sexta-feira, 22 de julho de 2016

STRANGER THINGS

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Nasci em 1985, ou seja, tudo o que sei dos filmes da década de 80 eu aprendi vendo as reprises da seção da tarde nos anos posteriores. Os Gonnies, ET, Deu louca nos monstros, etc., filmes esses que uniam um grupo de crianças, cada qual com sua personalidade (tinha o rebelde, o inteligente, o engraçado, o medroso), se aventurando contra perigos sobrenaturais. Nessas histórias os adultos são sempre mostrados como descrentes e incapazes de resolver o problema que exige mente aberta que só as crianças podem ter. Os perigos eram monstros espaciais, como no filme O enigma de outro mundo, ou criaturas grotescas como Os Gremlins, ou apenas adultos sedentos por poder e dinheiro. Em todo caso as crianças são desacreditadas num primeiro momento, mas salvam a pátria no final.

É nesse universo dos nos 80 que a nova série do Netflix é baseadada. Stranger Things (ou se preferir Coisas Estranhas) se passa no ano 1983, época em que o Star Wars está no auge, The Clash faz enorme sucesso, o presidente Reagan caça comunista e um grupo de amigos nerds jogam RPG na cidade interiorana de Hawkings, Indiana. Após uma disputa acalorada de Dungeon Dragons (jogo de RPG que serviu de base para o desenho Caverna do Dragão, que no original levou o nome do jogo), cada um volta para sua casa, mas infelizmente um deles não chega a seu destino. O telespectador sente  esse sumiço, ainda mais depois de se afeiçoar aos garotos quase que instantaneamente.


Mike parece ser um dos amigos mais ligados a Will, o garoto desaparecido. Tanto que ele tenta de tudo para encontrar o amigo e sua força de vontade é fundamental para que a série flua. Já Lucas é o amigo mais implicante, um tanto chato, mas suas brigas com banguelo Dustin são hilárias. É esse trio que nos faz colocar essa série num patamar superior às demais séries, tal como o antigo seriado Anos Incríveis, onde nos lembramos de passagens de nossas próprias vidas, amizades que ficaram para traz devido à perda de contato por causa de caminhos seguidos em destinos diferentes. Você pode ter tido um amigo como Lucas, ou conhecido um colega como Mike, mas no caso desse trio é o desaparecimento do quarto integrante do grupo, o jovem Will, que os tornam mais próximos. Lógico que os garotos enfrentam problemas na escola, eles sofrem bullyng, são vistos como nerds, Mike em especial ainda tem uma dificuldade adicional com a presença da irmã mais velha, Nancy, uma adolescente toda certinha que tenta ser mais popular, mudando sua personalidade. A série também foca no desespero da família do garoto sumido, onde a mãe, interpretada por Winona Ryder, tenta desesperadamente se apegar a sinais e evidencias que não me cabe revelar aqui, esperando reencontrar o filho. Já o irmão mais velho do garoto, o Jonathan, que já tinha problemas de convívio social, tenta encontrar uma maneira de manter a calma perante a uma mãe a beira de um colapso nervoso, sem a ajuda do pai distante, e nutrindo um amor platônico pela patricinha Nancy.

 

Para investigar o desaparecimento do garoto entra em cena o xerife Hooper, com um passado triste que vê nesse caso uma maneira de terminar algo que ficou em aberto em sua vida, e acaba entrando de cabeça em todos os acontecimentos estranhos que rondam essa investigação. Mas logicamente que o trio principal não ficaria parado, e secretamente partem em busca do amigo na mata, onde apenas sua bicicleta fora encontrada, e é nessa busca que eles se deparam com uma garota misteriosa, que pode conter o segredo de todo o mistério. Como nos filmes dos anos 80, as crianças fazem parte de um grupo perfeito para solucionar problemas em que os adultos são impotentes.

A série vale muito a pena, nos faz querer assistir tudo de uma vez, já tem segunda temporada garantida, o elenco está muito bom, principalmente as crianças, em especial a garota encontrada com o número 11 tatuado no braço. Os produtores prestam uma ótima homenagem à década de 80, com várias referências e trilha sonora primorosa. A abertura me chamou muita atenção. Enfim uma série que vai te surpreender. Ficção para nenhum nerd botar defeito. Mais um ponto para o Netflix.