quarta-feira, 14 de setembro de 2016

LEGIÃO URBANA

Resultado de imagem para legião urbana


Renato Russo e a Legião Urbana foram para mim uma porta de entrada para o mundo do Rock. Acredito que isso tenha ocorrido com muitas pessoas com idades entre 28 e 40 anos, que viveram os anos 80 e 90. A explosão musical que ocorreu na década de 80 com varias bandas de Rock surgindo e fazendo sucesso são fruto do sonho dos jovens de ter uma banda de Rock, que se uniram numa garagem e sem saber tocar direito, tinham acesso aos instrumentos musicais e davam asas aos sonhos daqueles que não tinham essa oportunidade ou coragem. Em Brasília houve um grupo muito corajoso, que sem direção, iam tocando e se aprimorando com o tempo, sem se importar em cantar bem, sabendo o básico dos instrumentos e construindo letras com enfoque sociais. A banda de garagem era uma brincadeira que ficou séria, e a Legião Urbana foi seguindo seu caminho.

Resultado de imagem para legião urbana

Como o próprio Renato uma vez falou, para ser capaz de tocar as músicas da Legião basta conhecer apenas três acordes. E nem precisa saber cantar, talvez tenha sido esse o motivo do seu sucesso, aliado ao seu carisma e as letras sentimentais. Não conheço uma pessoa que não tenha uma de suas músicas gravadas na memória ou um refrão na ponta da língua. Eram canções que qualquer jovem, com um violão na mão, podia reunir os amigos e cantar numa roda de jovens reunidos num parque ou acampamento. Era no início despretensioso, e quando Renato começou a compor músicas mais elaboradas ele já estava deprimido. Pelas biografias e histórias contadas sobre ele dava para perceber que ele era uma pessoa singular. Sua homossexualidade influenciou muitas letras, seu engajamento político fizeram muitas músicas de sucesso, e sua doença renderam letras tristes no fim de sua vida.

No filme Somos tão jovens temos ideia de como ele deu início ao seu sonho de ser cantor e como a inexperiência musical não foi um empecilho para ele seguir seus objetivos, e nem os demais, é claro. Era querido pelos outros artistas, em especial Cassia Eller e Herbert Vianna. Teve vários desentendimentos, era uma pessoa geniosa que conseguia transmitir suas emoções ao seu público, e músicas como Que país é esse? tinha seu refrão seguido do coro “é a porra do Brasil”. Já a canção Será era adorada pelos jovens em geral, seguidas de Geração Coca-Cola, Ainda é cedo, Tempo Perdido, Mais do Mesmo, entre outras. O romantismo chamou a atenção do público mais velho, e não importa o sentimento melancólico que determinada canção possa gerar, algumas são verdadeiros artificios para conquistar uma garota, como Eu Sei e Hoje a noite não tem luar. Já Pais e Filhos se tornou um hino cantado em colação de grau e homenagens. Dado Villa-Lobos e Renato Bonfá contribuíram, mas Renato Russo era a Legião Urbana, tanto que após sua morte em 1996 a banda foi descontinuada.

Resultado de imagem para legião urbana

Para se ter uma ideia de como a banda era tão popular na década de 90, vários trabalhos escolares eram feitos em cima das músicas, e pelo menos na minha escola, tiveram duas peças de teatro estrelada por alunos (Eduardo e Mônica e o Mundo anda tão complicado). Eu mesmo já participei de algumas rodas de músicas onde se tinha que cantar uma frase de Faroeste Caboclo quando chegasse sua vez, e não podia errar. As professoras adoravam utilizar letras como Perfeição ou Índios para pedir uma dissertação sobre o tema, ou montar um grupo de discussão. Depois de Legião Urbana fui buscar novas bandas, e daí não parei mais. Talvez essa banda tenha sido um chamado para eu gostar de Rock, uma vez que as crianças costumam ouvir o que os pais gostam e você só precisa ser fisgado por algo diferente e que te agrade para seguir seu próprio perfil musical. No meu caso foi Raul Seixas, mas a Legião ajudou, e muito.