segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

O BABADOOK

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No filme O exorcista temos a criação de uma atmosfera de medo muito bem trabalhada, não apenas apoiada na possessão demoníaca da pequena Regan mas também no sofrimento da mãe mostrado na primeira parte do filme, onde ela procura ajuda para a filha e tenta compreender o mal que a aflige. Ela tenta buscar uma solução convencional para o mal da garota e só depois de aceitar o que ela estava negando é que ela consegue se direcionar a ajuda necessária. O mesmo acontece em Babadook, onde atmosfera de horror se desprende da necessidade de sustos a todo o momento e lhe entrega uma história diferente de terror. Os temas recorrentes a esse tipo de filme estão presentes, mas é a relação de mãe e filho perante a sociedade que os cerca que nos dá o sentido do medo constante no filme.

Após perder o marido no acidente de carro enquanto era levada para dar à luz ao seu primeiro filho, Amelia (Essie Davis) vive com o pequeno Sam sem esquecer a morte do marido, tentando fugir de sua tristeza. Se torna uma pessoa triste, que faz as festas de aniversário do filho em outra data para não festejar no mesmo do falecimento do esposo, e tenta negar para si mesma os problemas que acontecem com seu filho, um garoto atormentado por monstros imaginários que lhe tiram o sono e atrapalham o convívio social dos dois. Criando algumas armas para se defender desses monstros, ele causa acidentes na escola e em casa, e suas atitudes pioram quando um estranho livro vem parar em sua estante e ele pede para sua mãe ler. Babadook conta a história em versos de uma entidade que ameaça a criança que vai dormir. Sam começa a ser aterrorizado por essa entidade.

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Amelia procura especialistas, mas as coisas só vão piorando. Sem ajuda da irmã, que tenta evitar a próxima festa de aniversário da filha em conjunto com o primo, demonstra que o garoto não é querido pelas suas ações a ponto de ser evitado. É nessa altura do filme que você sente o terror da mãe, que não dorme direito, começa a faltar no trabalho, e pressionada pelo conselho tutelar, e não consegue se livrar do livro. Seu filho a todo o momento fala de Babadook. E aliada ao problema de criar o filho sozinha, ela começa a sentir cada vez mais a falta do marido, seja na criação do filho, ou no sexo e até na necessidade de uma pessoa para compartilhar os problemas. Sua solidão e a presença de uma entidade que se nega a ir embora são seus maiores medos.

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As atuações da mãe e filho merecem elogios, a direção de Jennifer Kent dão a esse filme australiano uma sensação de terror constante. Em muitas vezes o filme te engana quando o susto eminente não vem. O filme nos passa uma impressão de que alguns problemas nos dão a sensação de impotência, que só vencendo o medo e a incompreensão é que conseguiremos superar os obstáculos, seja na morte do marido, nos problemas emocionais do filho, ou na presença de um ser maligno e sobrenatural.

O filme utiliza um artifício que para mim é um dos mais amedrontadores nos filmes de terror: crianças, sendo vítimas ou ameaças. O comportamento de Sam vai mudando e em algumas vezes nos surpreendendo, da mesma forma que Amelia também muda, se entregando ao problema, e nós não conseguimos culpá-la. Atormentados, suas vidas se tornam um inferno. A mãe já não parece mãe, sua postura muda em relação ao filho e à sua própria situação, numa mistura de sentimentos, desde raiva, depressão, medo, angustia e arrependimento, e a atriz Essie Davis está brilhante em seu papel (ótima atriz por sinal). Todos temos problemas à enfrentar e superar. Todos temos um Babadook.


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