domingo, 25 de setembro de 2016

SERGIO ARAGONÉS DESTRÓI E MASSACRA

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Sergio Aragonés é um dos maiores cartunistas do mundo, sendo por muitos anos uma grande atração para a revista Mad, onde suas tiras engraçadas e desenhos humorísticos de canto de página fizeram história. Outra grande criação sua, Groo, o bárbaro mais burro que já existiu, fez muitos sucesso e suas vinhetas lhe renderam uma legião de fãs. Não muito difícil era vê-lo retratado em suas próprias histórias, algumas delas autobiográficas, nos fazendo entender de onde ele tira tanto humor. Mas nunca esqueceu suas raízes, mexicano de coração e espanhol de natureza, saiu da Espanha quando criança devido a Guerra Civil Espanhola (ele nasceu em 1937). Na verdade ele penou para  conseguir trabalho nos EUA, mas hoje ele é respeitado e seus desenhos são reconhecidos mundo a fora, recebendo a alcunha de cartunista mais rápido do mundo. Quando ele foi chamado para desenhar dois especiais para a Marvel e DC junto com seu fiel escudeiro e amigo Mark Evanier, todo mundo gostou, menos os heróis é claro. Mark é com certeza a mente por trás de muitas piadas e o trabalho dos dois deve ser uma tremenda tiração de sarro, que acaba refletindo nos projetos que estão criando. Em ambas as histórias, Sérgio é o iludido desenhista que planeja enviar para as duas editoras americanas o melhor trabalho que elas já receberam, para isso ele se vale dos maiores heróis das duas casas e de sua "criatividade" artística.

Sergio Aragonés destrói a DC
Enquanto os maiores heróis da DC tem sua origem contada (na maneira dele), o alado Gavião Negro vai regimentando os heróis para enfrentar uma ameaça poderosíssima, que apenas no fim da história saberemos qual é. Esse é apenas um motivo para satirizar os personagens, que nos fazem rir de fatos absurdos e escolhas editoriais de gostos duvidosos que entulhavam as HQs, em especial os ocorridos na década de 90, além de defeitos que as próprias tramas dos quadrinhos não cansam de repetir. Ou seja, rir das próprias desgraças. Ele brinca com o fato de sempre contarem a história da morte dos pais do Batman e a destruição de Kripton (tenho um monte de gibi com essas cenas), da enormidade de personagens que englobam e equipe L.E.G.I.Ã.O., da necessidade de haver algum evento catastrófico ou um acidente com algum personagem para poder chamar a atenção, como a morte do Superman e Flash, paralisia do Batman, troca de Lanterna Verde, mutilação do Aquaman, etc. Batman e sua dedução de mistérios insolúveis esbarram num Coringa que declara acabará comendo as orelhas de tanto que os desenhistas alargam sua boca. Superman tem sua roupa rasgada por qualquer coisa e sua galeria de vilões é ridicularizada, e a Mulher Maravilha leva cantada em Temiscira, local que nenhum homem havia pisado, mas que estava cheio até a tampa de mulherengos dando cantadas idiotas. No fim resta Aragonés apresentar o vilão sendo que ele nem havia pensado nisso. Destaque para os novos integrantes da L.E.G.I.Ã.O.

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Sérgio Aragonés massacra a Marvel
A Marvel também sofre na não do espanhol. A começar pelo Quarteto Fantástico, que satiriza o gosto dos escritores de tentar explicar cientificamente efeitos inexplicáveis que ocorrem nas aventuras do grupo, e também o fato de hora e meia algum herói entrar e abandonar o quarteto. O forte da Marvel é a ação e tudo termina em pancadaria num crossover de personagens. Parece que Aragonés e Evanier pegaram bem o espírito dos quadrinhos de heróis da época. A Marvel gosta de colocar herói contra heróis e não é de hoje, com Guerra Civil e X-Men versos Vingadores. Os mutantes, Hulk, Surfista Prateado, todos eles são brindados com a visão humorada da dupla, que vai desde o exagero de músculos que cobrem o corpo do Hulk (que muda de cor a bel prazer dos roteiristas), ao estilo animalesco do Wolverine que só como som de suas garras já acredita estar metendo medo. Surfista está sempre deprimido e reclamando de seus problemas, Ciclop é reuzido a coadjuvante insignificante com direito a balão de fala cobrindo seu rosto, Homem Aranha tem problemas com seus clones e versões, etc. No fim o espanhol tem o mesmo problema que teve na história da DC, ele tem que inventar um vilão que seja bom o bastante para dar conta de todos esses personagens que ele sequestra.

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De resto sobra a diversão e em nenhum momento ele parece ser zombeteiro ou desrespeitoso com os personagens das duas editoras. Talvez falte isso no humor de hoje em dia, uma sutileza que consiga alcançar seus objetivos e seja bem visto tanto por quem gosta do personagem quanto por quem não está nem aí para ele. Os desenhos são de causar inveja, ótimas ilustrações para estamparem camisetas. Ganhador do premio Eisner, Aragonés pode ser considerado um dos grandes artistas do mundo dos quadrinhos. 
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