sexta-feira, 30 de setembro de 2016

BATMAN - A QUEDA DO MORCEGO


O mundo dos quadrinhos na década de 90 sofreu uma grande crise financeira e as editoras tiveram que apelar para conseguir alavancar suas vendas. Enquanto a Marvel depositava suas fichas em desenhistas, a DC apostou no emocional dos leitores, causando mudanças drásticas na vida de seus principais personagem (não que a Marvel também não tenha feito). O que hoje parece meio batido, na época funcionou como atrativo, e mesmo a indústria dos quadrinhos afundando ainda mais no final daquela década, nem tudo foi perdido com esses excessos não tão criativos. O Superman morreu, casou e foi divido em dois. O Lanterna Verde se tornou vilão e foi substituído. E Batman também foi afetado, ficando preso e uma cadeira de rodas. Esses eventos transformaram todos os títulos da editora. Essa saga, que durou dois anos e dezenas de revistas (talvez centenas) foi chamado de A Queda do Morcego (no original The Knightfall), dividido nos arcos A Queda, A Cruzada, A Busca e A Volta de Bruce Wayne.

Conforme o ocorrido com Superman, onde um novo vilão, no caso Apocalipse, teve que ser criado para que o kriptoniano pudesse ser morto, Em A Queda do Morcego não foi diferente. Bane, nascido na prisão de Santa Prisca, uma ilha na América Central, herdou a pena de seu pai e cresceu entre os prisioneiros, como se fosse um adulto, e se tornando uma lenda entre os prisioneiros, onde depois de tanta dor e sofrimento, forja para si uma personalidade dura e implacável. Dono de uma inteligência invejável ele consegue fugir de seu cativeiro após ser utilizado como cobaia num experimento com um super anabolizante denominado Veneno, que é injetado em suas veias lhe conferindo uma força descomunal instantânea. Seu único ponto fraco é ser dependente dessa droga. Após sua fuga ele decide se tornar o chefão do crime em Gothan City, após ouvir histórias contadas pelos prisioneiros sobre um vigilante mascarado que protegia as ruas da cidade. Tendo Batman como um oponente a ser vencido como uma meta para obsessiva, ele planeja passo a passo a derrota física e emocional do herói, vencendo o homem e a lenda.

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No primeiro arco, A Queda, Bane inicia seu plano soltando os internos do asilo Arkhan e agindo nos bastidores para dificultar as ações do homem morcego, que chega a exaustão, mesmo com a ajuda de Robin e Azrael. Um personagem novo que havia ajudado Batman em uma história anterior. Após prender vários inimigos, Bane enfim derrota Batman na própria Batcaverna, após deduzir que a única pessoa com recursos e capacidade de ser o Batman em toda Gothan City seria o miliário Bruce Wayne. Batman é espancado e por fim tem sua coluna quebrada pelo vilão, que desde já começa a dominar o submundo do crime. Bruce Wayne sai de cena deixando o manto do Batman para Azrael, uma escolha que se mostrou equivocada. Devido a problemas emocionais, Jean Paul Valley tinha sido submetido a experimentos e torturas emocionais para se tornar o anjo da vingança conhecido como Azrael e nem de longe ele seguiria os mesmos passos de Bruce. Com o verdadeiro Batman fora do caminho e conquistando a confiança dos demais após derrotar Bane, ele altera por completo o uniforme do Batman, criando vários acessórios e armamentos, tomando uma postura violenta contra os criminosos, começando assim uma Cruzada contra o crime.

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Ao mesmo tempo Bruce Wayne parte numa busca por Shondra Kinsolving, mulher pela qual se apaixona e que possui um poder misterioso. Mas ele começa a se exceder e comprometer sua saúde, que causa um atrito com seu fiel mordomo Alfred que prefere deixá-lo a vê-lo se autodestruir. Enquanto isso em Gotham o novo Batman continua suas ações violentas, que chega até proibir o menino prodígio de entrar na Batcaverna. Após a morte de um vilão, fica claro que Jean Paul não está preparado para assumir o manto do morcego e deve ser detido. Mas ele se tornou um oponente muito poderoso, e apenas Batman poderia detê-lo.

Revelar que Wayne voltaria no fim não é nenhum spoiler. Obviamente uma luta entre o velho e o novo era óbvia, da mesma forma que sabíamos que o Superman retornaria e o Lanterna Verde Hal Jordan voltaria um dia a ser herói, mas de todos Bruce Wayne sempre esteve presente, mesmo que disfarçado em a cadeira de rodas. Quase todos os vilões da galeria do morcego dão as caras nessa saga, em especial a Mulher Gato, que estreou sua revista solo nessa época. Batman só volta a encontrar Bane anos depois, mas sem muito alarde. E Jean Paul Valley continuou sua cruzada em revista própria, mas dessa vez contra seus criadores em busca de resposta. Os desenhistas principais são Jim Aparo, Graham Nolan, o ótimo Norm Breyfogle, e Vince Giarrano, tendo em varias edições a arte única e reconhecível de Kelley Jones. Já o roteiro teve principalmente Doug Moench e Alan Grant direcionando a história. Muito dessa série foi reutilizada nos desenhos, games e filmes. Bane entrou para a galeria de grandes vilões do Batman e Bruce Wayne aprendeu uma grande lição. Pena que as editoras não se adaptaram tão rapidamente e tiveram um fim de década que preferem esquecer. Mas pensando bem, talvez a DC seja a menor culpada de tudo isso, e A queda do morcego é lembrada por muitos como um momento importante na carreira heroica de Batman.