outros estilos de música, sempre de mente aberta e conseguindo ter prazer em ouvir músicas que antes não entendia como outras pessoas conseguiam gostar. Agora não entendo como existem pessoas que não gostam.