segunda-feira, 28 de novembro de 2016

BATMAN - A VITÓRIA SOMBRIA

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Após o sucesso da dupla Jeph Loeb e Tim Sale com o minissérie Batman: O longo dia das bruxas, ganhando o prêmio Eisner e criando umas das histórias mais queridas dos fãs do morcegão, eles decidiram repetir a dose alguns anos depois. Em 2002 a continuação Batman: Vitória Sombria chega às bancas nos mesmos moldes da saga anterior. Como o Longo dia das bruxas se passa logo após Batman Ano um, podemos situar a história contada em A Vitória Sombria como o quarto ou quinto ano de Batman agindo em Gotham City. Para quem não leu a postagem de Batman - O longo dia das bruxas clique aqui.

O título A Vitória Sombria nos remete ao estado de espírito que Batman e Gotham City se encontram após os eventos da história anterior. O herói venceu, mas há um preço muito alto. Seu amigo, o ex promotor público Harvey Dent se tornou um insano psicopata com obsessão pelo número dois: o deformado Duas Caras. Bruce Wayne se entrega às sombras e parece estar mais cansado e descrente de poder existir uma Gotham City descente. O agora Comissário Gordon também sofre as dificuldades de atuar na cidade, sua mulher o deixou, não aguentando mais os efeitos colaterais que a profissão do marido trás para a família. Ele se sente culpado pelo que aconteceu com seu antigo amigo Harvey Dent, mas fica cada vez mais difícil reconhecer em Duas Caras o promotor público que o ajudou a acabar com o mal perpetuado pelo chefão do crime Carmine Falcone.

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A história começa no cemitério, em frente ao túmulo de Falcone, na data que ele faria aniversário, bem no feriado do dia do trabalho, e lá se reúnem os remanescentes da máfia chefiada pela filha do falecido mafioso. Sophia "Gigante" Falcone sobreviveu aos eventos que levaram à morte de seu pai pelas mãos de Duas Caras, mas lhe deixaram entrevada em uma cadeira de rodas. Seu irmão Mário volta à Gotham City, depois de anos, e decide tirar seu outro irmão Alberto da prisão. Condenado pelas várias mortes que causou, Alberto Falcone consegue liberdade condicional com ajuda da nova promotora Jenice Porter, que alega que o vigilante Batman atrapalhou o desfecho da investigação e usou força bruta contra o acusado, lhe causando a paralisia na mão direita.

Nesse ínterim coisas estranhas começam a acontecer. O asilo Arkham é atacado, onde alguns internos conseguem fugir, entre eles Coringa e Duas Caras. O corpo de Carmine Falcone é roubado, Alberto começa a ouvir vozes, a Mulher Gato começa a ser perseguida, vários arquivos do caso Feriado são roubados na promotoria e o pior, um assassino está novamente matando nas datas comemorativas. As vítimas são policiais, encontrados enforcados com um jogo da forca rabiscado em papéis dos arquivos relativos ao "caso Feriado" roubados. Denominado Assassino da forca pela imprensa, personagens que faziam parte da força policial de Batman: Ano um e Longo dia das bruxas vão encontrando seu fim, sempre com a frase incompleta do jogo da forca grudado em seu peito.

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Quem é o assassino? Onde está o corpo de Falcone? Seria mais um ataque de Alberto Falcone? A continuação nos leva a crer que ela já havia sido planejada na época que a saga anterior havia sido lançada, pois nela vemos algumas pontas soltas sendo resolvidas, como o motivo da Mulher Gato estar sempre à espreita da família Falcone, e a rivalidade entre os mafiosos e criminoso birutas que parecem proliferar em Gotham. Os Moroni voltam nas figuras dos filhos de Salvatore, assassinado pelo serial killer Feriado. Para quem conhece o folclore de Batman já espera a participação do parceiro mirim Robin ao notar a presença do mafioso Anthony Zucco entre os criminosos que seguem ordens de Sophia Falcone. Zucco é o causador da morte dos pais do menino prodígio, os trapezistas Graysons Voadores.

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Enquanto podemos considerar O longo dia das bruxas como um história que conta a origem do vilão Duas Caras, nessa história temos a origem do parceiro do Robin, o jovem órfão Dick Grayson, e Jeph Loeb consegue retratar bem essa passagem, ligando os fatos anteriores com o futuro da Dupla Dinâmica, e o motivo do obscuro Batman aceitar um garoto como parceiro. Seria um meio de trazer luz às trevas em que ele se encontrava, demonstrado nas cores ótimas cores de Gregory Wright e no traço sempre competente de Sale, desde as suas capas sombreadas com um personagem da galeria de vilões do morcego. Como na história anterior, você percebe que Loeb segue padrões em cada edição, entre eles ter um assassinato e um vilão especial por capítulo, tendo que incluir um inimigo com aparição relâmpago sem muita relação com a história, ou criar personagens para integrar a equipe policial que você já sabe que irão morrer. Mas isso não atrapalha a história, que te surpreende a cada página, que não devem ser foleadas. Num virar de páginas surpresas saltam aos seus olhos. Pode não ser superior ao seu predecessor, mas é uma história muito acima da média.

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