sábado, 9 de julho de 2016

THE CLASH


Meu primeiro contato com The Clash foi na adolescência, quando ouvi o CD London Calling. Um doido prestes a espatifar a guitarra no chão (na verdade era o baixista Paul Simonon quebrando o baixo) era a imagem da capa do CD, eu sempre gostei de rock mais clássico e não muito pesado, e a imagem me fez pensar que não iria gostar. Graças a Deus eu coloquei pra tocar. A música título era a primeira e logo nos dois acordes iniciais eu fui arrebatado. Pode parecer exagero, mas o fato de lembrar-me desse momento, tão vívido em minha mente, demonstra como foi importante. Eles mandavam muito bem.


No final dos anos 70 e início dos anos 80 não tinha pra ninguém. O punk tomava conta, era o auge de uma rebeldia, mesmo sendo um movimento que não sobreviveria por muito tempo, o The Clash demonstrou que o punk podia ser diferente das melodias com poucos acordes e até ser assobiado. Suas músicas pareciam ter uma marca registrada, sendo relacionadas a eles assim que escutadas, tornando-se referência. Mas determina-los como uma banda de Punk Rock é apenas um comodismo, uma vez que eles possuíam diversos estilos em seu repertório, desde reggae à rockabilly. Seu álbum de estreia foi lançado em 1977, e nele já adentramos no mundo “Clashiano”. Joe Strummer era o vocalista e guitarrista da banda, era turco e morou em varias cidades pelo mundo e teve uma vida marcada por acontecimentos importantes, como ter pais ausentes na adolescência e identificar o corpo do irmão após o mesmo cometer suicídio. Ainda bem que ele canalizou esses traumas compondo músicas para a juventude com cunho social relevante. Juntou-se ao guitarrista Mick Jones e ao baixista Paul Simonon (que levou os créditos por criar o nome da banda). No começo passaram vários artistas na bateria, mas em 1978 Topper Headon assume as baquetas e se torna um dos melhores bateristas punk da história (talvez o melhor baterista daquela época). Outros passaram pela banda, mas esses quatro são os lendários.


Suas músicas falavam de revolução. White Riot, Police and Thieves, Tommy Gun foram sucessos de seu inicio de carreira, mas foi com o álbum de 1979, London Calling, que eles ficaram conhecidos no mundo todo, e não apenas no Reino Unido. Considerado como um dos melhores álbuns de todos os tempos (na minha humilde opinião considero o melhor) foi lançado como disco duplo, hoje um único CD, com 19 faixas. Mas o que faz dele um grande sucesso é a quantidade de músicas boas que ele contém. São 19. Você irá ouvir de uma tacada só, repetir algumas faixas três vezes seguidas, e vai imaginar duas coisas: ou fizeram pacto ou baixou o espírito da inspiração neles. Não vou citar as músicas do CD, vou apenas dizer que você necessita ouvir. Se esse disco não fizer você gostar de rock nada mais o fará.


Com uma mudança em Londong Calling, onde eles abordam diversos estilos musicais, ficaria difícil eles lançarem algo tão bom. Muitos podem torcer o nariz, outros vão constatar uma genialidade nas canções. Mesmo perdendo o impacto depois de tantos anos, The Clash ainda pode ser descoberto pela nova geração que nunca ouviu falar deles. Lançaram em 1980, ano da morte de John Lennon, o LP Sandinista!, que contém as músicas The Magnificent Seven e Career Opportunities, um álbum triplo vendido como duplo, uma condição imposta pelo grupo (que fizeram o mesmo em London Calling que era duplo e foi vendido como normal), o que causou desavenças com a gravadora. Daí por diante começaram brigas no grupo, e esses desentendimento levaram ao fim da banda em 1985. Estranhamente foi nesse período que eles lançaram dois grandes sucessos da carreira da banda: Rock the Casbah e Should I Stay or Should I Go (numa balada as pessoas pulavam e se debatiam ao tocar essa música, tem lugares que ainda não tocam Should I Stay or Should I Go ou até qualquer outra dos Ramones para evitar que mesas ou objetos sejam quebrados na “dança”).

Os integrantes seguiram carreiro solo, Strummer veio a falecer em 2002, mas nós ficamos com suas músicas para sempre. The Clash é para quem quer ficar alegre, feliz, motivado. As canções te dão energia e não servem para aqueles que querem ficar triste ou pensativo. Ouça por sua conta e risco, e se gostar não me culpem. Culpem o The Clash.