quarta-feira, 8 de março de 2017

DC: A NOVA FRONTEIRA

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Uma das coisas que mais gostei em A Nova Fronteira, vencedora de vários prêmios dos quadrinhos, é a leitura leve e nostálgica, que te situa nos anos 50 como nos filmes feitos naquela época, onde os cenários grandiosos e a moda charmosa são bem demonstradas e lembradas pela arte de Darwyn Cooke, bem aos estilos dos quadrinhos da era de preta, com repórteres de chapéu de aba longa com um papel escrito imprensa, e os detetives andava de sobre tudo. Igual à Dick Tracy, as mulheres tem aquele ar sensual e perigoso, e as heroínas são verdadeiras pin ups, exalando inocência enganosa. Devia ter sido uma boa época para viver. Um adeus a era de ouro, com reformulação de alguns heróis e a aposentadoria de outros.

A história trata o que motiva o ser humano a se tornar um herói, adquirindo poderes ou não. Na verdade os poderes adquiridos apenas complementam e ajudam o herói a cumprir um objetivo, sendo que sua índole e vontade de ajudar o próximo já eram latentes em sua pessoa. Talvez seja essa a diferença entre os heróis e vilões. Mas percebi que o sonho americano era mais latente naquela época. Nos quadrinhos a escolha de utilizar seus dons para ajudar outras pessoas podiam se resumir em trazer a paz ou deixar uma boa marca na história do mundo. Suas experiências traumáticas em planetas distantes, uma escolha feita quando criança ao ver seus pais serem mortos e não querer que outras pessoas sintam o mesmo que você, talvez um sentimento de vingança, até a percepção de que seus poderes podem ser utilizados para que suas ideologias sejam aceitas pela sociedade, seja salvando mulheres brutalizadas, violências raciais ou a simples necessidade de serem iguais.

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Em cada uma dessas necessidades do ser humano em enfrentar preconceitos ou perigos reais, surgia nos quadrinhos um herói para lutar por você. E num sonho americano pós guerra os americanos ficaram necessitados desses heróis, é a DC fez sua parte. O autor amarra todos os personagens que abrilhantaram essa época, seja em suas novas versões, atualizações ou estreias. Ele traça uma linha reta nos eventos históricos que inspiraram autores a criar histórias que o público estava ávido por consumir. Segunda Guerra Mundial, caça aos comunistas, discriminação racial no Mississipi, Guerra Fria, Corrida Espacial e armamentista, frente sufragistas, etc. Tudo isso moldando de uma forma ou de outra a maneira de um determinado personagem em agir. Tudo culminando na criação do maior grupo de super heróis de todos os tempos.

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De longe o personagem mais bem retratado é o Lanterna Verde Hal Jordan. Piloto formidável que começa a fazer parte de uma missão ultra secreta juntamente com o durão Rick Flagg, líder da Força Tarefa X (seu filho formaria décadas depois o Esquadrão Suicida). Demora para Hal se tornar o Lanterna, sendo trabalhado primeiro seu perfil psicológico e suas condutas heroicas. Outro que surpreende é John Jones, o Caçador de Marte, trazido a Terra por um cientista, e que começa a viver em nossa sociedade de maneira secreta, mas sempre ajudando alguém. Um grupo famoso na época eram os Desafiadores do Desconhecido, com seus uniformes lilases corriam a todos os lugares em busca daquilo que o ser humano não conseguia entender. Superman e Mulher Maravilha lutam por suas ideologias políticas e sociais, e Bat-Man está tentando desvendar um novo mistério. Todos os heróis da era de prata tem sua importância, desde Flash, Arqueiro Verde, Adam Strange, e personagens obscuros e desconhecidos, como Faraday.

Talvez o que mais impressiona seja a homenagem àquela época dos quadrinhos, onde os autores e desenhistas estavam iniciando uma indústria de entretenimento única e com muitas dificuldades. Seus esforços eram recompensados pela criatividade abundante, e pelas cartas dos jovens leitores que não tinham os quadrinhos apenas como diversão, tratavam seus heróis como amigos íntimos. Os heróis eram inspiradores para um mundo que necessitava de motivação. Uma leitura para quem quer conhecer mais a história dos quadrinhos, pois é interessante correr atrás das várias referências e citações contidas nessa obra. Para que já conhece, um sorriso a cada página, relembrando esse ou aquele personagem. Leia, mesmo tendo um longa-metragem animado lançado em cima desse trabalho, e você perceberá a diferença.

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