segunda-feira, 10 de outubro de 2016

BLACK MIRROR

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Black Mirror é uma série com poucos episódios, mas com uma originalidade fora do comum. O título se refere à tela dos aparelhos eletrônicos como celulares, tabletes, etc. O “espelho negro” do aparelho desligado que reflete a imagem de quem está olhando, quando ligado reflete um mundo que não tem fronteiras e que mudou a sociedade, e essa relação do ser humano com a tecnologia é abordada na série de maneira única e reflexiva (olha aí o verbo de novo). Como uma pessoa tem sua rotina e toda a sua vida alterada devido à tecnologia que a rodeia e os malefícios que podem causar a uma única pessoa ou a varias, dependendo da situação. A maneira como os autores expressam esses problemas são profundas e nos causam um sentimento de constrangimento quando percebemos o quanto nos valemos dessa tecnologia de maneira equivocada e desnecessária. Mesmo algumas histórias se passando num futuro próximo, as ações dos personagens não mudam em relação à nossa realidade, e mesmo a tecnologia evoluindo, o sentimento das pessoas não segue a mesma evolução, e analisar como esses sentimentos podem ser piorados com o advento tecnológico é o maior trunfo dessa série.

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Cada episódio conta uma história separada, com elenco diferente e pode muito bem ser de uma época diferente. Mas em todos os episódios, os efeitos colaterais que a tecnologia causa no mundo são abordados de maneira direta. Pode demorar a perceber em qual ponto o episódio está focando, em muitas vezes há uma surpresa no final, mas o resultado é magnifico.  Logo no primeiro episódio a escolha forçada de um homem comprova o quanto estamos ligados às mídias de telecomunicação, quando um membro da família real britânica é sequestrado e para salvá-la o primeiro ministro britânico deve fazer algo em rede nacional que o humilharia como político e como ser humano. Com a única motivação de mostrar como somos atraídos por desgraças alheias e consentimos de alguma forma para esses acontecimentos por apenas darmos ibope a programas sensacionalistas. Em outro episódio, que achei um dos mais interessantes, a vida de um casal e abalada devido ao uso de um dispositivo capaz de gravar tudo que seus olhos veem e que fica gravado num chip que pode ser compartilhado com as pessoas ao redor. Imagina descobrir que imagens de relacionamentos anteriores ainda estão inseridas na memória de seu parceiro, podendo dar zoom, retroceder, pausar e transmitir para outras pessoas. Se no Facebook e Whatsapp já causa essa bagunça, imagine assim.

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Um episódio engraçado com um personagem interessante é o intitulado The Waldo Moment, onde um personagem animado, o urso azul Waldo, faz enorme sucesso devido à sua maneira de falar sem papas na língua, sem se preocupar com os sentimentos alheios, se candidatando para um cargo politico gerando uma verdadeira comoção. Outro paralelo que se pode tirar dessa história é o personagem virtual engolindo a pessoa que a controla, invertendo os papeis. A série tem uma boa sacada nos mecanismos tecnológicos criados para a série. São muito bem pensados, e suas possibilidades são bem trabalhadas. Numa delas, no episodio especial de natal, você consegue transferir sua personalidade, memorias, etc., para um mecanismo virtual que saberá seus gostos e estilos e assim poder cumprir tarefas do jeito que você gosta, mas infelizmente o ser virtual não é tão feliz fazendo isso. O Netflix está produzindo novos episódios que estrearão em Outubro de 2016. Que os episódios sejam tão legais quanto os anteriores.

O real sentido do reflexo que o título emprega é conseguirmos enxergar em nós mesmos os defeitos e qualidades dos personagens na trama, tomando um soco cada vez que você lembra-se de ter feito ou sofrido alguma das ações que a trama mostra.  Seus vícios, manias, vontades e interesses. Seu lado não muito bonito é exposto para você poder refletir, sendo que alguns episódios te atingirão de uma maneira que você poderá não gostar, mas que você necessita enxergar e quem sabe se tornar um ser humano melhor. Para todos nós.