sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

WE3

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Gosto muito das obras do escritor Grant Morrison, e afinal de contas, quem não gosta? Ainda mais quando ele faz dupla com grandes desenhista, no caso de WE3, temos o traço inconfundível de Frank Quitely, que causa uma estranheza em quem não está habituado com seus desenhos, onde as características de seu traçado são bem diferentes do convencional, com personagens não tão bonitos que parecem querer sair do papel. Mas na metade do HQ você já se convence de sua genialidade e passa a ser mais um fã de seu trabalho. Quitely consegue acompanhar Morrison de forma fluída, sem economizar no seu usual estilo, mostrando a violência visual em muitos momentos nos dando a impressão de câmera lenta, contrastando com os personagens que cometem as atrocidades, por instinto de sobrevivência, sendo no fundo apenas animais de estimação.

A dupla nos apresenta uma obra cinematográfica, com muitos quadros sem legenda e outros quadros com ações sequenciais que nos dá a sensação de ação imediata que ao ler fico apenas imaginando uma trilha sonora para aquela cena. WE3 tem muita ação, ficção científica, um sentimento de urgência e perigo, onde torcemos para os animais que matam humanos. Lançada em três edições e facilmente encontrado em versões encadernadas, após a leitura fica aquele gosto de que podia ter sido mais longo. Realmente você pode muito bem ler as três edições em menos de quarenta minutos, em alguns momentos parece que tudo ocorre rápido demais, mas talvez era para ser assim mesmo, pois o que é demais estraga (fico na esperança de ver continuações, mas que podiam ser cinco edições, podiam). Fique claro que a rapidez da trama não faz com que Quitely se obrigue a economize nos desenhos grandiosos e super detalhados, mas ele utiliza artifícios visuais e dinâmicos para expressar a ação rápida dá história.

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WE3 é uma operação secreta da força aérea americana que consistia em utilizar animais domésticos em operações militares. Com aparato tecnológico sofisticado e armamentos pesados, um microship cirurgicamente instalado nos animais os fazem obedecer comandos por controle remoto, se tornando ótimas ferramentas secretas, agindo de maneira furtiva, rápida e amedrontadora. Com esse aparato, os três primeiros animais escolhidos para fazer parte dessa operação conseguem dizer algumas frases, mas de maneira limitada. Um cachorro, codinome 1, que é tratado como um pequeno tanque, o temido gato, denominado 2, sorrateiro e letal, e por fim o coelho, que é denominado 3, utilizado para colocar minas e disseminar gás venenoso, formando assim a Wepon 3, ou WE3, que está para ser cancelada pelo governo para que um novo projeto seja colocado em prática, algo mais atual. Prestes a serem mortos, a tratadora dos animais decide ajudá-los e os liberta, causando grande comoção e uma caçada pelas três criaturas, que unidas, repelem os seus caçadores de maneira violenta e bem treinada.

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Interessante perceber como os seres humanos são retratados nessa história. São seres monstruosos que na sua maioria não liga para os animais, com sorrisos gananciosos demonstrado seus sentimentos, utilizando ratos para trabalhar em conjunto para reparar e montar motores e matar outros ratos apenas para demonstrar o poderio da tecnologia. Os animais são verdadeiros escravos, agindo nas missões perigosas impedindo que os seres humanos se machuquem. Isso nos faz lembrar das experiências feitas em animais para testar produtos ou remédios, um tema bem polêmico, para tantos sendo necessário, para outros algo desumano. Mas no caso de WE3 realmente a crueldade do ser humano é evidenciada.

Nas três capas à os cartazes das famílias procurando os três animais de estimação desaparecidos, oferecendo recompensas para quem tem alguma informação. Os animais fugitivos, armados com mísseis e treinados para matar, agem apenas por instinto e querem apenas voltar para casa, seja onde for esse lar. Não imaginar o querido bicho de estimação que você tem ou teve é impossível, e matar esses animais é algo que você não quer que os soldados consigam, mesmo que para isso alguns deles, na verdade vários, morram no processo. O selo VertigoDC manda bem mais uma vez.

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