quarta-feira, 5 de abril de 2017

O HOMEM QUE CALCULAVA

Resultado de imagem para o homem que calculava
Muita gente leu o livro O homem que calculava à pedido dos professores de matemática ou na obrigação para fazer um trabalho escolar. Isso acaba diminuindo o interesse do leitor e atrapalhando a ótima experiência que teriam se lessem sem serem obrigados. Claro que nem todos os alunos desperdiçaram essa oportunidade, e com certeza os professores indicaram esse livro por saberem de sua importância e relatos surpreendentes, da mesma forma que demonstra ser simples algo considerado complicado ​pela maioria dos brasileiros: problemas matemáticos. E simplificar e trazer os jovens para o mundo dos cálculos foi com certeza o objetivo do autor.

Para tanto, o autor Julio César de Melo Sousa cria um pseudônimo para escrever essa e outras obras, todas elas ligadas ao mundo árabe, que por sinal é o berço da matemática que estudamos desde criança (conheço pessoas que odiariam a comunidade hindu-arábica por isso, do mesmo jeito que detestam Isaac Newton). Julio César era um professor que nasceu no Rio de Janeiro em 1895, e ao criar o pseudônimo Malba Tahan (ou Ali Iezid Izz-Edim ibn Salim Hank Malba Tahan), este acabou também se tornando um personagem, que muitos acreditam ser real. E Julio César estudou bastante a terra de Aladdin para dar realismo ao seu pseudônimo. Enquanto Malba Tahan era um personagem fictício no mundo real, os livros possuíam personagens singulares e muito bem imaginados, como o caso do esperto e bondoso homem que calculava, que ficou famoso nas vilas, oásis e reinados que visitou, solucionando problemas matemáticos cabeludos que tiravam o sono das pessoas. Humildemente ele oferecia ajuda, em outras ocasiões sua fama o precedia e era interpelado pelos aflitos que não viam solução para seu impasse. Sua fama era tão grande que em vários momentos reis e sultões lhe pediam socorro.

Resultado de imagem para O HOMEM QUE CALCULAVA

A história se passa no mundo islâmico a muitos séculos atrás, quando Hank Tade-Maiá encontra e dá carona à um homem no deserto, chamado Beremiz Samir, que divide o camelo enquanto avançam sobre as areais escaldantes. Numa conversa descobre que Beremiz viveu na Pérsia e tinha um caráter religiosos, tendo em suas frases sempre um agradecimento e louvação à Allah. Mas Hank descobre outra particularidade de seu companheiro quando se deparam com três irmãos, num oásis em que chegam, que brigavam por causa da partilha de 35 camelos que o pai os havia deixado. O motivo da briga era a divisão, pois o pai havia deixado para o primogênito metade (1/2) dos camelos, ou seja, 17,5. Já o filho do meio ficava com um terço (1/3), que seria 11,666... e o caçula um nono (1/9) e já que os irmãos não abriam mão de um camelo, ele também não abriria mão de um camelo, uma vez que tem quase 4 camelos para levar (3,888...). A maneira como Beremiz resolve o problema é espetacular e te instiga e fazer e refazer a conta que parece mágica.

Imagem relacionada

Talvez o problema dos camelos seja o mais famoso caso do livro e é o símbolo dessa história, mas Hank narra diversos outros fatos tão extraordinários quanto ao dilema dos três irmãos, que englobam quebra-cabeças, filosofia e relatos históricos, e claro, dezenas de curiosidades que vão te prendendo do começo ao fim. Em algumas partes você se verá com um lápis e papel para tirar suas dúvidas e comprovar os ensinamentos do calculista, e em outras ocasiões você se verá seduzido e desafiado a conseguir a solucionar o problema. Em cada capítulo tem um problema principal, como o dos 21 Vasos, a partilha dos pães, as 90 maças, do joalheiro, entre outros. Uma que gostei bastante são das cinco irmãs vendadas, onde as duas que tem olhos azuis só mentem, e as três de olhos castanhos só falam a verdade. Com três perguntas Samir foi desafiado a adivinhar a cor dos olhos de cada uma, e lógico que conseguiu.

Além das curiosidades e problemas matemáticos, o livro é cheio de filosofia, enigmas e testes lógicos, tudo em forma de romance que ganham o leitor.  Esse é o principal triunfo do livro, fazer os jovens (e quem sabe os adultos) a gostar da matemática. Saber que a tabuada do nove pode ser solucionada e aprendida com a ajuda dos dedos da mão teriam me tirado de enrascadas quando pequeno. E caso você tenha lido o livro obrigatoriamente, fica a dica de reler com outros olhos e se surpreender com as aventuras do homem que calculava.

Resultado de imagem para O HOMEM QUE CALCULAVA