segunda-feira, 10 de abril de 2017

DOUG

Difícil você ter assistido e não ter se identificado de alguma maneira com o protagonista do desenho Doug (ou seja, ele mesmo, Doug Funny) produção do canal Nickelodeon, produzido entre 1991 e 1994, e pela primeira vez exibido no Brasil na TV Cultura em 1994, lembro bem de assistir a grade de programação da emissora, que na época tinha O mundo de Beakman e logo depois Doug, ambos os programas no horário nobre. De um lado eu assistia Doug e do outro minha mãe assistia a novela na Globo. Tenho certeza que eu saia ganhando. A animação fazia sucesso, todos na minha escola assistiam e comentavam. E a música de abertura se tornou clássica, com seus "tchuro, tchuro, tchuro" ou "maro manaro maro mano má" ficou na memória nostálgica de quem assistia Doug e cia.

Ele era um garoto normal, com suas inseguranças e medos de qualquer jovem, que se muda com a família para a cidade de Bluffington e lá tenta se enturmar. Mas as dificuldades de Doug estão na maioria das vezes em sua própria cabeça, e nos episódios ele tem mais problemas com a ansiedade imaginando mil maneiras do que algo pode dar errado, do que com o fato em si. Ao final de cada história temos a lição de que esses problemas não são tão complicados como aparentam e que a insegurança é algo normal que não devemos nos preocupar. Em vários episódios ele percebe que as suas dificuldades são compartilhadas pelos seus amigos. Fica fácil entender porque a TV Cultura se interessou em passar o desenho, afinal os jovens têm um Doug dentro de si. Cada episódio de 24 min. eram divididos em duas histórias de 12 min., e terminava com Doug ao lado de seu cachorro, dando tchau enquanto os créditos apareciam, e no fim ele apagava a luz.


E Doug é tão normal que quase todos os problemas de pré-adolescente ele tem. Sua família é até tranquila, com um pai calmo e cheio de ensinamentos, uma mãe tão calma quanto, mas sua irmã mais velha, Judy, está em fase de passar para a vida adulta e reclama o tempo inteiro, além de estar sempre ligada às artes cênicas, poesias e literatura. Sua família se completa com seu inseparável cachorro Costelinha, que entrou para o rol dos grandes cachorros das animações, ao lado de Snoopy, Bandit, Astro, entre outros.

Mas é sua interação com os amigos que causam os mais diversos motivos para Doug dar asas a sua imaginação tentando antecipar as consequências dos fatos que virão. Seu melhor amigo, Skeeter Valentine, é a imagem daquele amigo que tivemos na infância, engraçado e que parece te apoiar em tudo, mesmo sendo uma pessoa dispersa e que não entende bem o que está acontecendo. Roger Klotz é o pentelho da escola, pronto pra arrumar confusão e tirar sarro, o famoso estraga prazer que invariavelmente se dá mal no final. E claro, a garota por quem Doug se apaixona e faz surgir coraçõezinhos nos olhos do garoto, a loira Patti Maionese. Ela até que é uma garota legal, com uma ótima relação com Doug, mas como ela age assim com todos, Doug nunca revela seus sentimentos. Além desses há muitos outros personagens, como o vizinho bonachão e engraçado Sr. Dink, o vice-diretor chato e neurótico Sr. Bone, a riquinha chata Beebe Bluff, entre muitos outros.


As aflições de Doug giram em torno de problemas inerentes aos jovens, como a percepção de que possui nariz grande ou a descoberta de que os amigos estavam utilizando seu modelo de roupa, pois está na moda, ou a falta de coragem de assistir a cena final de um filme de terror, e até a dificuldade de chegar ao fim de um jogo de vídeo game. Parece simples, mas as dificuldades psicológicas são tão bem abordadas que você acaba se lembrando dos problemas que teve na adolescência ou que estava acontecendo no momento. Episódios bacanas eram os que ele criava uma HQ com o personagem Homem Codorna, um super herói com a cueca sobre a bermuda e um cinto preso na testa, e era acompanhado pelo cachorro Cãodorna, (o Costelinha) que salvavam a cidade de Bluffington de monstros e cientistas loucos. Nessas aventuras, Doug imaginava seus amigos (e desafetos) como personagens que interagiam com o herói. Depois teve uma faze onde o desenho foi feito pela Disney, mas essa faze que passava na Cultura foi a melhor. Não dá para esquecer esse desenho.