quinta-feira, 11 de agosto de 2016

CAMELOT 3000


Ficção cientifica misturada com lendas medievais é igual à Camelot 3000. A história do rei Arthur sempre gerou inúmeras releituras, desde as Brumas de Avalon aos livros de Bernard Cornwell, passando por desenhos da Disney, filmes, abordagens de personagens específicos como Merlin e Lancelot, mas de todas elas, para mim, é Camelot 3000 que trás a mais extraordinária história com todos esses personagens. Não é uma nova visão sobre a lenda Arthuriana, mas uma continuação dela. Consequentemente toda a vida de Arthur é relembrada na trama em decorrência dos fatos de sua “nova” vida, ou por citações ou por passagens que se referenciam à velha história dos Cavaleiros da Távola Redonda. Para nos contar esse ciclo do reinado de Arthur, Mike W. Barr recebeu a ajuda do desenhista Brian Bolland (de Batman:  A Piada Mortal), em um de seus melhores trabalhos. Lançado em 1992, Camelot 3000 perfazia uma minissérie de 12 edições onde os cavaleiros conquistadores da era medieval não eram mais ameaças à Inglaterra no ano 3000, sendo alienígenas invasores o grande problema em um futuro distópico.

Após a morte do rei Arthur, foram colocadas as inscrições em seu tumulo: “Aqui jaz Arthur, rei que foi, rei que será”, e segundo algumas lendas o rei retornaria quando seu reino passasse por momentos muito difíceis. Esse momento chega enfim no ano 3000 d.C., em plena invasão alienígena, onde em Londres há uma resistência humana para conter esses invasores. O mundo está em choque, as pessoas fazem o que podem, mas parece que falta um líder para dirigir o avanço da humanidade contra a ameaça extraterrestre. É nesse momento que o arqueólogo Tom Prentice descobre o túmulo de Arthur ao fugir dos aliens que mataram sua família. Devido ao perigo que assola o país, e consequentemente o mundo, Arthur volta à vida e não fica de braços cruzados. Em Stonehenge, com a ajuda de Tom, ele desperta o mago Merlin para poder também despertar os antigos membros da Távola Redonda e recuperar sua tão famosa espada: Excalibur.


Mas diferente de Arthur e Merlin, os demais personagens são despertados em corpos de pessoas que já existiam, e algumas delas tinham um papel importante na guerra que já estava em andamento contra os alienígenas. A comandante da resistência humana se torna Guinevere, a amada do Rei Arthur, e quando Lancelot desperta no corpo de um visionário ricaço, já ficamos aguardando o momento de triangulo amoroso na trama. Esses são os personagens principais da história, e Lancelot, com sua armadura prateada, se torna o líder dos cavaleiros, que incluem Percival, agora um monstrengo mutante que tenta demonstrar com suas ações que não é tão irracional, Galahad é um samurai da era moderna e Sir Kay é um homem conhecedor dos sofrimentos gerados pela invasão alienígenas. Mas é com Tristão que temos a maior surpresa, onde o viril cavaleiro é acordado no corpo de uma mulher. Essa transformação dá pano para manga, onde ela tenta demonstrar sua capacidade de ser um bom cavaleiro mesmo sendo agora uma mulher e sentindo atração por Isolda, gerando assim um relacionamento homossexual cheio de barreiras a serem transpostas.


Mas não é apenas a invasão que gerará perigo para o grupo, pois por traz dos ETs há a velha inimiga de Arhur: a feiticeira Morgana Le Fay. Aliada a um oficial ganancioso das Nações Unidas, ela almeja vingança contras os cavaleiros e de quebra a dominação mundial. Em meio a naves espaciais, armas a laser, monstros verdes, temos a feitiçaria, luta de espadas e tratamentos de honra entre os cavaleiros. A guerra no geral é apenas um motivo de perigo para unir os personagens num primeiro momento, tratando os dilemas pessoais antes do clímax final, aí sim com os invasores de outro planeta com sua importância devidamente demonstrada.

Os contornos de Morgana aliada a sua indumentária causam um contraste com sua verdadeira natureza. Brian Bolland está magnífico e a dupla de artistas consegue dar vida a esses personagens. Arthur é um verdadeiro cavaleiro, sentimos as dificuldades de Percival, Galahad e Tristão, esperamos o aparecimento de Murdered a qualquer momento, Merlin é bem obscuro e Tom faz a vez de novo cavaleiro inexperiente. Por que ainda não virou filme? Não sei.