sexta-feira, 21 de abril de 2017

EX_MACHINA


A história de Ex_Machina não é nova, mas o tratamento que ela dá ao tema inteligência artificial é necessária. O filme é mais uma reflexão sobre o assunto, misturada com filosofia e suspense, que nos faz ter várias perspectivas sobre os acontecimentos que aparecem rapidamente na tela. É um daqueles filmes que te faz mudar de lado, brinca com suas convicções e pode até alterar sua forma de pensar. Lançado em 2015, não fez muito alarde, e a figura da IA Eva é que chama a atenção do público para assistir a essa produção, escrita e dirigida por Alex Garland, que roteirizou o filme Dredd de 2012.

O programador Caleb, que trabalha na Bluebook (empresa tecnológica e motor de buscas na internet), recebe o invejável convite para passar uma semana na casa do CEO da empresa, o misterioso Nathan (interpretado por Oscar Isaac, o Poe Dameron de Star Wars). Num lugar extremamente afastado da civilização, Caleb terá a chance de fazer parte de um experimento inovador, não sem antes assinar um termo de confidencialidade perante ao estranho chefe. Sua função é testar Eva, um organismo cibernético, e constatar se ela possui sentimentos inerentes ao ser humano. Em várias sessões com conversa e interação, Caleb e Eva ficam próximos, mesmo separados por uma parede de vidro. O que Caleb não contava é que essa interação lhe despertaria uma gama de sentimentos e sensações que ele não estava preparado para sentir. A situação complica quando Eva lhe confidencia secretamente que Nathan não é o que aparenta ser e que mente.


Ficamos no suspense de saber qual o real sentido do teste. A relação que Caleb tem com Eva é tão estranha quanto a relação que ele mantém com Nathan, que demonstra uma frieza perante às suas criações e também à própria vida. E o público acompanha o desenvolvimento da relação do trio e suas atitudes extremas no desfecho com algumas surpresas. A principal ideia do filme é demonstrar o quanto a mente humana é complicada e ao mesmo tempo imprevisível, e nos três personagens percebemos um modo de pensar conflitante, mas racionais. De um lado a razão fria, de outro o medo angustiante, e no meio disso uma gama de sentimentos que vai da simpatia, pena, atração sexual, amor, desconfiança, raiva e até ingratidão. Tentar criar uma inteligência artificial que seja igual ao do ser humano traria essa série de sentimentos complicados na bagagem. Isso traz outras análises para o filme.


Segundo Nathan as inteligências artificiais do futuro iriam olhar para a humanidade atual dá mesma forma que olhamos fósseis, e nos enxergarão como seres atrasados. Eles dominariam o mundo, são a próxima etapa dá evolução, e ele teria dado o pontapé inicial. De uma forma ou de outra faria o papel de Deus, mesmo não crendo nele, mas se tornando o mais próximo dessa divindade para as gerações futuras. As conversas que o CEO da empresa tem com Caleb são cheias de explicações filosóficas para seus atos, e Caleb recebe em troca de Eva momentos em que ele pode acompanhar sentimentos simples como ser vista como mulher, perceber que atrai o sexo oposto e conseguir um confidente num ambiente de confinamento.

Podemos notar que Caleb é a estranha ponte entre os mundos de Nathan e Eva, e sua relação com ambos vai pendendo para o lado que o atrai mais, num sentimento totalmente normal para um ser humano, mas numa relação estranha com um robô. Ao fim notamos que as necessidades regem os caminhos do ser humano, motivados pela sua maneira de pensar, seja pretendendo criar algo inovador se tornando desumano, seja seguindo seus instintos passando por cima daqueles que o cercam ou seguindo a emoção, sem se preocupar com o futuro incerto e nebuloso. E a capacidade de raciocinar sofrerá influências, sendo a inteligência artificial ou não.