quarta-feira, 22 de março de 2017

FAMÍLIA DINOSSAURO

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A famosa série A Família Dinossauro, ou Dinosaurs do original americano, é uma série que devemos assistir duas vezes em nossas vidas. Quando crianças adoramos a série por vermos os dinossauros vivendo como uma família normal que assiste TV, trabalham, conversam e se socializam, mas já adultos conseguimos entender o que estava por trás de cada episódio. Uma série feita para agradar crianças e adultos, e se a crítica social algumas vezes era velada em alguns episódios, em outros eram tão explicitas que chegavam a atingir o alvo em cheio, fazendo até as crianças se conscientizarem. A série apenas situa os problemas familiares e as maneiras estranhas de agirmos em pensarmos no tempo jurássico, onde o American Way Life é abordado, problemas familiares e sociais são destrinchados e conseguimos nos colocar na pele dos personagens em muitos episódios, nos dando aquela sensação desconcertante. Estranhamente foi produzida pela Disney juntamente com a Jin Hanson Productions, responsáveis pelos Muppets, de 1991 e 1994 e foi um enorme sucesso. Tinha chaveiro do Baby em todo o canto, e cansava de ouvir alguém dizendo os bordões “Querida, cheguei!” e “Não é a mamãe”, que até em buzina de carros eram ouvidas (antes dessa mania ser proibida, é claro). Baby se tornou um ídolo. A dublagem brasileira foi um show à parte.

Dino da Silva Sauro é o chefe de uma família comum que acaba de ter um novo filho (chocado no primeiro episódio da série). Como ele mesmo diz, é um poderoso Megalossauro, mas de pouca inteligência e facilmente manipulável. Casado com Fran, tem três filhos, Bob, Charlene e Baby, e vive às turras com sua sogra Zilda. Ele trabalha na Wesayso como derrubador de arvores. Seus dois filhos maiores estudam no colégio, e sua mulher trabalha como dona de casa e cuida do filho menor. Essa é a vida da família Silva Sauro, mas outros personagens interagem como o grupo, como o melhor amigo de Dino e companheiro de trabalho, o Tiranossauro Roy, que fica muito engraçado com suas patinhas minúscula e também não é lá muito inteligente. A vizinha Mônica, uma Brontossauro que vemos apenas até o pescoço quando ela entra pela janela para conversar com a Fran, e o chefe brutal e amedrontador Sr. Richfield, um enorme Tricerátopo que faz Dino tremer de medo. Com essa união, a série consegue abordar de maneira inteligente nosso estilo de vida.

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Os temas abordados são bem amplos, analisando nossos valores sociais, nossas necessidades frívolas e a hipocrisia humana. Os dinossauros são mostrados como consumistas, necessitados de um televisor como centro da casa, machistas e que não gostam de mudanças. Fran e Bob aparentam ser os personagens que mais contrariam o senso comum da sociedade jurássica. O relacionamento de Bob com o pai é cheio de altos e baixos, onde Dino espera que o filho faça o mesmo que os demais, mas ele sempre contraria as maneiras de agir sem questionamento, como uivar para a lua para que o fim do mundo não chegue, ritual que ocorre por que sempre foi feito assim. Já Fran rebate as maneiras de seu esposo agir, desde exigir mais afeto e compreensão, até entrar para um grupo feminista que Dino encara como umas besteiras que a vizinha Mônica coloca em sua cabeça. Em um episódio há uma verdadeira mensagem contra as drogas. A relações de pais e filhos é muito bem abordada, seja com as incertezas de Bob e as dificuldades de Dino em tomar decisões, até as passagens da adolescência para a vida adulta. E o melhor é ver Baby nos ombros do pai, batendo com uma frigideira na cabeça enquanto grita “Não é a mamãe”.

Em um episódio a sogra de Dino, Zilda, será jogada num poço de piche pelo genro, pois atingiu uma idade que não mais irá contribuir para a sociedade, para a festa do gorducho Dino que treina a jogada com sacos de areia (uma referência aos asilos). Em outro episódio Dino e Fran descobrem que a certidão de casamento venceu e eles precisam fazer alguns testes para renovar, mas após tantos anos de casados Dino percebe que não conhece nada de sua mulher. Charlene também têm problemas quando sua cauda não cresce para chamar a atenção dos rapazes, entre outros. Os homens das cavernas são considerados sub espécies que os dinossauros acreditam que nunca serão evoluídos. Na verdade eles nem sabem diferenciar um homem da caverna macho ou fêmea. Os animais que servem de alimento também chamam atenção, onde muitos deles falam com o seu consumidor antes de serem devorados. E por aí vai.

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Lembro de ter lido na época um HQ da série, muito bem feita. Na história Bob foi escolhido por um programa de TV, parecido com o antigo Você Decide, onde um telespectador era sorteado para decidir o que a protagonista do programa deveria fazer, passar cola para o menino que gosta na escola e ser pega pelo professor, ou não passar a cola e perder o amor de sua vida. A escolha devia ser feita em uma semana, tempo médio de um dinossauro tomar decisões, e isso causa um rebuliço na vida de Bob, pressionado por todos os lados para tomar decisões. A série possuía diversos outros programas fictícios que os dinossauros assistiam, baseados em programas televisivos reais, como CNN que virou DNN (Dinosaur News Network), MTV se tornou DTV entre outros. E não podemos esquecer os programas criados para a série, como Pergunte ao Dr. Lagarto, que sempre terminava com o pequeno Timmy sendo morto e o Dr. Lagarto dizendo “Vamos precisar de outro Timmy”. Além de nos dar motivos para refletir era também muito engraçado. Uma pena que não temos mais esse tipo de série. Saudades.