quarta-feira, 31 de agosto de 2016

OUTCAST

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Infelizmente faço parte do grupo que conheceu essa HQ após o lançamento da adaptação para a série que passa no canal Cinemax. Mas isso não tem tanta importância, e não tira o mérito nem da HQ e nem da série, que por sinal está recebendo muitos elogios, e está na longa fila de séries que tenho para assistir. Mas não pude deixar de ler a HQ e realmente é fenomenal. Simples e muito boa. Escrita pelo criador de The Walking Dear, Robert Kirkman, (infelizmente a série dos zumbis sempre é lembrada quando é dito seu nome, mas ele parece não ligar para isso), mas a temática de Outcast é muito diferente. Na conclusão do primeiro numero, o autor explica o porquê ele optou pelo tema "possuídos" para esse trabalho, e explica que The Walking Dead não é uma história de terror. Pode tratar de zumbis, mas para quem leu a HQ dos mortos que andam fica evidente que os zumbis são apenas um pano de fundo para a relação dos personagens em um mundo apocalíptico, sendo os mortos um motivo de perigo e suspense. Já não se pode dizer o mesmo de Outcast (ou Proscrito em algumas traduções).

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Kirkman escolheu Virgínia, cidade que cresceu, para ambientar essa história, pois ele achou que esse ambiente era perfeito para acolher os personagens e seus segredos familiares, em especial Kyle Barnes, com um histórico de possessão demoníaca em sua família, a começar pela mãe, que lhe causou grande trauma na infância. Mas foi a segunda possessão que lhe causou mais impacto, destruindo de vez seu convívio social e afetando sua reputação como pai. Deprimido e largado, tem apenas na figura da irmã de criação um alento em sua vida. Sem um caminho a percorrer, as dúvidas que ele nunca conseguiu tirar da cabeça vem à tona quando o reverendo Anderson, que o ajudou nas experiências passadas, vem ao seu encontro para resolver novos casos de possessão demoníaca que assolam a pequena cidade.

Kyle se questiona quanto ao real motivo das pessoas importantes de sua vida terem sido atingidas por esse mal. Por que ele? O que ele tem de especial? O reverendo não tem as respostas, mas teme nunca ter conseguido exorcizar os demônios das pessoas possuídas no passado, uma vez que elas estão agindo estranho, como se algo ainda dirigissem seus atos, e o padre acredita que Kyle é de grande importância para a sua luta contra o mal. Acaba acreditando ainda mais quando percebe que o toque e o sangue de Kyle têm efeitos poderosos nas vítimas dos seres infernais. Mas infelizmente a presença de Kyle causa um frenesi violento nos possuídos que acaba sempre em mais sangue e ferimentos,  realmente há algo misterioso por trás desses e dos antigos atentados das trevas, e Kyle precisará ter forças para chegar até o fim, com a ajuda de Anderson, para enfim conseguir ajudar as pessoas e exorcizar os fantasmas do seu passado.

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Diferente dos filmes de terror que tratam esse tema, em Outcast o procedimento é mais dinâmico, nada de longas horas rezando e jogando água benta. Parece haver um descontrole tanto em Kyle quanto no reverendo e em quase todas às vezes há troca de socos entre exorcistas e exorcizados. Mas como o próprio reverendo diz, não são eles que estão no controle. Outra diferença que dá para perceber é que há uma razão para que as possessões ocorram. No clássico O Exorcista o demônio Pazuzu domina o corpo de uma garota apenas para fazer o mal e destruir a fé de quem está perto, e em todas outras histórias o objetivo é sempre o mesmo. Aqui existe uma razão. O mal planejado aparenta ser bem assustador.

De acordo com as próprias palavras de Kirkman, a arte de Paul Azaceta casa perfeitamente com essa trama, que consegue dar a uma criança o visual desconfortante da maldade, e uma velhinha indefesa se transforma em um ser temido sem a necessidade de cicatrizes ou eventos sobrenaturais. Em compensação a violência é mais evidente, infelizmente As forças do mal não se contentam em apenas atormentar uma alma sem motivo. As cores são dosadas para dar uma sensação de claustrofobia, economizando no colorido e ajudando a dar um ar mais sério à história. Kirkman acertou e tomara que a série continue acertando.