quarta-feira, 2 de novembro de 2016

A CIDADE DOS ETÉREOS

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As coisas não acabaram muito bem para as crianças peculiares no último livro. Após os eventos mostrados em O Orfanato da Senhora Peregrine para crianças peculiares (clique aqui e veja nossa postagem), muita coisa mudou na vida de Jacobi e também das próprias crianças do orfanato. Nada seria como antes. Talvez seja essa a principal referência que o escritor Ranson Riggs queira passar ao leitor. Uma sensação de comodismo finalizada por eventos alheios à sua vontade que te faz sair de sua zona de conforto e buscar algo melhor.  Os estúdios Pixar fazem isso com quase todos os seus filmes. Mas nos casos das crianças peculiares, Ranson Riggs não dá descanso para as crianças no segundo volume das desventuras dessa trupe.

Em A cidade dos Etéreos o leitor também é convidado a sair de sua zona de conforto, entrando de cabeça numa aventura que envolve busca e perseguição. Enquanto no primeiro livro conhecemos toda a história dos peculiares (ou quase toda), e nos envolvemos com seus problemas com os Etéreos, que os caçam incansavelmente, os fazendo se esconder por décadas em fendas no tempo, que se repete diariamente, em alguns casos séculos. Dessa vez os desgarrados da Senhora Peregrine, presa na forma alada sem conseguir voltar a forma humana, precisam encontrar outras fendas para tentar encontrar alguma outra tutora (peculiares com grande poder como a Senhora Peregrine, chamadas de Ymbryne) e reverter a transformação. Mas andar no mundo real, em tempo de segunda guerra mundial, onde bombas são despejadas aos montes na Inglaterra, e Londres demonstra ser tão perigosa quanto os Etéreos, que os perseguem sentindo a vibração de seus poderes. Isso acaba os impedindo de utilizar os poderes, além de evitar serem observados pelas pessoas que lotam a cidade, cheia de refugiados.

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Jacobi já está mais habituado ao mundo dos peculiares, pelo menos mais que no primeiro livro. Aqui ele já é tratado como um integrante do grupo, com sua capacidade de ver Etéreos, que para os demais são invisíveis. Ele também está trabalhando esse dom, uma vez que ele também sente os Etéreos à distância, como se fosse uma bússola, mas com grande angústia e dores. Mas em sua busca ele terá a ajuda dos amigos peculiares, como o garoto invisível Millard, com grande experiência nos assuntos do mundo dos peculiares e sei mapa de fendas. Emma continua sendo uma líder natural, mesmo que ela não queira esse posto. Em muitos momentos ela tem que se segurar para não utilizar seus poderes flamejantes. Sua relação com Jacobi toma rumos decisivos nessa parte, que pode definir o futuro tanto do garoto quanto dos próprios peculiares.

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Outros personagens tem sua importância ressaltada nessa segunda parte. Hugh demonstra seus poderes com abelhas, se tornando um valoroso integrante no grupo e Clare, que consegue flutuar, dá o tom crítico da situação difícil que se encontram. Dá para sentir seu esforço para manter a serenidade e manter a razão, mas não é apenas seu corpo que ela não consegue manter no chão, mas sua estabilidade psicológica vai ficando instável. Podem parecer pessoas velhas em corpo de criança, nas o que conta para esses peculiares são as experiências que tiveram na vida, como todos nós, e a experiência deles foram preservadas na juventude. Enoch parece ser o peculiar do contra, com seu humor negro e indiferença com a vida humana, em especial com as pessoas da década de 40, que segundo ele já tiveram o destino de sua vida delineado, sem chances de ser alterado com ajuda ou caridade. Pode parecer duro e em muitas passagens inconveniente, mas é ele que dá o tom do humor à história e não tem como não gostar de suas tiradas desconcertantes e mofo de pensar também peculiar. Os demais personagens também têm seus momentos surpreendentes, como Horace, que utiliza seu dom de ver o futuro para tira-los de enrascadas.

A história é cheia de urgência, pois eles têm que correr contra o tempo para salvar a Senhora Peregrine, que corre o risco de ficar como uma ave para sempre. O autor nos faz entrar no mundo dos ciganos, no circo de horrores, nos refúgios de bombardeios, nazismo e viagens no tempo entre fendas de diversas épocas da história. Muitos personagens novos irão ficar em nossas cabeças, e iremos torcer para encontrá-lo terceiro volume. Nesse ficamos sabendo mais dos Etéreos e de seus planos para conquistar o mundo, sendo que muitos atos estranhos cometidos no primeiro livro são explicados. O filme dirigido por Tim Burton teve algumas comparações com o X-MEN e o próprio livro teve esses comentários na internet, mas o clima é totalmente diferente, e em nenhum momento os peculiares agem como uma equipe de heróis, e vão descobrindo sua coragem nos momentos de dificuldade, sem treino e atrapalhados. Mas isso não tira o heroísmo dos jovens, e sim lhe dão um caráter humano aos seus atos. As fotos continuam sem prender a narrativa à suas necessidades de explicação ou de situa-las em algum momento da história. Daí tudo natural, bem diferente dos protagonistas e vilões do livro.

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