quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

OPERAÇÃO CAVALO DE TRÓIA 1: JERUSALÉM

Resultado de imagem para OPERAÇÃO CAVALO DE TRÓIA 1

Alguns livros exigem que o leitor tenha a mente aberta. Outros livros necessitam que você tenha paciência e até disciplina para ultrapassar passagens descritivas necessárias para dar uma explicação viável aos fatos fantásticos que abordam. O famoso livro do espanhol J.J. Benítez, Operação Cavalo de Tróia é um desses livros. Mas nunca vi alguém se dar mal por ter a mente aberta, paciência e disciplina, e com esse livro não foi diferente. O resultado é recompensador e te assegura uma experiência reconfortante e diria até necessária.

Na primeira parte do livro temos a narração dos acontecimentos ocorridos com Benítez no início dos anos 80, no qual ele conhece um misterioso major da força aérea americana, que lhe confiou à muito custo e paciência, documentos ultrassecretos que deviam ser expostos ao mundo após sua morte. A busca de Benítez para conseguir decifrar códigos e encontrar os documentos são detalhadas, tanto quanto a perseguição que a CIA fez para pega-lo e reter os documentos importantes. Até aqui toda a história se resume num jogo de gato e rato e de mistério que envolvem o conteúdo desses documentos. Ao concluir essa parte o conteúdo do documento é revelado e você passa a ler na íntegra o arquivo misterioso.

Resultado de imagem para BENÍTEZ J J

Aí vem a necessidade da mente aberta. Trata-se da maior aventura que um ser humano poderia ter, uma viagem nunca antes (ou até depois) feitas por alguém: uma viagem no tempo, feita por intermédio da NASA e outros órgãos americanos, sem que a CIA ou FBI saibam: A Operação Cavalo de Tróia. Após alguns destinos e épocas listadas foi escolhido o ano 30, na Palestina, para que tirassem a prova um dos acontecimentos mais marcantes e cheio de incertezas da história: os últimos dias de Jesus Cristo. Nessa parte há muitas explicações de como a viagem pode ser feita, como foi descoberto uma maneira de viajar no tempo, todo o estudo efetuado, as precauções tomadas e as tecnologias que ajudaram tal viagem a se concretizar. Muitas dessas descrições impressionam, com um cuidado tremendo em detalhar todo o procedimento que em algumas partes fica difícil não acreditar que algo do tipo tenha ocorrido. Mas conforme o próprio autor ressalta, toda a narrativa carece de comprovação e crer em seu conteúdo depende da fé de quem está lendo. Talvez por isso que a explicação e várias notas de rodapé (são centenas) são tão extensas e em certos momentos cansativos, devido a necessidade de deixar que essa história é real. Apenas aqueles que conseguem ultrapassar essas páginas recebem o prêmio.

Resultado de imagem para jerusalém

A viagem no tempo realmente ocorre quando você é transportado juntamente com Jasão, codinome utilizado pelo major, à sua missão na época da morte de Jesus. Os detalhes, a narrativa e os acontecimentos te transportam para a Jerusalém do ano 30. Jesus havia acabado de ressuscitar Lázaro, e toda uma procissão de curiosos interpelavam o ressuscitado em busca de respostas. E é por intermédio de Lázaro que Jasão consegue acesso à Jesus. Chama a atenção a descrição dos costumes daquele povo, o tratamento que as mulheres tinham, o poder que os ditos religiosos demonstravam e a fama que Jesus possuía. Ele era adorado, e de longe é a figura de Jesus que mais achei interessante dentre tantos filmes, história e, quem diria, da própria Bíblia. Passagens e palavras de sua vida entram em desacordo com os textos bíblicos e podem não ser bem vindos por religiosos ortodoxos, sejam católicos ou evangélicos. Certas passagens podem ser consideradas liberais demais. Mas se conseguiu chegar até essa parte do livro, isso não é nada. A própria morte de Lázaro é explicada por Jesus como uma enfermidade que não levava à morte. Jesus nega a existência do Inferno, dizendo que Deus não condena ninguém ao fogo eterno.

Resultado de imagem para templos jerusalem

Um realismo ao extremo, tanto no cotidiano quanto no infeliz martírio que acabam por levar Jesus à morte. A descrição dos apóstolos, com suas ações e maneira de pensar nos dá muito material para pensar. Sentimentos como medo, insegurança, arrependimento e até vingança faziam parte do que sentiam os seguidores. Um pouco mais de uma semana é descrito pelo major, e a viagem no tempo se torna tão insignificante perante à história que nos é contada. Jesus é jovial, brincalhão, calmo, impressionante. Suas atitudes são revolucionárias, muito à frente de sua época e talvez também à nossa. Para que assistiu ao filme Paixão de Cristo, de Mel Gibson, e achou forte, há muito mais do que foi mostrado.

No fim resta a dúvida se tudo aquilo realmente ocorreu. Gosto de acreditar que sim. Se me questionarem se acredito na viagem do tempo ocorrida nos anos setenta, sinto em informar que não. Mas se me indagar se acredito no Jesus mostrado no livro, fico feliz de dizer que acredito ser o mais próximo da realidade. Depois de conhecer o Jesus descrito no livro fica difícil simpatizar com outra visão. Conheço pessoas que mudaram a forma de pensar, trocando até de religião ou se desfazendo dela, após lerem o livro. Em alguns casos a viagem no tempo é tida como real, sem problema algum. Mas tudo depende de fé e a mensagem de amor que Jesus passa no livro é maior que qualquer dúvida, científica ou não.

Resultado de imagem para JESUS TRÓIA