sábado, 11 de junho de 2016

THE WHO



Enquanto os Beatles cantavam que queriam pegar na mão da garota (I Wanna Hold your hand), eram vistos como os garotos que os pais queriam que suas filhas namorassem. Os Rolling Stones tinham uma postura diferente, mais rebelde, abominados pelos pais, mas eram românticos e falavam de amor, logo as garotas se sentiam atraídas. Já o The Who já falava de masturbação e eram mais que rebeldes. Imagino o que os pais os consideravam meliantes e as garotas tinham medo de chegar perto, mas os quatro integrantes dessa banda eram notáveis e de suma importância para o grupo e para o futuro do Rock.


Sua biografia e discografia estão espalhadas pela internet. Aqui tenho apenas que indicar essa maravilhosa banda para diversas pessoas que ainda não conhecem o grupo, e infelizmente elas não sabem o que estão perdendo. O The Who faz parte do seleto grupo de artistas da Invasão Britânica ocorrida na primeira metade dos anos sessenta. No auge da Beatlemania, o The Who se sobressaia pelas suas apresentações ao vivo, que levavam o publico a loucura e não se preocupavam em manter uma imagem bonita para a mídia. Foi o primeiro grupo a destruir seus instrumentos no palco, o que pode ter sido um acidente no começo, mas se tornou uma necessidade após o resultado com o público. Isso ocorreu apenas no inicio da carreira da banda, pois foram ficando endividados e apenas após o sucesso e a receita gerada com os discos futuros eles conseguiram saldar essas dívidas. Mas isso não impediu que outras bandas copiassem esse estilo.

Os integrantes eram singulares e todos tinham grande importância na banda como indivíduos do Rock. Keith Moon, considerado um dos maiores bateristas da história, tinha uma maneira única de tocar sua bateria, levantando os braços e girando as baquetas no ar enquanto tocava como um louco. O baixista John Entwistle é referencia até hoje, considerado o maior baixista da história, sendo que as preferencias podem ser discutíveis, mas seu virtuosismo não. Ele batia nas cordas como um datilógrafo. Pete Toushand era o líder, principal compositor e guitarrista, ou multi-instrumentista, gênio por trás de ótimas músicas e álbuns importantíssimos, considerados verdadeiras perolas no mundo do Rock. Finalizando,  Roger Daltray era a voz que você pode ouvir durante horas e não enjoar, tocava guitarra rítmica. Enquanto Entweistle "datilografava" o baixo e Tousahand girava o braço parecia estapear sua guitarra, Daltray girava o fio do microfone. Tudo isso, logicamente, acompanhados de um louco ensandecido na bateria. Pode parecer exagero nos dias de hoje, mas naquela época eram considerados no mínimo “diferentes”.


Uma boa porta de entrada para conhecer a banda seria o álbum Singles de 1985, com seus maiores hits. Mas claro que isso só serve para abrir uma porta, pois um CD não pode conter todas as boas músicas do grupo. My Generation, Substute (regravada pelos Ramones), I Can't Explain, entre outras músicas, se tornaram grandes sucessos que alavancaram a carreira do The Who, que foram criando músicas com sonoridades mais apuradas e trabalhos conceituais, como a ópera rock Tommy de 1969, que contava a história de um garoto que se torna cego, surdo e mudo devido a traumas de seu passado. Em Who Sell Out de 1967 há propagandas fictícias entre as músicas, dando um tom propagandista imitando uma estação de rádio. 


A música que me arrebatou para o lados dos fãs dessa banda foi Baba O’Riley, do álbum Who’s Next de 1971, depois fui correndo atrás e conheci as demais músicas. I Can See for Mile (uma batida bem pesada para a época), Magic Bus, Pinball Wizard, Pictures of Lily (música que dá um tom de fim da inocência na adolescência), Won't Get Fooled Again, Who Are You,(estas duas últimas, juntamente com Baba O’Riley, são temas de abertura da série policial CSI) entre outras.


Com a morte de Keith Moon em 1978 (no mesmo apartamento que morrera Mama Cass da banda The Mamas and The Papas), The Who esmoreceu. Keith Moon era muito carismático, imitado e reverenciado, tendo até um Muppet criado em sua homenagem (o Animal), mas ele viveu 32 anos regados a festas e com um grupo que merece ser lembrado como uma das maiores bandas de rock de todos os tempos.