sexta-feira, 15 de julho de 2016

LIGA DA JUSTIÇA



No início dos anos 90 a Warner apostou num novo desenho do Batman, com histórias adaptadas dos quadrinhos e com estilo diferente de tudo que já havia sido criado para o personagem. Foi um sucesso, que rendeu um tratamento parecido para um desenho do Superman (que misturou um pouco a animação do antigo desenho do homem de aço da década produzido pelos irmãos Fleischer). Outros heróis e vilões da DC apareciam em alguns episódios, colaborando para que o universo da editora se expandisse ainda mais, interligando os personagens e desenhos entre si. Era questão de tempo para que Batman e Superman se juntassem a outros heróis e formassem a equipe de heróis mais poderosa da DC: A Liga da Justiça.

Não precisando contar as origens de Batman e Superman, heróis esses que já haviam se encontrado várias vezes em seus próprios desenhos, a animação da Liga da Justiça foi lançada em 2001 com a premissa de ser uma continuação do universo proposto pela Warner e Cia, sempre tendo arte de Bruce Timm, com seu estilo cartunesco que sempre foi bem vindo entre os fãs, com algumas ressalvas que não deviam ser levadas em consideração. O queixo muito quadrado do Batman, peitoral avantajado dos homens, cintura fina das mulheres, etc., nunca foram empecilho para demonstrar uma animação competente e de qualidade. Outro personagem que já havia dado as caras em episódios do Superman é o Flash, que se junta à equipe para impedir uma invasão alienígena logo nos primeiros episódios.


O Lanterna Verde também já havia sido apresentado ao público, mas como uma mistura entre Hal Jordan e Kyle Rayner, dois homens que já utilizaram o anel do Lanterna, sendo que Hal Jordan é considerado um dos maiores os Lanternas Verdes. Essa mistura ocorreu para adaptar o personagem para um determinado episódio do Superman com o  Lanterna Verde dos quadrinhos, que na época era vivido por Kyle Rayner. Mas para se juntar a Liga, os produtores escolheram outro personagem. John Stewart serviu para os telespectadores negros se identificarem com o personagem, e se tornou um sucesso, coisa que o personagem não tinha muito nos HQs. Mulher Maravilha era uma escolha óbvia como a heroína principal da equipe, mas a equipe precisava de outra mulher para interagir. Não sei por que, mas sempre tem duas mulheres nas equipes de heróis, talvez uma necessidade de uma trocar ideias com a outra. Uma escolha seria a inserção da heroína Zatanna, uma vez que ela fez parte de episódio do desenho do Batman, mas a escolhida foi a Mulher Gavião, ou por ter um temperamento diferente da Mulher Maravilha ou por ser desconhecida do grande público e com mais apelo para serem criados novos episódios.


Desta forma a equipe estava formada. Batman era o cabeça e desde o começo se intitulou como membro esporádico, mas sua atuação na Liga não parecia tão esporádica assim. Foi nesse desenho que sua aura soturna e mal humorada ficou mais intensificada, juntamente com uma percepção de ser um personagem inabalável e imbatível, capaz de derrotar tudo e todos. Superman era o bonzinho, sempre pronto a ajudar e servir de exemplo. A Mulher maravilha era a feminista, mas a meu ver se tornou uma versão feminina do Superman. O Lanterna Verde era o soldado, endurecido por anos e anos de treinamento militar e também por problemas que teve em sua vida com preconceitos raciais. O Flash é o palhaço da turma, e a Mulher Gavião a durona. Quando a equipe se une para deter uma invasão marciana, se junta à equipe John Jones, o Caçador de Marte (ou Ajax), que se torna um membro valoroso da Liga.

Os primeiros episódios mostravam um pouco de cada personagem, tendo um deles como principal na trama, onde suas origens e particularidades são abordadas. Um vilão da galeria de malfeitores desse determinado herói era o principal oponente. Enquanto a Mulher Maravilha enfrentava problemas de seu passado com a ajuda dos outros integrantes, ficamos por dentro de sua origem como guerreira amazona e dos outros personagens que fazem parte de sua história, como os deuses olímpicos e Hippolyta sua mãe. O universo do Lanterna Verde é muito rico, e no desenho nos é mostrado aos poucos para não assustar com tanta informação. Somos apresentados à Tropa dos Lanternas Verdes e os Guardiões do Universo em um episódio em que o Flash tem que ser um advogado de defesa de John Stewart, que estava sendo julgado por ter detonado um planeta inteiro devido a um erro, (a história pode ter terminado bem, mas não com ajuda do Flash, que mais atrapalhou que ajudou – por sinal o Flash é dublado na versão original por Michael Rosenbaum, o Lex Luthor do seriado Smallville).


Os vilões principais são: Lex Luthor, Coringa, Grodd, Vandal Savage e Solomon Grundy. Invariavelmente os vilões se uniam para chegar num objetivo em comum, como no episódio em que Batman é capturado quando Luthor se une a outros vilões, entre eles o Coringa. Batman, mesmo amarrado, consegue reverter a situação apenas na lábia e jogando um contra o outro. Outra união de vilões mais meritória seria a Liga da Injustiça, nessa primeira versão do grupo de vilões o líder é o gorila Grodd, que se une a Sinestro, Cara de Barro, Geada entre outros e conseguem derrotar a Liga Justiça, que estava passando por problemas em trabalhar em conjunto. Um dos heróis que teve pouca participação de seus inimigos nesse desenho era Batman, onde apenas o Coringa teve momentos como o principal inimigo. Outros heróis também participam, como Etrigan, Metamorfo, Sargento Rock, Destino e, em especial, a ótima participação de Aquaman e Lobo. Foi um dos melhores (se não o melhor) desenho de super-herói que já foi feito. A Marvel pode ter conseguido fazer algo parecido com Vingadores: Os super-heróis mais poderosos, mas se colocarem os dois desenhos em uma balança, tenha certeza que a Liga da Justiça pesará mais, e muito.