domingo, 30 de outubro de 2016

A LENDA

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Ridley Scott já tinha projetos de peso em seu currículo, como Alien – O oitavo passageiro de 1979 e Blade Runner de 1982, que se tornaram filmes cults adorados pelo público nerd. Em 1985 ele muda um pouco o tema de seus projetos, inicialmente direcionados à ficção científica, e lança o filme A lenda, focado no mundo da fantasia, com elfos, unicórnios, magia e fadas. Muito diferente do que ele vinha trabalhando até então, e depois de tantos anos o filme se tornou cult, como as demais obras do diretor. Mesmo tendo alguns defeitos, o filme consegue divertir e é fácil entender o porquê ele é tratado como cult pela comunidade nerd. Um conto de fadas, que me lembro de ter assistido na seção da tarde, e fiquei um tanto espantado pela maneira obscura que a história é apresentada às crianças, longe de ter personagens fofos, muito pelo contrário. A maquiagem do filme foi elogiadíssima, não por dar tons bonitos aos personagens, mas para transformá-los em verdadeiros demônios. Para uma criança pode ser fácil ter pesadelos com essas criaturas criadas para o filme, e mesmo os personagens bons aparentam ter essa aura negra, que distancia esse filme das demais produções infantis.

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O Lorde das Trevas, interpretado por Tim Curry (irreconhecível com a maquiagem – o ator parece ter gostado, pois em 1990 ele também ficou irreconhecível no filme IT, onde ele dá vida ao palhaço Pennywise), deseja levar a escuridão para toda a Terra, onde o gelo e o medo tomariam conta, o deixando mais forte. O único empecilho para ele conseguir chegar a seu objetivo é a existência dos unicórnios, seres que representam o bem com sua pureza e magia. Devido à sua grande importância esses animais não podem ser tocados, tirando dessa forma a pureza desses animais. Tentando impressionar a princesa Lili, (Mia Sara, que no ano seguinte estrelaria o filme Curtindo a vida adoidado, ao lado de Matthew Broderick), Jack, um garoto que vive conhece os segredos e da floresta (interpretado por Tom Cruise com seus 20 e poucos anos), e Lili se apaixona pela imagem dos unicórnios e, mesmo seu amigo tentando impedi-la, ela não resiste e toca nos cavalos, tirando suas purezas e os deixando sem suas defesas, para enfim serem raptados pelas criaturas do Lorde das Trevas. Lili também é sequestrada, o vilão demoníaco deseja transformá-la em sua rainha. Cabe ao franzino Jack se unir aos seres da floresta para resgatá-la e por um fim no reinado sombrio.

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De longe Tim Curry é a grande surpresa do filme. Enquanto Tom Cruise e Mia Sara tem atuações apagadas talvez pela inexperiência, a caracterização de Curry como o Lorde das Trevas rendeu à década de 80 um dos melhores vilões do cinema. Um malfeitor condizente com a trama, que dá uma lição às crianças de que o bem sempre vence, mas consegue também amedrontar aqueles que ainda estão na dúvida. A história principal nada mais é que a luta do bem contra o mal, onde o amor é a força motriz para a coragem em conseguir o que quer. Outro ponto que pode ser observado é que todos têm um lado ruim a ser controlado. Isso nos leva ao sentido um tanto escondido na história, nos  remetendo à Adão e Eva, onde existe algo proibido que a mulher tenta alcançar e o homem não consegue dominar, sendo tudo destruído no processo, mas com uma esperança no final. Não por coincidência o Lorde das Trevas tem essa aparência. A tentativa de corromper a princesa, suas necessidades de poder e até um amor que ele se vê obrigado a possuir, são características vergonhosas do ser humano, fáceis de serem demonstradas, diferente dos atos de Jack, que tem que buscar coragem e enfrentar os desafios, difíceis de serem encontrados nas pessoas.

Os personagens secundários que ajudam Jack em sua missão são exemplos de criaturas fantásticas que poderiam muito bem fazer parte dos livros de Tolkien ou C. S. Lewis. como o sátiro Gump (David Bennent) com olhar fantasmagórico que sempre me chamou a atenção, mesmo a voz do ator sendo dublada devido ao sotaque alemão. As criaturas grotescas que seguem o senhor do mal também prestam homenagem às histórias de fantasia. Antes de assistir novamente esse filme, eu me lembrava de uma cena em especial em que Jack enfrenta um duende (que está mais para orc) em pântano a caminho de onde sua amada se encontra enclausurada. Além de asqueroso, o ser parecia ser enorme, e pensei na época como o mocinho era valente e corajoso em enfrenta-lo naquele lugar. Peter Pan pode ter inspirado alguns personagens do filme, como a Sininho e até mesmo Jack como Peter Pan, enquanto trolls e duendes contribuem para um emaranhado de seres fantásticos. A trilha sonora teve duas versões, a americana e a europeia, sendo que conheço apenas a que foi transmitida na Europa, da qual gostei muito. Pode não ter sido o melhor filme de Ridley Scott, ou Tom Cruise, ou até mesmo de fantasia, mas é um filme que merece o status de cult que possui.

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