terça-feira, 5 de julho de 2016

O ORFANATO DA SRTA.PEREGRINE PARA CRIANÇAS PECULIARES


Antes de ler esse livro ouvi comentários comparando a história com os X-Men. Mas ao ler constatei que essa comparação talvez tenha sido uma jogada de marketing desnecessária, uma vez que a história tem um foco diferente e desenvolvimento totalmente diferentemente do da equipe mutante. A começar pelos elementos retrô que preenchem a história.

Jacobi venerava o avô quando criança, que lhe contava suas histórias no tempo em que lutou na Segunda Guerra Mundial e também de como ele enfrentada monstros e possuía vários amigos com poderes especiais na sua infância. Uma garota que conseguia levitar, um rapaz capaz de levantar rochas com apenas uma mão, outro que tinha o corpo coberto por abelhas e que segundo seu avô, saiam da própria boca do garoto. Isso deixava Jacobi extasiado, ainda mais quando os relatos eram acompanhados por fotografias em preto e branco dessas crianças, como a do garoto invisível, entre outras. Uma das fotos, em especial, lhe chamava a atenção. Era de uma senhora fumando cachimbo, que seria a dona de um orfanato onde essas crianças especiais ficaram no tempo da guerra. 



Com o passar do tempo às histórias foram perdendo o impacto, e desencorajado pelos pais do garoto, essas histórias cessaram. Seu avô sempre foi tratado como um sonhador e por vezes em um louco, mas o carinho de avô e neto era mantido, mesmo com Jacobi não acreditando mais em velhas histórias fantásticas e tendo certeza que as velhas fotos eram retocadas mal e parcamente com efeitos da época. Quando seu avô lhe liga pedindo ajuda para conseguir enfrentar um monstro, Jacobi não lhe dá muito crédito e vai visita-lo apenas para impedir que o vovô louco se machuque. Mas infelizmente o encontra morto, e o pior,  consegue ver o tal monstro. Sendo levado a psiquiatras e enfrentado vários problemas emocionais, ele decide ir com o pai a tal ilha onde se encontrava o antigo orfanato para poder tirar de sua mente essas histórias e lembranças, confirmando que não há nada de especial nos relatos de seu avô. Chegando á ilha ele consegue encontrar a casa em estado lastimável, totalmente em abandono e a população lhe confirma que todas as crianças órfãs morreram em um bombardeio alemão em 1945.

Já se acostumando com a ideia de que tudo que vira não passara de armadilhas de sua imaginação ele tem um encontro inesperado com uma garota que conseguia soltar fogo pelas mãos. Levado por ela até o pântano que ficava perto do decadente orfanato, ela o encaminha a um local onde ele podia enfim descobrir a verdade. Acaba conhecendo Srta. Peregrine que cuida de todas as crianças com poderes, que ela chama de peculiares, que além de estarem vivas, não mudaram nada nessas últimas décadas. 



O autor Ranson Riggs mistura sua narrativa com fotos de época, que até ajudam a dar um ar ao mesmo tempo nostálgico e amedrontador ao livro. Algumas fotos tem certo aspecto assustador, outras nem tanto, que segundo o autor foram conseguidas com colecionadores que as consideravam (e atestavam) serem reais.  A leitura flui, tem momentos que você não quer parar de ler e em algumas partes, quando na história alguma foto é citada, você já fica esperando a imagem da foto aparecer e te ajudar na visualização da cena em sua mente. Tem alguns momentos didáticos, como a explicação do que são as crianças peculiares e como eles conseguem se esconder numa fenda temporal, mas isso não atrapalha em nada o desenrolar da trama, apenas nos ajuda a entender os acontecimentos, ainda mais quando queremos chegar logo na resolução dos vários mistérios, como: Quem matou o avô de Jacobi? O que era aquele ser que ele viu na cena do crime? Como as crianças não envelhecem? E talvez a maior pergunta de todas: Por que ele está lá? Um filme está sendo dirigido por Tim Burton, e pelas imagens que rolam na internet dá para perceber que haverá algumas modificações. Tomara que ele não arruíne o livro coo ele fez em Alice no País das Maravilhas. Aí sim teríamos uma cópia de X-Men.