segunda-feira, 11 de julho de 2016

THE PREACHER - À CAMINHO DO TEXAS


O ex-pastor de uma cidade do Texas, Jesse Custer, já não sentia uma ligação com Deus quando foi dominado por uma entidade sobrenatural, chamada Genesis, fruto de uma união entre um anjo e demônio. Quando essa entidade se juntou  à Jesse e se tornou um só ser, a capela em que estava pregando no momento é destruída, matando todos os fiéis. Após o incidente ele descobre que tem um estranho poder: o dom da Palavra, onde ele consegue fazer as pessoas obedecerem a suas ordens. Jesse já não era um pastor normal, havia se envolvido em um polemica na comunidade em que atuava como reverendo, e quando ele é unido com o estranho ser, suas convicções são abaladas. Os anjos necessitam encontrar Genesis e capturá-la, nem que pra isso o pastor tenha o mesmo destino. Para isso incumbem o recém-ressuscitado Santo dos Assassinos, que mais parece um caçador de recompensas do velho oeste, (na verdade é exatamente o que ele era), para sair à caça de Jesse e enfim dar cabo de sua vida. Em busca de respostas para suas duvidas Jesse parte numa cruzada para encontrar o próprio Deus.

Jesse conta com a ajuda de sua ex-namorada Tulipa O’Hare, enfrentando uma crise conjugal sempre que se encontram onde valores são questionados e precisam constantemente conversar sobre a relação. Em seu caminho também aparece o irlandês Cassidy, um beberrão de óculos escuros e humor fora do normal, que é mais do que aparenta ser. Esse trio cruza as estradas se alojando em hotéis de beira de estradas, arrumando confusões em bares cheios de valentões e fugindo não apenas do assassino profissional, mas também do xerife local, que pode ser uma pedra no sapato dos fugitivos. Para quem lê fica claro que a busca de Jesse não é apenas para saber o paradeiro de Deus, que segundo os anjos abandonou a criação, mas também para conseguir respostas para questões mais pessoais, buscando uma redenção para seus erros baseados em uma fé que nunca existiu de verdade.

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Lançado sob o selo Vertigo da DC, selo esse que salvou os leitores de quadrinhos da década de 90, Jesse Custer é um homem comum, com todos os problemas emocionais que um ser humano tem, com momentos de raiva e imorais, em contraste com o trabalho que desempenhava como pastor. Na HQ há violência, sexo, uso de drogas e humor negro, fatores comuns nos trabalhos de Garth Ennis como os feitos com Justiceiro entre outros, e a arte de Steve Dillon consegue ilustrar bem esse mundo recheado de assassinos, pistoleiros, serial-killers, etc. O excêntrico Cassidy e sua fobia por luz dão um toque de arrependimento transformando o que para uns seria um presente em maldição, não vou entregar aqui o que ele tem, mas ele é um homem no fundo do posso, que te fará rir e te surpreender. Outra surpresa são as artes das capas de Glenn Fabry (que além das sete edições que perfazem esse primeiro arco de histórias, ele é autor do total de 66 edições, mais seis edições especiais. Isso mesmo, 666, o numero da besta).


Um personagem curioso que nos é apresentado pela primeira vez nesse inicio, mas é mais bem trabalhado no futuro, é o filho do xerife que tentou cometer suicídio dando um tiro no rosto, mas sobrevive, (bem na época em que Kurt Cobain, líder da banda Nirvana, cometeu ato parecido, mas com grande êxito), transformando sua boca em um buraco, rendendo ao garoto o apelido de Cara-de-Cu Sua maneira de falar e a relação que tem com seu pai, muito violento e alcoólatra, rende bons momentos (nem tão bons para o garoto). Outra surpresa é a presença de John Wayne como um tutor espiritual para Jesse Custer, que acompanhava os filmes do ator quando criança e, sempre que precisa de um concelho, Wayne aparece para ele, com o rosto em meio ás sombras, e lhe relembra ensinamentos. Agora, se é um espirito protetor ou a própria consciência do pastor,  fica por conta do leitor.

Esse ano Preacher virou série, onde “À caminho do Texas” foi adaptado. Resta saber se o seriado trará esses elementos profanos para a telinha, o que renderia muitas polemicas, e demonstraria coragem dos produtores. Além de drogas, violência, sexo e humor negro, Ennis cria um monte de personagens com personalidades bizarras que espelham o que o ser humano tem de pior. Dá até para imaginar o Pastor Malafaia descendo a lenha nessa série se ele souber de sua existência, queimando as edições dessa publicação, mas de fato Garth Ennis não se preocupou com o que as religiões tinham a dizer sobre a história, sejam evangélicos, católicos ou até satanistas. É tudo uma mistura e Jesse parece um para-raios de problemas, onde em cada edição um personagem pior que o outro entra em seu caminho.