quarta-feira, 13 de julho de 2016

DEIXA ELA ENTRAR

Em quase todas as listas de filmes de terror que eu vi Deixe ela entrar é citada. Também percebi que quando um filme fora do circuito hollywoodiano é muito bom eles não hesitam em re-filmar em seus moldes. Foi assim com o coreano Old Boy e com o argentino O Segredo de seus olhos (filmão ganhador de Oscar protagonizado por Ricardo Darin). Com Deixa ela entrar não foi diferente, mas como os dois filmes citados é melhor assistir o original. É um filme de terror que utilizou um tema batido e já utilizado até em romances: vampiros.

Não sei se foi ambiente frio da Suécia ou a diferença cultural com nosso país, mas parecia um ambiente próprio para uma história de terror como essa ser contada. Um garoto de 12 anos sem amigos e com dificuldade de se enturmar descobre que terá novos vizinhos, um homem e uma menina de sua idade. Seu nome é Oskar e no começo você até pensa que ele pode ser uma garota. Suas feições são típicas do povo europeu, mas mesmo assim tem um ar de exótico e, misturado com seu jeito, não achamos estranho ele ser tão sozinho, e o pior, sofrendo bullyng na escola por ser diferente e incapaz de revidar. Quando a garota aparece logo acreditamos que uma amizade ocorrerá.


Até aí tudo bem, uma historinha de adolescente sem nada de especial. Eis que vizinhos começam a desaparecer e outras mortes começam a ocorrer em Blackeberg, subúrbio de Estocolmo, onde Oskar e sua nova vizinha moram. A estranha relação entre as famílias e amigos começam a se deteriorar diante desses fatos e histórias mal contadas quanto aos  sumiços atingem seus entes queridos. E Oskar começa a ficar curioso com os novos vizinhos tão reservados, e a amizade com a nova garota chamada Eli vai ocorrendo aos poucos. O "pai" dela é um sujeito muito sinistro e não demora apara descobrirmos quem é o autor das mortes misteriosas. Mas o que surpreende não são as mortes em si, mas o destino dos corpos, em especial do sangue deles.


A atmosfera do filme evoca não medo, mas receio de que algo parecido possa realmente ocorrer de maneira inexplicável. A garota tem segredos, muitos por sinal, e talvez o maior deles seja a amizade que tem com o homem que supostamente é seu pai, e também começa a nutrir por Oskar, que se sente atraído por ela, mas esbarra numa impossibilidade, algo que só conseguimos concluir no final. Um filme que utiliza o pouco orçamento que tem com inteligência, em especial na cena perto do fim, onde uma piscina pode ser palco de algo assustador.

Pessoas solitárias sempre geram bons personagens, talvez por saberem ouvir mais do que falar, conseguindo dessa forma absorver mais ensinamentos do mundo. Oskar é assim e Eli conseguiu identificar essa qualidade nele. Além de ser um filme de terror de primeira, é também um filme sobre amizade, em como uma relação de afeto pode ser trabalhada entre duas pessoas e nos faz entender como tantas pessoas que julgamos difíceis de terem amigos, ainda assim os possuem. No caso da dupla desse filme a amizade atravessa obstáculos emocionais consideráveis. Um filme de terror que vale muito a pena ser assistido.